Use o 13º salário com critério

Use o 13º salário com critério

Aposentados do INSS e servidores públicos já tiveram liberada a primeira parcela do abono de fim de ano. Especialistas orientam sobre a melhor forma de empregar os recursos

BRUNO SANTA RITA*
postado em 02/09/2018 00:00
 (foto: Fotos: Bruno Santa Rita/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Fotos: Bruno Santa Rita/Esp. CB/D.A Press)




;Costumo reservar esse dinheiro para pagar algumas dívidas ou fatiar dívidas maiores. Não pretendo viajar ou comprar nada neste ano;
Dhiogo Loiola de Araújo, professor, com a mulher, Angélica Calheiros



;Eu sempre me programo para usar o dinheiro na compra dos livros didáticos para minhas duas filhas pequenas;

Edson Rosa, bancário



O 13; salário começou a ser recebido por alguns setores da sociedade. Aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e servidores públicos, por exemplo, já foram contemplados com a primeira parte do abono anual. Para os trabalhadores do setor privado, a previsão é de que as empresas liberem os recursos no fim do ano. Alguns bancos possuem linhas de crédito pelas quais oferecem o adiantamento do dinheiro. No entanto, segundo consultores financeiros ouvidos pelo Correio, é preciso tomar muito cuidado com as taxas de juros cobradas nessas operações, que, geralmente, são muito altas.

Em junho passado, mais de 1,2 milhão de servidores públicos civis do Poder Executivo receberam um total de R$ 6,5 bilhões referentes à primeira parcela do 13; salário. Os aposentados do INSS começaram a receber o recurso na última segunda-feira. Segundo o instituto, ao longo da semana passada, foram distribuídos R$ 63,3 bilhões para esse grupo. Somente no Distrito Federal, os pagamentos somaram R$ 709,5 milhões. Têm direito à primeira parcela do abono anual os beneficiários do INSS que recebem aposentadoria, pensão por morte, auxílio-doença, auxílio-acidente, auxílio-reclusão ou salário-maternidade.

O dinheiro extra na conta pode ser um alívio para o orçamento de quem está em dificuldades econômicas. No entanto, é necessário pensar com cuidado na melhor forma de empregá-lo. Para o educador financeiro Reinaldo Domingos, do canal Dinheiro à Vista, no Youtube, é preciso observar que, como se trata de recursos extras, precisam ser tratados de forma diferente do salário regular mensal. ;O dinheiro deve ser utilizado para finalidades que não sejam as do cotidiano;, explica.

Avaliação
Segundo Domingos, é necessário avaliar a situação financeira de cada um para decidir o destino dos recursos. ;As pessoas podem estar com as contas equilibradas ou com dívidas. Também podem ser investidores. A forma como cada um vai usar esse dinheiro é diferente;, observa. ;É importante que o trabalhador separe a quantia relativa ao 13; salário da conta-corrente. Ela tem que ser direcionada para uma aplicação financeira, para viabilizar algum objetivo de vida ou para o pagamento de dívidas;, opina.

O educador financeiro avalia, por exemplo, que muitos aposentados, provavelmente, não passam por boas condições financeiras, já que a inadimplência desse grupo aumentou nos últimos meses. Desse modo, quitar compromissos que pressionam o orçamento é um objetivo saudável. Ele alerta, porém, que isso não basta. ;O que as pessoas endividadas precisam fazer é proteger o dinheiro. Se usarem esses recursos simplesmente para pagar despesas do passado, mas continuarem fazendo dívidas, o problema não vai acabar;, adverte. ;É preciso mudar hábitos de consumo, diminuir gastos e, se necessário, até mudar o padrão de vida. Apenas abater dívidas antigas com o 13; não impedirá as pessoas de fazerem mais dívidas;, diz Domingos.

Para quem não está endividado e tem uma boa situação financeira, a recomendação do consultor é a de usar o 13; para fazer algum tipo de aplicação. ;Se tiver condições, é bom investir esse dinheiro e formar uma reserva para imprevistos, que sempre podem acontecer;, orienta.

O professor Dhiogo Loiola de Araújo diz que vai utilizar o 13; salário para abater parcelas de um financiamento que tomou para comprar um apartamento em Taguatinga, onde mora com a mulher, Angélica Calheiros. ;Esse dinheiro eu costumo reservar para pagar algumas dívidas ou fatiar dívidas maiores;, explicou. Dhiogo afirmou que não considera a possibilidade de usar os recursos para viagens ou realizar sonhos pessoais. ;Não pretendo viajar ou comprar nada neste ano;, diz. A esposa rebate. ;Ele não tem vontade de viajar, mas vou convencê-lo;, brinca. O casal ainda vai analisar, até o fim do ano, a possibilidade de separar uma parcela do 13; para uma possível viagem.

O bancário Edson Rosa, 46 anos, costuma poupar parte do 13; para custear a compra de material escolar. ;Eu sempre me programo para usar o dinheiro na compra dos livros didáticos de minhas duas filhas pequenas;, diz. Edson também pretende reservar parte do seu 13; para as compras de fim de ano. Caso sobre algum montante, ele tentará fazer alguma viagem. ;Já é uma ajudinha a mais para viajar, mesmo que pouca;, afirma

Setor privado
Legalmente, as empresas do setor privado devem pagar a primeira parcela do 13; salário dos seus empregados até 30 de novembro de cada ano e a segunda parcela, até 20 de dezembro. O não pagamento do abono anual aos trabalhadores regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) gera multa de R$ 170,25 aos empregadores a cada atraso. Em caso de reincidência, o valor dobra.

Alguns bancos oferecem empréstimos para que o trabalhador possa antecipar o recebimento do valor correspondente ao 13;. Geralmente, porém, as taxas de juros desse tipo de operação costumam ser altas. No Banco do Brasil, por exemplo, as taxas chegam a 2,89% ao mês. No Bradesco, os juros variam de acordo com o perfil do cliente, e começam em 1,99% mensais. Por causa do custo elevado, esses empréstimos não são aconselháveis, segundo a maioria dos consultores financeiros. ;Quando se recorre a um empréstimo, é necessário acender a luz vermelha e perceber que esse comportamento não é recomendável;, diz o educador e terapeuta financeiro Jônatas Bueno.

Se houver necessidade imperiosa de antecipar o recebimento dos recursos, Bueno julga importante procurar linhas de financiamento mais em conta. ;Eventualmente, um servidor público consegue uma taxa mais baixa, por exemplo. Sempre se deve comparar as linhas de crédito e buscar as mais baratas;, recomenda.

O recepcionista Alex Malta, 27, considera antecipar o 13; para pagar dívidas. ;Mas não parei ainda para estudar melhor o assunto;, afirma. No fim do ano, Alex vai receber também os recursos do PIS, por isso, não está muito ansioso pelo 13;. ;O PIS vai entrar no fim do ano e vai ajudar;, afirma. Ele explica que pretende quitar algumas dívidas de uma só vez. ;São débitos pequenos. Posso abatê-los direto e me livrar deles;, explica. Malta conta que tem uma filha de 3 meses e que, a partir de agora, vai pensar primeiramente nela. ;Tudo o que a gente faz é pensando no futuro dela.

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