Guerra comercial ameaça o presidente

Guerra comercial ameaça o presidente

postado em 02/09/2018 00:00
 (foto: Craig Ruttle/AFP)
(foto: Craig Ruttle/AFP)

Os efeitos da guerra comercial declarada pelo presidente Donald Trump já estão sendo sentidos nos Estados Unidos e podem influenciar os resultados das urnas em novembro. A retaliação de países como a China projeta a sombra do desemprego.
Em junho, cerca de 21 mil empresas solicitaram exclusões tarifárias, alegando que a política de Trump as coloca em risco de fechar as portas. Produtores de carne suína e de uísque alegam prejuízos. A Harley Davidson anunciou planos de transferir parte da montagem de motocicletas para outros países.

A Element Electronics, que monta televisores em Winsboro, pequena cidade da Carolina do Sul, alertou que pode ser forçada a fechar a fábrica e demitir 126 empregados. Estrategistas do Partido Republicano (governista) temem que o confronto comercial continue atingindo a indústria americana.

Outro exemplo é a Mid Continent Nail, que produz metade das unhas postiças feitas nos EUA em sua fábrica em Poplar Bluff, no Missouri, um estado conquistado por Trump na eleição de 2016. Depois que o presidente sobretaxou as importações de aço, no início de junho, as vendas da Mid Continent caíram pela metade e mais de 100 vagas foram fechadas.

O sinal amarelo acendeu para os republicanos na eleição especial para uma vaga na Câmara por Ohio, estado de tradição industrial onde Trump venceu a disputa presidencial com mais de 11 pontos de vantagem. No início deste mês, o republicano Troy Balderson venceu o democrata Danny O;Connor por apenas 1.700 votos ; menos de 1% dos votos apurados.

;Acho que é uma bandeira vermelha alertando que novembro será mais difícil do que o discurso atual sugere;, avalia Michael Steele, ex-presidente do Comitê Nacional Republicano.

Na campanha pela Casa Branca, Trump queixou-se amargamente do deficit comercial e prometeu renegociar os acordos em vigor. Seguiu quebrando a ortodoxia republicana do mercado livre e impondo bilhões de dólares em tarifas sobre aço, alumínio e outras importações da China, União Europeia, México e Canadá. As consequências negativas incluem uma queda no investimento direto, enquanto as tarifas de retaliação adotadas pelos parceiros dificultam as exportações americanas. (JV)

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação