Da UnB ao Vale do Silício

Da UnB ao Vale do Silício

Com foco em saúde, a startup de Fernanda Teles desenvolveu um produto que rendeu uma viagem à região mais tecnológica do mundo

Gabriela Walker Especial para o Correio
postado em 02/09/2018 00:00
 (foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A)
(foto: Bárbara Cabral/Esp. CB/D.A)


Fernanda Teles, 28 anos, descobriu no mestrado a oportunidade de inovar no setor da saúde. Formada em educação física pela Universidade de Brasília (UnB), ela tinha planos de seguir uma carreira acadêmica, mas abriu a própria startup, após desenvolver o protótipo para o E-lastic, principal produto comercializado hoje pela E-sportes Soluções Esportivas, onde é diretora executiva.

O produto, usado especialmente por fisioterapeutas e profissionais de educação física, recebeu no ano passado o Prêmio Tecnologias de Impacto, que promove iniciativas transformadoras desenvolvidas no Brasil. Com o prêmio, Fernanda e o sócio, o engenheiro João Macedo, passaram uma semana no Vale do Silício, aprendendo sobre inovação e tecnologia.

;Entre as 200 empresas inscritas na competição promovida pela Qualcomm, que atua no mercado de internet das coisas (IoT, da sigla em inglês), fomos uma das 10 selecionadas, com o projeto da E-lastic. E, em fevereiro deste ano, fizemos a imersão nos Estados Unidos;, conta.

O E-lastic mede a quantidade de esforço feito por um usuário, armazena dados de desempenho e gráficos de força de cada exercício. Conectado a um aplicativo desenvolvido pela empresa, o elástico permite que tanto o preparador físico quanto o usuário tenham acesso às informações e possam, assim, melhorar a prática de forma personalizada. As facilidades garantiram ao equipamento adeptos entre pacientes em pós-operatório e atletas, como Jady Malavazz, que usou o E-lastic para se preparar para os jogos paralímpicos de 2016.

;Sempre quis trabalhar com saúde, cheguei a começar o curso de odontologia, mas depois do terceiro ou quarto semestre de educação física, fiquei encantada com o fato de você conseguir estudar os movimentos com biomecânica;, diz.

Fernanda não abandonou a carreira acadêmica e neste semestre iniciou um doutorado pela UnB, mas confessa que sua prioridade é o desenvolvimento da E-sportes. ;A gente pensa não apenas em expandir, mas também em integrar novas soluções;, ressalta.

Atualmente, o E-lastic é vendido on-line e tem clientes em 20 dos 27 estados brasileiros, além de estar presente em Portugal, Espanha e Irlanda. ;Muita gente nos conhece pelas redes sociais. Um caso é o de um fisioterapeuta brasileiro que reside na Irlanda e trabalha em uma das maiores redes de fisioterapia de lá. Ele apresentou o produto para a empresa onde trabalha e é bem provável que a gente use o caso como um primeiro passo para a internacionalização do produto;, conta Fernanda, sobre os planos da startup.

Incubadora
Desde 2015, a E-sportes recebe suporte do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT) da UnB, que promove pesquisa e desenvolvimento de empresas locais, incentivando iniciativas de inovação tecnológica. A startup tem, atualmente, dois sócios e quatro funcionários e gera lucro suficiente para se manter sem apoio de terceiros.

;Estar dentro da universidade é muito positivo porque a gente tem acesso mais rápido a professores, pode usar a estrutura do centro e, o mais importante, temos capacitação;, destaca. ;Mas não descartamos buscar uma aceleração para uma próxima fase de crescimento;, completa.

Entre os principais produtos da empresa brasiliense estão o Jumpo ; aplicativo para a avaliação de saltos, e o E-xpert ; sistema de arbitragem eletrônica usado em concursos públicos que exigem provas físicas. A E-sportes também tem investimentos em protótipos que não são comercializados no mercado. ;Fazemos produtos que atendem a necessidades de um grupo específico. Um deles é um dispositivo para nadadores cegos, que vibra quando ele se aproxima da borda, indicando que está no momento de fazer a virada;, explica.


;Estar dentro da universidade é muito positivo porque a gente tem acesso mais rápido a professores, pode usar a estrutura do centro e, o mais importante, temos capacitação;
Fernanda Teles



Vale do Silício
Espécie de lar das maiores e melhores empresas de tecnologias do mundo, sobretudo nas áreas de circuitos eletrônicos, eletrônica e informática. Existem também muitas startups. Fica na Califórnia, nos Estados Unidos, e abrange cidades como Palo Alto, São Francisco, Santa Clara, estendendo-se até os subúrbios de São José.








Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação