Abrigo para a nova economia

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Sócios do coworking The Brain recebem de aceleradoras a multinacionais e defendem o potencial de um ambiente compartilhado

Marina Adorno Especial para o Correio
postado em 02/09/2018 00:00
 (foto: Adauto Menezes/Divulgação)
(foto: Adauto Menezes/Divulgação)


Os coworkings são modelos inovadores de negócio que chegaram à capital federal e rapidamente conseguiram conquistar seu espaço. Assim que Hélbio Nogueira, 34 anos, conheceu esse novo formato de escritório enxergou nele um grande potencial. Juntou-se a dois sócios e abriu a primeira unidade The Brain, no Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte (SAAN).

A formação acadêmica de Hélbio é na advocacia, mas ele confessa que nunca sentiu paixão pela área. Desde criança, era perceptível sua veia empreendedora. ;Era daqueles que pegava as revistas velhas dos moradores do prédio e vendia;, brinca.

Ele se formou, tirou a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil, mas nunca exerceu a profissão de advogado. Assim que se formou, em 2007, abriu uma empresa de material de acabamento e, a partir daí, surgiram outros empreendimentos.

Em fevereiro de 2017, tinha uma empresa de suco e uma de cachaça, e queria montar uma estrutura só para ambas. ;Em meio a tantas discussões de economia compartilhada, não fazia sentido não unir as empresas em um só local;, explica. Decidiu, então, apostar em um modelo diferente dos outros coworkings brasilienses, juntar a estrutura administrativa de escritórios com uma parte de armazenamento. Abriu a unidade de 2 mil m; no SAAN. O conceito foi bem aceito e, nos próximos 60 dias, o The Brain totalizará quatro unidades na capital.

Hélbio reconhece que esta é uma realidade em ascensão. Apesar de Brasília ter o estigma de ser uma cidade com vocação para o serviço público, ele vê o movimento atual como um momento histórico. ;Assim como Brasília foi a capital do rock nos anos 1980, eu vejo que esse movimento de inovação e empreendedorismo também tende a marcar a história na cidade;, acrescenta. O objetivo do The Brain é ser um dos fomentadores desse ecossistema inovador.

The Brain tinha sido inaugurado havia seis meses quando um amigo em comum apresentou Leandro Santos ao time de sócios. ;Foi uma sinergia muito bacana. Os propósitos dele se alinhavam com os nossos e ele entrou na sociedade;, conta Hélbio. Leandro, 30 anos, se formou em farmácia para integrar o negócio da família, que possui uma rede na capital. Aos poucos, foi crescendo a vontade de sair da zona de conforto e buscar um negócio próprio. Foi quando conheceu o modelo de coworking e se identificou de imediato.

;Administração se aprende na prática;, defende. Ele acredita que apenas na rotina do dia a dia é possível aprender a lidar com todas as burocracias e tributações existentes no país. Leandro define o coworking como um ambiente de trabalho, integração e convivência. Hélbio complementa que é uma plataforma de negócios e não apenas um espaço de trabalho.

Negócios
;Nos Estados Unidos, houve uma transição. Começou como uma alternativa para baratear custo, mas, vendo os negócios que estavam acontecendo lá dentro, hoje é mais caro estar no coworking. As pessoas já entendem isso como um investimento;, observa Hélbio. É comum que as ideias mais inovadoras surjam durante o café ou numa partida de sinuca. Empresas com propostas inovadoras dividem o mesmo espaço dentro do The Brain, como a novidade Rappi e multinacionais como Sanofi e Sodexo.

;Se nós nos enxergarmos como um oásis do empreendedorismo, onde as pessoas vêm para reciclar o seu mindset, pra mim já tá valendo esforço;, garante Leandro. O ex-farmacêutico destaca que esse é o início da quarta revolução industrial e que o profissional que não entender que é preciso pensar além do próprio umbigo vai morrer no quesito empresarial.

Leandro vê como vantagem o delay em relação a outros países. ;O mercado em Brasília é gigantesco, mas ainda é embrionário.; Ele acredita que, nos próximos 15 a 20 anos, o modelo ainda vai existir, porém terá evoluído muito.

Recentemente, abriram as portas da unidade Asa Sul para dar as boas-vindas à ACE ; a maior aceleradora de startups da América Latina. ;É superválido para a gente se cercar de empresas que estejam agindo de forma proativa para alimentar esse ecossistema. Nada melhor do que uma aceleradora desse tamanho;, afirma Hélbio.

Na unidade do Casa Park, que será inaugurada em breve, o The Brain irá abrigar outra aceleradora de renome: a Acceleratus. Hélbio ressalta que, diferentemente do que muitas empresas e pessoas pensam, não basta estar inserido dentro de um ambiente diferente para ser inovador.

O que faz a diferença é estar convivendo com o conteúdo de inovação. ;O que está em voga é muito mais do que o coworking por si só, é o conceito da economia colaborativa. O coworking é um reflexo de um novo padrão de consumo;, aposta Hélbio.




;O que está em voga é muito mais do que o coworking por si só, é o conceito da economia colaborativa. O coworking é um reflexo de um novo padrão de consumo;
Hélbio Nogueira












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