Um ecossistema que só cresce

Um ecossistema que só cresce

Em dois anos de atuação, a Cotidiano fez cinco rodadas de aceleração, selecionando 30 startups entre 1.000 inscritas

Marina Adorno Especial para o Correio
postado em 02/09/2018 00:00
 (foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)

;O ecossistema amadureceu mais. Se, em 2016, a gente fizesse um evento de startups, juntar 40 pessoas era improvável. Hoje, a gente faz eventos para 400 pessoas e tem público;

Wesley Almeida




;Existem dois tipos de empresa: as que encaram aquele problema como uma lição de vida e outras que também buscam a solução para um determinado problema, mas enxergam nele geração de riqueza;
Henrique Guimarães



A vontade e determinação para empreender são um ótimo começo, porém nem sempre são suficientes para um negócio de sucesso. Foi a partir dessa observação, e seguindo uma tendência mundial, que Wesley Almeida, 46 anos, decidiu criar a Cotidiano, uma aceleradora de startups.

Nascido em Brasília, ele não concluiu uma formação acadêmica, mas cursou sistema de informação, direito e química. A relação com a tecnologia começou cedo. Filho de comerciante, ele começou a trabalhar aos 17 anos na Sarmento Computadores ; uma escola de informática. Wesley era instrutor de digitação. ;Na época, isso ainda era considerado uma habilidade;, ironiza.

Em março de 2016, ele e mais três sócios fundaram a Cotidiano. Como sempre trabalharam em empresas de tecnologia, percebiam demandas do mercado que poderiam ser resolvidas por meio da tecnologia e sentiam falta de estar em contato com a área de inovação. ;As startups eram esse suspiro de inovação;, afirma Wesley. O intuito da empresa é encontrar projetos e produtos tecnológicos que possam impactar as pessoas e os mercados.

Mesmo acreditando no potencial do novo negócio e observando a tendência que estava se fortalecendo no mundo inteiro, Wesley conhecia os riscos de criar a Cotidiano. ;Tem que ser muito doido para fazer o que a gente fez. O grau de loucura beira o absurdo, mas fazia sentido. Afinal, Brasília é o terceiro lugar em TI. Por causa dos órgãos governamentais, tem muita gente talentosa na área de tecnologia.;

Seleção
A seleção de startups para passar por um processo de aceleração da Cotidiano ocorre por meio de um formulário de inscrição, disponibilizado semestralmente. Após uma triagem criteriosa, são selecionadas para um processo de monitoria e desenvolvimento que dura 12 semanas. A Cotidiano fez cinco rodadas de aceleração, selecionando 30 startups entre mais de mil inscritas e captando R$ 3 milhões em investimento para as empresas.

No primeiro processo, já receberam um número de inscrições acima do esperado. De 109 inscritas, selecionaram apenas quatro. ;O mercado era bem diferente, já existia outra aceleradora na cidade, mas ela não fazia ciclos de aceleração periódicos;, explica.

Atualmente, a empresa recebe o dobro de inscrições, mas Wesley garante que hoje estão muito mais exigentes. A média de empresas selecionadas varia entre cinco e 10. ;O ecossistema amadureceu mais. Se, em 2016, a gente fizesse um evento de startups, juntar 40 pessoas era improvável. Hoje, a gente faz eventos para 400 pessoas e tem público;, observa o fundador.

Barreiras
A Cotidiano não investe apenas em empresas de Brasília. Startups do país inteiro participam do processo e, curiosamente, as brasilienses ainda são minoria. ;A pessoa talentosa ainda está procurando emprego, não está com um mindset de empreendedorismo;, reconhece.

Outra barreira existente até hoje, segundo Wesley, é que as pessoas que detêm capital são as conservadoras e ainda preferem fazer investimentos em renda fixa. Para um bom ecossistema de inovação é preciso ultrapassar esses dois obstáculos culturais.

Para Henrique Guimarães, 36 anos, o empreendedorismo é um caminho de evolução, que gera mais riqueza, mais empregos e que torna a sociedade mais inteligente e eficiente. Ele é o head de acelerações e um dos sócios da Cotidiano. Henrique afirma ser formado em computação pela Universidade de Brasília e pelas lições diárias do empreendedorismo.

Em 2007, ele fundou uma empresa que foi selecionada para uma aceleração no famoso Vale do Silício ; na Califórnia. A startup foi a primeira do Brasil a receber essa proposta. Entretanto, vendeu a operação da empresa em 2015 e percebeu que estava pronto para viver um novo momento.

Então, começou a compartilhar as falhas e acertos que teve ao longo dessa trajetória, de forma autônoma, com novos empreendedores. ;Eles erram as mesmas coisas. Quando eu consigo apoiar e encontrar boas empresas, que conseguem evitar os erros que eu já cometi e obter sucesso, é muito gratificante", declara.

Henrique não se arrepende de ter passado para o outro lado das startups, afirma ser apaixonado pelo que faz e pretende continuar nesse caminho a vida inteira. ;Existem dois tipos de empresa: as que encaram aquele problema como uma lição de vida e outras que também buscam a solução para um determinado problema, mas enxergam nele geração de riqueza;, garante. Entre os casos de sucesso e que são motivo de orgulho para ele estão a Probono, a Easyglic, a Bike Registrada e a Ribon.
















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