Tecnologia na construção

Tecnologia na construção

Já imaginou imprimir em 3D a casa onde vai morar? Os jovens da Inova House 3D estão trabalhando nisso para você

Gabriela Walker Especial para o Correio
postado em 02/09/2018 00:00
 (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)

;A gente quer construir a primeira casa impressa em 3D do Brasil;
Juliana Martinelli



Aos 26 anos, a estudante de engenharia civil Juliana Martinelli é idealizadora e sócia da startup de impressão digital Inova House 3D. Ela participou da criação da primeira impressora do tipo da América Latina e da primeira impressora capaz de reproduzir moradias da região. A máquina e o material usado por ela ; uma espécie de cimento ainda em fase de testes ; foram desenvolvidos pela jovem equipe da Inova House, formada por quatro engenheiras e dois engenheiros, com idade entre 23 e 26 anos.

A vontade de trabalhar com impressões surgiu em 2014, quando Juliana descobriu uma empresa chinesa que já se especializava na área. O pai da empresária havia sido transferido para o Haiti e ela teve a ideia de usar a tecnologia para ajudar na reconstrução do país caribenho. A importação não foi possível, mas despertou em Juliana o interesse que virou foco de sua carreira.

Em 2015, pouco mais de 10 projetos estudavam o uso de impressoras 3D na construção civil, entre eles, o desenvolvido em Brasília. Hoje, mais de 40 equipes se concentram no desafio ao redor do mundo. ;Éramos os únicos da América Latina, somos pioneiros na região. De forma geral, cresceu muito rápido essa ideia de automatizar o processo construtivo. Por isso, tantas iniciativas têm espaço hoje;, explica Juliana.

Com fomentos da Fundação de Apoio à Pesquisa do DF, a equipe concluiu a construção da impressora em 2017. A terceira e última versão da máquina ficou pronta em junho deste ano e passa por uma fase de aperfeiçoamento de material. ;A gente quer construir a primeira casa impressa em 3D do Brasil. Existem projetos aqui e na América Latina. Então, não sei se vamos conseguir ser os primeiros, mas a primeira casa da Inova House deve sair até o ano que vem;, diz Juliana. ;Estamos pensando nos desafios da tecnologia e da metodologia construtiva.;

Em julho deste ano, uma família de Nantes, na França, se tornou a primeira do mundo a se mudar para uma casa do tipo. A impressão do imóvel levou 54 horas e, em quatro meses, foi concluída com a colocação de portas, janelas e teto. A expectativa é de que, além de acelerar o processo, projetos como o brasileiro provoquem uma redução de 25% nos custos de construção em cinco anos, e de até 40% em 15 anos.

Apesar dos avanços, casas impressas não são vendidas em nenhum lugar do mundo. Juliana explica que a responsabilidade das construtoras vai além do desenvolvimento de tecnologias e exige tempo de observação para garantir a durabilidade e a resistência.

;A tecnologia ainda é nova. Para testá-la, os engenheiros projetam uma casa-modelo, a estudam por um ano e, então, fazem projeções para cinco anos. Observam por cinco anos e fazem projeções para 10. Depois observam por 10 e projetam para 50;, explica. ;Após acompanhar por cinco anos, você consegue fazer projeções maiores e garantir, de certa forma, a durabilidade. Mas são necessários testes de resistência, de parede, de proteção acústica e técnica. É preciso avaliar como fazer acabamento, reformas, como colocar o encanamento e a parte elétrica.;

Pioneirismo
A primeira impressora da Inova foi construída do zero, depois de a primeira formação da equipe participar da Startup Weekend em 2015, evento que promoveu ideias empreendedoras na cidade. ;Um dos mentores nos falou: ;Vocês não acham que conseguem construir uma impressora 3D em casa? A gente nunca nem tinha visto uma;, lembra Juliana. Eles elaboraram um projeto, compraram partes avulsas e conseguiram montar a máquina. ;Vimos que a tecnologia em si não é complexa, a inovação está na utilização.;

Atualmente, a empresa investe em experimentos com materiais e estuda levar a impressora para o Paraná, onde já realizam testes em parceria com laboratórios de construção civil e materiais avançados do Senai. ;A sede administrativa deve continuar em Brasília;, conta Juliana.

Enquanto a produção de imóveis não deslancha, a principal fonte de renda da startup vem de impressões 3D em plástico. Projetos usando argamassa, no entanto, estão em fase de negociação.

Filha de militares, Juliana nasceu no Rio de Janeiro e morou em vários estados, além de ter passado um ano na Colômbia e três nos Estados Unidos, onde descobriu o amor pela engenharia.

Com a formatura estimada para meados do próximo ano, Juliana faz planos para expandir sua área de atuação no mercado da cidade. ;Brasília é uma cidade nova, que tem formas diferentes e incentiva a criatividade. Meu TCC (trabalho de conclusão de curso) é na área de cidades inteligentes. Acho que Brasília pode se tornar um berço de projetos assim.;














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