Um hospital que nunca termina

Um hospital que nunca termina

postado em 09/09/2018 00:00
 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

Há 18 anos, o município goiano de Santo Antônio do Descoberto, distante 46km de Brasília, assistiu ao início das obras do Hospital de Urgências. Em 2000, a prefeitura começou a empreitada. Em 2004, foi paralisada. A retomada aconteceu dois anos depois, também pela administração municipal. No fim de 2008, a construção acabou sendo novamente interrompida. Até hoje, o hospital não ficou pronto. Os 73 mil moradores da cidade dependem de outra unidade, que funciona com dificuldades: o Hospital Municipal Dom Luiz Fernandes.

A estudante Bruna da Silva Barros, 21 anos, era criança quando a construção começou. Hoje, o filho dela, José Pedro, de 3 meses, fica sem opção de atendimento quando adoece. ;Dá uma sensação de revolta ver aquela estrutura parada, com desperdício de dinheiro, enquanto ele precisa de pediatra e aqui não tem;, reclama.

Na última semana, ela esteve no Hospital Municipal Dom Luiz Fernandes. A criança estava doente, mas ainda não tinha recebido diagnóstico. ;Esse tipo de caso demonstra como o governo trata a saúde pública. Não existe o menor respeito, preocupação, organização e planejamento para manter o serviço;, critica a jovem.

O empreendimento abandonado, fruto de uma parceria entre as três esferas de governo, contempla 97 leitos para internação e 127 de unidade de terapia intensiva (UTI). Existem dois procedimentos no Ministério Público de Goiás (MPGO), um na Promotoria de Saúde e outro na de Patrimônio Público, que apuram as pendências em relação à construção. A conclusão da obra custará R$ 15,4 milhões. Até agora, os cofres públicos desembolsaram R$ 9 milhões para erguer o hospital.

Em 2014, a Secretaria do Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) assumiu, junto ao Ministério da Saúde, a responsabilidade pela conclusão e administração da unidade. As obras teriam sido reiniciadas em abril deste ano. Contudo, o Correio esteve no local e não havia movimentação. O que se vê é mato alto, materiais amontoados e sinais de deterioração no pouco que foi construído. Um vigilante confirmou que a empreitada está parada há três meses.

O governo rebate. ;Até o momento, a secretaria executou 6% das obras da etapa de conclusão (quando o Estado assumiu o hospital, havia sido executados cerca de 55% do projeto). Nesses 6% estão incluídas: a estação de tratamento, a adequação às normas sanitárias, e as instalações elétricas, de ar-condicionado e de cobertura;, conclui, em nota, a Secretaria de Saúde de Goiás. A nova previsão de funcionamento é setembro de 2019. (OA)

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