Ódio versus democracia

Ódio versus democracia

Ana Dubeux anadubeux.df@dabr.com.br
postado em 09/09/2018 00:00

A principal ameaça à nossa democracia é o ódio. O atentado contra o candidato do PSL à presidência da República Jair Bolsonaro, líder nas pesquisas de opinião em um cenário sem Lula, é a prova inconteste disso. A questão que nos convida à reflexão é: o que, afinal, alimenta tamanho ódio?

Não há justificativa para a violência. Sabemos todos do tamanho dos problemas brasileiros. Da intolerância em relação à diversidade de opiniões, do processo de corrupção desenfreado, da omissão dos políticos em relação aos anseios da população, da imensa desigualdade social. Há um fomento diário aos nossos piores sentimentos pelas redes sociais ; alimentado também por fake news. Isoladamente, nada disso pode ser razão para um ato tresloucado de um indivíduo. Mas, em conjunto, são um fermento poderoso para um bolo de raiva que só cresce.

A discussão que se impôs imediatamente ao ataque contra Bolsonaro foi o reflexo na eleição. Há quem jure que o candidato, vítima de crime de ódio, já virou mártir e teve sua chance de vitória na eleição ampliada a níveis estratosféricos. Talvez.

As análises políticas e imediatistas do fato são naturais, assim como os incontáveis memes infames, que se tornaram termômetros do amor e do ódio via web. Mas será que não simplificamos demais um ato que abala, antes de tudo, a nossa democracia? Há um balanço social a ser feito. Há causas antes de efeitos. Há uma análise mais profunda a se considerar.

Uma campanha política deveria ser um momento de discutir propostas, avaliar programas e plataformas. Os estrategistas de campanha dos próprios candidatos têm sua parcela de contribuição para desviar eleitores do que realmente importa. Frequentemente, desconstroem o outro e impõem verdades pessoais, morais e dogmáticas como soluções para problemas históricos e coletivos do Brasil.

Repito: nada justifica o ataque contra Bolsonaro, a não ser o radicalismo que hoje impera no Brasil como discurso. O atentado contra ele prova que nós, como sociedade, estamos indo na direção errada. O caminho é a paz. E os prejudicados com este ataque somos todos nós.

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