Crônica da Cidade

Crônica da Cidade

por Severino Francisco >> severinofrancisco.df@dabr.com.br
postado em 09/09/2018 00:00
Pacificação do Brasil

O ato de barbárie que atingiu Jair Bolsonaro em Juiz de Fora é filho da impunidade e da intolerância. Em abril, a caravana de Lula foi recebida com xingamentos, pedradas e tiros no Paraná. Ficou por isso mesmo. A polícia desdenhou a agressão. Bolsonaro ridicularizou e afirmou que o PT havia forjado o atentado.

Naquele momento, todos os candidatos deveriam se aliar contra a violência. Se em todas as situações, os autores fossem identificados pela polícia e punidos, os meliantes pensariam duas vezes antes de cometer atrocidades. No entanto, a impunidade estimula a reiteração do desrespeito e a audácia das hostilidades.

Quanto a Bolsonaro, ele ofende as mulheres, os negros, os indígenas, os homossexuais e faz apologia da tortura. Alçou o general Ustra, célebre torturador do regime militar de 1964, à condição de ;herói;. Como se sabe, a tortura é crime hediondo, é crime contra a humanidade. A elite militar mudou os currículos dos cursos de formação e fez uma autocrítica em relação ao golpe de 1964. Mesmo assim, a Comissão de Ética da Câmara, a justiça eleitoral e o Ministério Público se omitiram.

Bolsonaro afrontou e afronta os direitos humanos reiteradamente. Sob o argumento da imunidade parlamentar, alguns juízes esvaziaram a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Bolsonaro por racismo.

Uma interpretação equivocada. A imunidade parlamentar tinha o intuito de proteger de sanções os parlamentares que se opunham ao regime militar. Mas vivemos uma situação inteiramente distinta.

A imunidade parlamentar não confere o direito de fazer a apologia do racismo, da tortura e da violência. Fere o estado de direito. A ação da PGR entrou com ação no STF contra o racismo, mas o julgamento foi interrompido porque um dos ministros pediu vistas do processo.

O STF deveria punir todos os que ferem os direitos humanos e estabelecer um marco de civilidade nas relações políticas. Os problemas de segurança pública não serão resolvidos com a violência dos cidadãos armados.

Se a classe política legisla e governa de costas para os interesses populares, que ela seja substituída pelo voto. O Brasil precisa ser pacificado a partir dos valores dos direitos humanos, da educação, da cultura e da redução das desigualdades sociais.
Não é possível que esse atentado não provoque reflexão.





Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação