Como ampliar a inovação da indústria farmacêutica

Como ampliar a inovação da indústria farmacêutica

» REGINALDO ARCURI Graduado em direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora e com especialização em história do Brasil pela Universidade Federal Fluminense, é presidente executivo do Grupo FarmaBrasil
postado em 14/09/2018 00:00
A indústria farmacêutica brasileira ampliou, nos últimos anos, a participação no mercado doméstico, além de manter forte presença no exterior. As empresas deram início a um processo de globalização de suas atividades e fornecem medicamentos hoje para 23 países, por meio de produção própria, parcerias ou exportações. Mas sem deixar de lado o mercado nacional. Além disso, as indústrias farmacêuticas do país, diante de uma concorrência crescente, têm aumentado os gastos com pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias e buscam cada vez mais transparência em suas atividades.

Mesmo com as medidas protecionistas recentes adotadas pelos Estados Unidos, na gestão de Donald Trump, que criou uma reserva de mercado em alguns segmentos, o país americano é hoje um dos destinos principais do setor farmacêutico brasileiro. Mas ainda há dificuldades para que a indústria farmacêutica nacional possa aumentar os investimentos em pesquisa e inovação, um de seus focos principais, com o objetivo de ampliar o acesso da população a medicamentos modernos e de qualidade. Um dos principais problemas é falta de estabilidade regulatória e insegurança jurídica, que inibe novos investimentos e afeta as decisões. Essa questão não é novidade no Brasil e atinge vários segmentos da atividade econômica.

Para os laboratórios do país, uma das providências mais importantes, que podem contribuir para um cenário de mais estabilidade, é a agilidade na liberação do registro de medicamentos. Só assim os brasileiros terão acesso mais rapidamente a medicamentos inovadores. Embora também atuem no exterior, o foco dos laboratórios que integram o Grupo FarmaBrasil (GFB) é o Brasil. As empresas farmacêuticas nacionais definiram que a pesquisa e inovação ajudam o país a ser competitivo em uma área que pode contribuir para melhorar a qualidade de vida das pessoas hoje e nos próximos anos.

Vale destacar o esforço empreendido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2017 para reduzir a fila de registro de novos medicamentos. Há necessidade, porém, de diminuir ainda mais.A crise financeira global, cujos efeitos ainda estão presentes na economia de diversos países, trouxe outro desafio: aumentou a pressão sobre todos os participantes do setor farmacêutico por redução de custos. Esse esforço vem sendo efeito.

Em média, as empresas associadas ao GFB investem anualmente 8,2% do seu faturamento em P (Pesquisa e Desenvolvimento). No ano passado, o faturamento dessas empresas ficou em aproximadamente R$ 17 bilhões. Quem ganha com os investimentos em pesquisa e nova tecnologias é a sociedade brasileira. Um exemplo desse benefício são a PDPs (Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo).

As parcerias ampliam o acesso a medicamentos e viabilizam as transferências de tecnologia entre laboratórios privados e públicos. Atualmente, o Ministério da Saúde tem 100 parcerias vigentes com 14 laboratórios públicos e 38 privados. Os acordos mais recentes foram assinados em abril para a produção de 11 medicamentos sintéticos e cinco biológicos, para o tratamento de doenças como hepatite C, câncer, artrite reumatoide e HIV pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

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