Mais um bispo investigado

Mais um bispo investigado

No dia em que recebeu no Vaticano a cúpula da Igreja Católica dos Estados Unidos, o papa Francisco aceitou a renúncia do titular da diocese de Wheeling-Charleston, Michael Bransfield, acusado de assediar adultos

postado em 14/09/2018 00:00
 (foto: AFP)
(foto: AFP)


O papa Francisco aceitou ontem o pedido de renúncia do bispo de Wheeling-Charleston, Michael Bransfield, 75 anos, acusado de ;assédio sexual a adultos;, e ordenou a abertura de investigação sobre o caso. O anúncio foi feito enquanto o pontífice recebia, no Vaticano, quatro integrantes da cúpula da Conferência Episcopal dos Estados Unidos (USCCB). A audiência foi solicitada pelo presidente da entidade, o cardeal Daniel DiNardo, interessado em tratar de uma acusação de acobertamento feita contra o papa por um ex-embaixador da Santa Sé em Washington.

Bransfield, que começou a carreira como padre na arquidiocese da Filadélfia, foi nomeado bispo de Wheeling-Charleston em 2005. Em 2012, foi acusado de abusar sexualmente de 10 crianças, no fim dos anos 1970 e começo dos 1980. Também foi citado como autor de outras violações, em períodos posteriores, mas negou as acusações. O Vaticano informou que o papa nomeou o arcebispo William Lori, de Baltimore, para comandar interinamente a diocese de Wheeling-Charleston até a nomeação de um novo titular.

O site da arquidiocese de Baltimore divulgou a informação de que Francisco instruiu o arcebispo Lori a iniciar uma investigação sobre as alegações de assédio sexual de Bransfield contra adultos. ;Minha preocupação principal é o cuidado e o apoio aos padres e às pessoas da diocese de Wheeling-Charleston neste momento difícil;, disse Lori em um comunicado.

Ele promete ;conduzir uma investigação minuciosa em busca da verdade sobre as alegações perturbadoras contra o bispo Bransfield e trabalhar estreitamente com o clero, com os líderes religiosos e laicos da diocese, até a indicação de um novo bispo;. Como medida complementar, foi disponibilizada uma linha telefônica para receber informações úteis ao esclarecimento dos casos.

Escândalos

O papa recebeu a cúpula da Igreja americana um dia depois de convocar os presidentes das conferências episcopais de todo o mundo para uma reunião na Santa Sé, entre 21 e 24 de fevereiro, com o objetivo de abordar a ;proteção de menores; contra os abusos sexuais. Participaram da audiência o presidente da USCCB, cardeal Daniel DiNardo; o vice-presidente, arcebispo José Horacio Gómez; o secretário-geral, bispo Brian Bransfield (primo do bispo renunciante); e o arcebispo de Boston, Sean O;Malley, presidente da Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores e conselheiro próximo de Francisco.

O tema central pauta do encontro foi uma carta aberta divulgada há três semanas pelo ex-embaixador da Santa Sé em Washington, Carlo Maria Vigano, em que ele pedia que o papa renunciasse e o acusava de ter acobertado o cardeal americano Theodore McCarrick, apontado como abusador de seminaristas e clérigos. Ex-arcebispo de Washington, McCarrick teve o pedido de renúncia aceito por Francisco em julho, após cumprir suspensão.

A Igreja Católica sofre profundo abalo por uma avalanche de revelações de crimes de pedofilia e outros tipos de abusos sexuais cometidos por sacerdotes ; um escândalo que o monsenhor Georg G;nswein, secretário do papa emérito Bento XVI, classificou como ;o 11 de setembro; da Igreja. Um dos episódios mais devastadores foi a divulgação, em agosto, de um extenso relatório do grande júri da Pensilvânia, nos EUA, que aponta o envolvimento de 300 sacerdotes em crimes cometidos contra mais de mil menores, ao longo de 70 anos.

Na última quarta-feira, enquanto era anunciada no Vaticano a convocação da reunião extraordinária com os presidentes das conferências episcopais, a imprensa alemã antecipou o conteúdo de um estudo realizado no país há quatro anos, por iniciativa dos bispos. O relatório final, que será apresentado no fim do mês em conferência nacional do episcopado, contabiliza mais de 3.600 menores vítimas de abusos praticados por 1.600 sacerdotes entre 1946 e 2014.


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