Ativista é vítima de intoxicação

Ativista é vítima de intoxicação

postado em 14/09/2018 00:00
 (foto: Vasily Maximov/AFP - 31/7/18 )
(foto: Vasily Maximov/AFP - 31/7/18 )


Acusado pelo Reino Unido de tentar assassinar o ex-espião Sergei Skripal com um agente químico de uso militar, usado em uma cidade inglesa, o governo da Rússia se viu ontem sob suspeita no possível envenenamento de um ativista contra o autoritarismo. Piotr Verzilov, um dos quatro membros do grupo Pussy Riot que invadiram o campo durante a final da Copa do Mundo, em Moscou, em julho, foi hospitalizado em estado grave, com intoxicação, dois dias depois de ter assistido a uma audiência do julgamento da namorada, Veronika Nikulchina, acusada de ;desobediência;.

;Não descarto a possibilidade de uma intervenção externa;, disse Veronika, que levantou a suspeita de que o namorado tenha sido envenenado. ;Os médicos dizem que a situação é grave, mas não divulgam mais informações;, queixou-se. Segundo ela relatou à Rádio Eco, de Moscou, Verzilov manifestou os primeiros sintomas horas depois de deixar a Corte. ;Durante a tarde, ele começou a passar mal. Perdeu a visão. Depois não conseguia mais falar e não me reconhecia.; A ativista estava com o namorado e mais dois integrantes do Pussy Riot na invasão de campo no estádio Luzhniki, onde a França conquistou a Copa com a vitória sobre a Croácia. Eles cumpriram sentença de 15 dias de prisão.

Piotr Verzilov é o fundador do site MediaZona, que informa sobre os julgamentos de ativistas dos direitos humanos na Rússia. Recentemente trabalhava em um filme com Alexander Rastorguyev, morto em agosto, ao lado de outros dois jornalistas, na República Centro-Africana, onde investigavam a presença de mercenários russos.

O ativista intoxicado tem cidadania canadense, e a notícia do possível envenenamento provocou reação imediata do primeiro-ministro Justis Trudeau. ;Nossos responsáveis consulares entraram em contato com o estabelecimento médico onde ele está sendo atendido;, disse Trudeau à imprensa durante viagem ao oeste do país. O governante se disse ;preocupado; e relacionou o incidente ao ataque contra o ex-agente Skripal, pelo qual o governo britânico acusa dois oficiais da inteligência militar russa. ;É uma situação preocupante, sobretudo por conta das atitudes tomadas pelos russos nos últimos meses, no Reino Unido.;

Represálias

Os Estados Unidos planejam um novo conjunto de ;severas; sanções contra a Rússia pelo caso Skripal, anunciou a secretária de Estado adjunta Manisha Singh. Em uma audiência no Congresso, ela afirmou que Moscou não aceitou a demanda de prestar informações transparentes sobre a produção do agente neurotóxico Novichok, identificado no envenenamento do ex-espião e da filha, Yulia, na cidade inglesa de Salisbury, em março. Os dois sobreviveram, mas três meses depois um novo caso de contaminação, considerado acidental, levou à morte uma cidadã britânica. Na reação imediata ao caso Skripal, os EUA se somaram a dezenas de governos aliados que expulsaram diplomatas russos ; ao todo, mais de uma centena.


"Ele começou a passar mal. Perdeu a visão. Depois não conseguia mais falar e não me reconhecia;
Veronika Nikulchina, namorada de Verzilov e integrante do grupo Pussy Riot



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