360 graus

360 graus

Jane Godoy %u2022 janegodoy.df@dabr.com.br
postado em 14/09/2018 00:00
 (foto: Edy Amaro/Esp. CB/D.A Press - 14/8/18)
(foto: Edy Amaro/Esp. CB/D.A Press - 14/8/18)
Descobrindo gente que faz...

há quatro anos criamos o grupo Mulheres de Brasília, batizado com um nome que nos projeta por toda a nossa capital, aspergindo nossa vontade de ajudar, de praticar a nossa generosidade e a vontade de vermos, à nossa volta, a melhoria das condições humanas e psicológicas de tantas e tantas pessoas carentes, a quem podemos ajudar e com quem temos tanto a aprender.

Depois de nos dedicarmos às descobertas de situações e comunidades nunca antes imaginadas, fomos descobrindo que, espalhadas por este mundo de Deus, existem pessoas tão maravilhosas e capazes de realizar tantas coisas, agir com tanta presteza e sabedoria, que nos leva a duvidar do que se nos apresenta à frente. Por essas andanças, então, descobrimos uma mulher simples, aparentemente frágil e retraída, mas que se agiganta diante de qualquer circunstância adversa ou situação de risco: Ana Claudia de Lima.

Brasiliense nata

Nascida em Brasília, Ana Cláudia não teve, ao longo da vida, tempo e disponibilidade para ultrapassar a sétima série na escola. As circunstâncias e o desenrolar de sua existência fizeram com que ela fosse parar na Cidade Estrutural há 10 anos.

Observando a postura e a desenvoltura com que a jovem senhora circula naquele meio e impõe sua presença de forma segura e altiva, me lembrei do que disse o inesquecível cineasta e ator dos tempos do cinema mudo Charles Chaplin: ;Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e vencer com ousadia, pois o triunfo pertence a quem se atreve e a vida é muita para ser insignificante;.

;Conheci a catação por causa dos meus irmãos. Depois, eles saíram e eu continuei indo pro lixão;, revela. Ana Claudia é veterana na catação do lixo do então lixão da Estrutural. Com humildade, muita disposição e determinação, grandes objetivos e projetos na cabeça, ela soube transformar aquilo tudo numa fonte de renda digna, resultado de muito trabalho e renúncia ; mesmo depois que os irmãos deixaram de ser catadores, ela continuou lá.

Disputando aquele espaço com os companheiros de luta, ela não desistiu. Cresceu como catadora, como amiga, já que não dava para viver ali sem almejar algo melhor para ela e para todos.

A líder
Aos poucos a figura da mulher simples e tímida começou a se esboçar cada vez mais corajosa e determinada, até que, de forma natural e esperada pelos companheiros de luta, a imagem da mulher forte começou a se delinear no horizonte da comunidade em que vive. ;Meu trabalho é representar os catadores perante o governo e a sociedade, correndo atrás de benefícios para a categoria. Tenho uma equipe que me ajuda;, informa. A comunidade assistiu, então, ao surgimento da Associação Ambiente, que ela preside. ;Me candidatei, formei uma chapa para concorrer. Venci e aqui estou; conta.

;A Associação funciona desde 2013. Tenho uma diretoria e 300 associados;, contabiliza. Os comandados aceitam bem a posição de uma mulher no comando, a respeitam, ;mas enfrento muitos confrontos, por parte deles. Nada que uma boa conversa não resolva;.

;Os catadores não foram para o aterro sanitário que foi inaugurado porque lá não é permitida a entrada de pessoas para a catação. Hoje, nossa associação foi contratado pelo SLU para triagem dos materiais recicláveis. Alugamos um galpão na Ceilândia e lá o governo manda coletas regularmente. É daí que tiramos o nosso sustento. Nós separamos o material do lixo, tiramos os pets, papelão, papel branco e vários outros materiais. Vendemos tudo e é feito um rateio por igual para todos os associados; ensina.

Uma gente absurdamente necessária e indispensável para toda a comunidade que, além de ajudar no sustento de suas famílias, preserva o meio ambiente e a natureza, contribuindo, com seu humilde trabalho, para a saúde e o bem-estar das gerações futuras. Merecem todo o nosso respeito e admiração.

2013
Ano em que foi fundada a associação dos catadores

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