Violência

Violência

Funcionário de carreira do MRE, Renato Ávila Viana, já havia respondido a três processos administrativos disciplinares e tinha sido condenado por agredir uma mulher. Nesta semana, envolveu-se em caso de violência contra a namorada

» VERA BATISTA
postado em 21/09/2018 00:00

Após responder a três processos administrativos disciplinares e ter sido condenado por agressão contra uma mulher, o diplomata Renato Ávila Viana, 41 anos, foi demitido do cargo de primeiro-secretário do Ministério de Relações Exteriores (MRE). A demissão foi publicada, ontem no Diário Oficial da União, após ele ter sido acusado de ter agredido a namorada, na última terça-feira, no apartamento funcional que ocupa na Quadra 304 Norte. O diplomata chegou a ser detido pela polícia, mas pagou fiança e foi posto em liberdade.

Os casos de violência do servidor acontecem há mais de uma década e foram investigados pela Corregedoria do Serviço Exterior do Itamaraty. O primeiro processo foi aberto em 2002. À época, Viana, que conta 19 anos de serviço público, respondeu por supostos ataques a uma terceira secretária do MRE. O processo foi arquivado, com a recomendação de que o diplomata deveria controlar emoções e impulsos.

No ano seguinte, ele se envolveu em uma briga com uma namorada brasileira e recebeu uma facada na mão. Em outra sindicância, em 2006, ganhou somente uma advertência após ser acusado de praticar violência contra uma paraguaia. Outro processo se iniciou em 2014 e se estendeu até 2015. Em 2014, ele prestou esclarecimentos por agressão verbal a colegas após um jogo do Brasil na Copa do Mundo. Como resultado, ficou 10 dias afastado das funções.

No mesmo processo, mas já em 2015, a Embaixada do Brasil em Caracas recebeu de uma venezuelana denúncias de ameaças, maus-tratos psicológicos e tentativa de sequestro. A Corregedoria não encontrou provas suficientes. Em 2016, Viana teve de dar explicações à polícia sobre suposto cárcere privado. Uma mulher de 60 anos acusava o diplomata de manter presa a filha, de 35, que tinha problemas psiquiátricos. No final daquele ano, ele brigou com outra namorada, de 22 anos, em um motel de Brasília.

Como a jovem se recusava a retomar a relação, ele a agarrou pelos seios e a deixou com hematomas nos braços, pernas e pescoço ; confirmados por laudo do Instituto Médico Legal (IML). No mês seguinte, em dezembro, agrediu a mesma mulher com chutes e cabeçadas, diante dos funcionários do motel, testemunhas no processo. Ela perdeu os dentes e entrou na Justiça, em janeiro de 2017, pedindo que Viana arcasse com as despesas do tratamento, de R$ 56 mil. Foi ajudada por servidoras do Itamaraty. O diplomata foi condenado.

Para demitir Renato Viana, o MRE usou como base o Estatuto do Servidor, a Lei de Improbidade Administrativa e a lei que rege a carreiras diplomáticas, medida ;absolutamente correta;, de acordo com especialistas consultados pelo Correio. A advogada do servidor, Dênia Érica Gomes Magalhães disse que vai recorrer. ;A Lei de Improbidade Administrativa não abarca fatos ocorridos fora do local de trabalho;, argumentou. ;Ele sofre perseguição há tempos, porque fez denúncias de lavagem de dinheiro na Venezuela e entrou com uma representação no Ministério Público contra o próprio Itamaraty, contestando os critérios de promoção.;

Dênia afirmou que a perseguição é clara, já que ;uma diplomata que quebrou o nariz da sogra não teve o mesmo tratamento;. Apesar da condenação na Justiça pelo crime de violência contra a moça que perdeu os dentes, a advogada destacou que seu cliente alega que estava se defendendo. Quanto ao escândalo da última terça-feira, ;não houve violência doméstica, fato que a própria Rafaela (sic) negou;. Segundo Dênia, ;Renato não aparece para dar sua versão porque o processo corre em segredo de Justiça;.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação