Vitória sobre o preconceito

Vitória sobre o preconceito

postado em 21/09/2018 00:00
 (foto: Bruno Santa Rita/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Bruno Santa Rita/Esp. CB/D.A Press)


O Brasil ainda tem um longo caminho para seguir em relação à inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho e na sociedade. A luta incessante dos PcDs para se firmar nas empresas, no entanto, deu resultado para algumas pessoas. Histórias comprovam que a competência e a perseverança garantiram boas experiências no trabalho. Caso da Irene Soares Andrade, de 51 anos. Hoje, a cadeirante é gerente de Controladoria e Finanças no shopping Conjunto Nacional. Trabalha na empresa há 25 anos e disse não ter do que reclamar.

;Até os 19 anos, eu só estudava. Pela manhã, fazia o curso de pedagogia, e à noite, contabilidade;, afirmou. Irene entendeu que seria necessário ter estudo para conseguir uma boa posição no mercado de trabalho. Em 1986, ela veio para Brasília. O objetivo era começar a trabalhar e terminar os estudos. O primeiro emprego que conseguiu foi uma indicação do irmão. ;As pessoas eram colaborativas. Foi uma boa experiência;, atestou.

As boas relações criadas no primeiro emprego garantiriam para Irene uma vaga no shopping. Uma das antigas colegas de trabalho passou a ter um cargo de chefia na empresa e decidiu convidá-la para assumir uma vaga na área de finanças. ;Foi aí que eu fui para o Conjunto. Passei por várias etapas lá até chegar onde estou. Fui assistente financeira por um ano. Depois, vieram outras oportunidades na área: analista, coordenadora. Agora, enfim, me tornei gerente de controladoria e finanças;, explicou.

Irene afirmou que ainda há um caminho muito longo para ser seguido. Ela mesma se considera uma exceção em meio às dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência. ;Acho que tem de se acreditar que todo mundo é capaz, independentemente das diferenças;, considerou.

Rejeição


Ronilda Vieira Lopes, 31, recepcionista do mesmo shopping, também tem uma boa experiência no mercado de trabalho. Porém, não foi de primeira. Formada em direito e fazendo curso de pós-graduação em direito tributário, a rejeição vinha quando os empregadores sabiam da deficiência auditiva dela. ;Tive muita dificuldade para achar emprego, mesmo depois de formada;, lamentou. Porém, portas se abriram. Ela viu o anúncio no site do shopping e decidiu se inscrever. ;Eu me candidatei para assistente de atendimento;, disse. Ela explicou, no entanto, que houve um problema na comunicação. ;Quando cheguei lá, o teste era para assistente de limpeza;, contou. Mesmo assim, o atendimento a Ronilda foi bom. A entrevistaram para a vaga pretendida e, no fim do processo, a contrataram. ;Eu me senti acolhida. Depois de contratada, também;, lembrou.

Ronilda disse que não desistiu do sonho de advogar. ;Existem muitos deficientes qualificados em Brasília. É necessário dar mais inclusão para essas pessoas. Isso é uma barreira que temos de vencer;, afirmou.

;Gente como a gente;

O caminho de Gabriela Olívia Santos Chaves, 24, foi diferente. Para entrar no mercado e conseguir um emprego onde as pessoas a respeitassem, ela precisou mostrar que é uma pessoa normal, ;gente como a gente;. ;Oficialmente, minha primeira experiência profissional foi como estagiária. Antes disso, fui rejeitada em alguns empregos que tentei em lojas de shoppings, como vendedora;, disse. Segundo contou, os empregadores costumavam entender que ela não seria capaz de assumir certas funções devido à amputação do braço direito por causa de um câncer na infância. ;Então, eu decidi que precisava naturalizar isso. Eu levo uma vida normal e me adapto a qualquer coisa;, explicou.

Hoje, Gabriela trabalha na central de atendimento virtual do Centro Universitário de Brasília (UniCeub). ;Aqui é tudo ótimo. As pessoas com quem eu trabalho são muito boas. Nunca me trataram diferente pela minha deficiência. Ninguém fica perguntando sobre, é todo mundo acostumado e não tem aquela superatenção em cima de mim;, constatou.


"Acho que tem de se acreditar que todo mundo é capaz, independentemente das diferenças;
Irene Soares Andrade, cadeirante, funcionária de um shopping há 25 anos



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