Fraude no ponto da Agricultura

Fraude no ponto da Agricultura

» Renato Souza
postado em 21/09/2018 00:00
 (foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press - 23/9/15)
(foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press - 23/9/15)


Ao adotar um programa de compliance, que criou um sistema de regras e boas práticas focado no combate a atos de corrupção, o Ministério da Agricultura flagrou 40 servidores que chegavam ao trabalho, batiam ponto e iam embora, sem cumprir a carga horária estabelecida. A investigação interna começou depois de algumas denúncias e a pasta resolveu cruzar os dados das catracas com o das folhas de ponto. Os registros mostraram que os envolvidos cruzaram as catracas de saída do prédio, minutos após baterem o ponto, e não retornavam mais ao local de trabalho.

O programa para identificar áreas vulneráveis à corrupção foi adotado após a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, que identificou um esquema de fraude na fiscalização de frigoríficos e a venda de carne estragada por algumas empresas. Os responsáveis pela fiscalização de pessoal adotaram a prática de sempre confrontar os dados do ponto com o registrado pelas catracas. Os casos de ausência no trabalho se repetiram por vários dias sempre envolvendo as mesmas pessoas, o que levantou suspeitas das equipes.

As saídas para viagens a trabalho em horário de expediente também são registradas nas catracas, mas como foram informadas para os gestores de cada área, não resultaram em suspeitas. Os funcionários com o comportamento considerado incomum estão sendo ouvidos. Alguns alegaram que saíram para reuniões em outros órgãos de governo, como em ministérios na própria Esplanada. Em nota, o Ministério da Agricultura informou que ;no caso de ausências injustificadas, funcionários serão ouvidos na Corregedoria do ministério. E não havendo motivação aceitável, serão abertos procedimentos administrativos;.

De acordo com a legislação, as diligências não podem ultrapassar 30 dias. Se for comprovada a fraude, após processo administrativo disciplinar, os casos serão enviados ao Ministério Público, que pode denunciar os envolvidos e solicitar abertura de ação penal. Ao final do processo, os participantes dos atos ilegais podem ser demitidos do serviço público. O órgão atualmente tem 25 mil servidores e deve continuar avaliando possíveis irregularidades em outros setores.

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