Sem acordo para "divórcio"

Sem acordo para "divórcio"

Governantes do bloco rejeitam proposta e Londres admite completar a saída sem entendimento sobre as relações futuras

postado em 21/09/2018 00:00
 (foto: Christof Stache/AFP)
(foto: Christof Stache/AFP)


A reunião de cúpula informal entre governantes da União Europeia (UE) convocada para discutir os termos para a saída do Reino Unido (o Brexit) terminou ontem sem acordo e com um pedido ;quase unânime; para que o país submeta novamente a referendo a decisão tomada pelos eleitores em 2017. Após o encerramento do encontro, em Salzburgo (Áustria), líderes do bloco pressionaram a primeira-ministra britânica, Theresa May, para que chegue a um acordo sobre o ;divórcio; com os negociadores da UE até outubro, para evitar mais desgastes nas complexas negociações. Eles rejeitaram as propostas da premiê para um ;Brexit suave e gradual;, e criticaram as soluções apresentadas para dois importantes obstáculos: a futura relação comercial com Londres e o destino da fronteira entre a Irlanda do Norte ; província do Reino Unido ; e a República da Irlanda, que é membro da UE.

O presidente francês, Emmanuel Macron, classificou a proposta de May como ;inaceitável; e enviou uma mensagem aos parceiros: ;Aqueles que explicam que (os britânicos) podem facilmente viver sem a Europa, que tudo vai ficar bem e que isso vai levar muito dinheiro para casa são mentirosos;.

A ;quase unanimidade; dos governos do bloco decidiu mergulhar na controvérsia. Agora, a maioria defende a necessidade de que o Reino Unido realize uma nova consulta popular sobre o Brexit, conforme adiantou o primeiro-ministro de Malta, Joseph Muscat, em entrevista à emissora britânica BBC. ;Há unanimidade ou quase, em torno da mesa, sobre aquilo que gostaríamos de ver, mas que parece quase impossível: um outro referendo no Reino Unido;, disse. Muscat ecoou a proposta feita no domingo pelo prefeito de Londres, Sadiq Khan, em artigo publicado no jornal The Observer.

Durante a cúpula de Salzburgo, a premiê britânica apelou por um compromisso que evite uma saída conflituosa. Ela admite, porém, que a possibilidade de que se chegue a fevereiro ; a data fixada para efetivar a separação ; sem um acordo final entre as partes não é um cenário totalmente descartável. Grande parte dos interlocutores, no entanto, não acredita que essa seja uma ameaça a ser levada a sério. Segundo a premiê, em conversa com jornalistas, os líderes europeus utilizaram ;táticas de negociação; contra ela.

;Se não houver consenso sobre um acordo que seja aceitável para o Reino Unido, então vamos nos preparar para uma situação sem acordo;, disse May após a reunião do bloco. ;Eu sempre disse que as negociações seriam duras. E que, em vários momentos, táticas seriam usadas como parte dessas negociações;, acrescentou.

Um dos desafios para o acerto envolve a fronteira entre a República da Irlanda e a província britânica da Irlanda do Norte. Como ambas dividem uma ilha, a saída britânica da UE demandaria controles e verificações na fronteira ; que seria a única terrestre entre UE e Reino Unido. Outro fator complicador é a existência de diferentes regras de comércio para as duas Irlandas. Há o temor de que isso realimente as tensões na Irlanda do Norte entre partidários do domínio britânico (protestantes) e separatistas (católicos). A questão motivou três décadas de violência político-religiosa, até o acordo de paz firmado em 1998.

A proposta de May para um Brexit ;suave e gradual; prevê acordo especial sobre comércio e tarifas, a ser negociado durante um período transitório de 20 meses, para buscar uma situação mais branda na fronteira irlandesa, evitando verificações intrusivas de mercadorias. Nessa linha, apenas a Irlanda do Norte permaneceria dentro do mercado único europeu.. A ideia, no entanto, é rechaçada pelos governantes da UE.

;Se não houver consenso sobre um acordo que seja aceitável para o Reino Unido, então vamos nos preparar para uma situação sem acordo;


Theresa May, primeira-ministra do Reino Unido

Teste psiquiátrico para líder direitista
A líder da extrema direita francesa e candidata derrotada à Presidência em 2017, Marine Le Pen, protestou ontem contra uma ordem judicial para que se submeta a um exame psiquiátrico, por ter postado no Twitter, em 2015, imagens de execuções cometidas pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI). ;Por ter denunciado os horrores do Daesh (sigla da organização terrorista, em árabe), a ;justiça; me submete a exame psiquiátrico!”, tuitou Le Pen. ;Isso é realmente alucinante. Esse regime começa verdadeiramente a dar medo.; A ordem, emitida pelo juiz na última terça-feira, diz que o teste tem por objetivo verificar se a dirigente do partido Reunião Nacional (antiga Frente Nacional) ;é capaz de responder perguntas ou apresenta anomalias mentais;.


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