DNA de artilheiro

DNA de artilheiro

Ele nasceu no DF, passou pela base do Gama, comemora gols de forma inusitada e diz que a mulher dele o resgatou para o futebol. Conheça Lucão: o matador da segundona não foge de dividida nem quando o tema é política

Marcos Paulo Lima
postado em 21/09/2018 00:00
 (foto: Fotos: Goiás Esporte Clube/Divulgação)
(foto: Fotos: Goiás Esporte Clube/Divulgação)





Washington é recordista de gols em uma única edição do Campeonato Brasileiro. Fez 34 em 2004. Dimba foi o goleador da Série A em 2003, com 31. Amoroso conseguiu o feito em 1994, ao estufar as redes 19 vezes. O trio tem em comum o local de nascimento: Distrito Federal. Aos 27 anos, Lucas Vinícius Gonçalves Silva, o Lucão, mantém a tradição candanga de produzir matadores. Artilheiro da segunda divisão ao lado de Dagoberto, do Londrina, o centroavante do Goiás desfruta a melhor fase de uma trajetória marcada pelo desemprego, bicos, desilusão com o futebol, o encontro de um grande amor e o inseparável prazer por uma dança de rua ; o break.

Em entrevista ao Correio, Lucão lembrou as origens. ;Sou de Planaltina. Comecei numa escolinha que o Zé Vasco (Carmelita) tomava conta. Passei pela base do Gama, com Vaná (goleiro reserva de Casillas no Porto) e o Sandro (volante do Genoa, da Itália). Fui para o Rio Grande do Sul com 14, 15 anos, e joguei no Porto Alegre, time do Assis, irmão do Ronaldinho Gaúcho. De lá, fui para o Shonan Bellmare (do Japão), rodei, e estou aqui;, resume.
A trajetória aparenta ter sido fácil. Engano. Lucão amagou vários ciclos de desemprego devido à falta de calendário dos times pequenos. Para salvar as finanças, topou bico como monitor de festas infantis, servente de pedreiro e vendedor de picolés. Em meio aos altos e baixos, ganhou bolsa para jogar futebol na Itália. Porém, retornou ao Brasil após torcer o tornozelo. Defendeu o Atlético de Madri, da Espanha, na Libertadores Sub-20. O clube espanhol havia sido convidado pela Conmebol. Koke foi um dos parças na equipe colchonera.

O Goiás é o 13; clube na carreira de Lucão. O brasiliense virou um cigano da bola. No ano passado, marcou 10 gols na Série B com a camisa do Criciúma. Atraiu o Goiás, fechou com o alviverde e lidera a artilharia da segundona com 12. Hoje, entrará em campo contra a Ponte Preta, às 19h15, no Olímpico, em Goiânia, pela 28; rodada. ;Estou trabalhando há muitos anos, mas é a primeira vez que tenho uma sequência;, comemora o camisa 9.
Lucão atribui o sucesso à mulher dele, ao técnico Ney Franco e à dança de rua. ;Até pouco tempo, eu era muito mal assessorado. Não soube esperar, tomar decisões corretas. De uns dois anos para cá, amadureci muito. Comecei a namorar (com Jéssica Ferraz), tive um filho (Noam). A patroa colocou juizo na minha cabeça. No Zimbru, da Moldávia, eu tive vontante de parar, de largar o futebol, mas ela (Jéssica) foi o meu alicerce;, testemunha. ;O técnico Ney Franco me deu injeção de ânimo, confiança. Sou muito grato a ele;, acrescenta.

Lucão do break
O centroavante do Goiás também encontrou força na dança de rua. Lucão é fã de break desde a infância. ;Eu morava em lugares mais carentes em Planaltina. A gente gostava muito do movimento. Eu jogava futebol e ensaiava. Quando comecei a jogar profissionalmente, os amigos pediam para eu fazer os passos do break para homenagear a rapaziada. Eu e os meus amigos perseveramos muito. Somos de bairro pobre, mas isso nunca foi desculpa para sonhar;, lembra. O break é o diferencial nas comemorações de Lucão. ;As minhas férias são sempre aí, em Planaltina. Costumo ir ao Buritis III para rever compadres como o Felipe Araújo, um irmão pra mim;, conta.

Fã do grupo Tribo da Periferia, Lucão espera usar o break como trunfo para alçar o Goiás de volta à Série A. ;Aqui, é maravilhoso. Estou no maior clube do Centro-Oeste, onde cheguei a fazer teste e, hoje, sou artilheiro da Série B. É um prazer, um sonho realizado. A visibilidade aqui é muito grande. Agora, é subir;, emociona-se.

Assim como os colegas de profissão Felipe Melo, do Palmeiras, e o xará Lucas Moura, do Tottenham, Lucão não fica no muro em tempo de eleições. ;O Jair Bolsonaro (PSL) tem o meu apoio. Acompanhava o trabalho dele aí em Brasília. Todos nós temos as nossas opiniões. A minha é essa. Manifestei o meu apoio ao candidato e ao ser humano quando ele sofreu o atentado;.



Quem é ele
Nome: Lucas Vinícius Gonçalves Silva
Nascimento: 14/9/1991
Local: Brasília-DF
Posição: atacante
Clube atual: Goiás
Clubes anteriores: Shonan Bellmare (Japão), Portimonense (Portugal), CSKA Sófia (Bulgária), Sergipe, Mogi Mirim, Caxias, Sergipe, Resende, São Bento, Luverdense, Zimbru Chiinu (Moldávia), Cruzeiro-RS, América-RN e Criciúma.
Títulos: Sergipano (2013 e 2016)







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