Caciques articulam o segundo turno

Caciques articulam o segundo turno

LUCAS VALENÇA SIMONE KAFRUNI
postado em 26/09/2018 00:00
 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press
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(foto: Ed Alves/CB/D.A Press )



Com o cenário de polarização cada vez mais consolidado, os caciques políticos começam a articular alianças para o segundo turno. Ainda que algumas lideranças partidárias digam que não desistiram das candidaturas próprias, já admitem qual a tendência de apoio numa disputa, cada vez mais provável, entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT). O racha é geral no MDB, cujo candidato, Henrique Meirelles, não decola: o Nordeste acena para a esquerda, o Sul para a direita.

O PSB, que optou pela neutralidade na candidatura nacional, com veto ao nome de Bolsonaro, seguirá o caminho mais óbvio, afirmou o líder Julio Delgado (MG). ;Ficamos à vontade para apoiar Ciro ou Haddad. Na convenção do partido, ficou claro que não há possibilidade de retrocesso e de apoio à direita;, disse. ;Parte do PSB já apoia o Haddad, no Nordeste, então o caminho é natural.;

Lideranças da Rede, partido de Marina Silva, admitem que a legenda é contra o que Bolsonaro representa. Portanto, a tendência é apoiar politicamente a candidatura petista, mas sem aliança formal, com negociação de cargos. Líderes do Partido Novo também não descartam alianças no segundo turno, nos mesmos moldes de Rede, sem toma lá da cá.

Caso o MDB, partido do presidente Michel Temer, decida apoiar um candidato no segundo turno, a escolha pode não ser respeitada pelos diretórios regionais. O senador Roberto Requião (PR) não dá bola para o que o partido possa determinar: ficará com o PT, garantiu um assessor. No Sul, a tendência da legenda é à direita. No Nordeste, o petista tem apoio declarado de Renan Calheiros (AL).

Para os especialistas, o MDB pode vir a influenciar tanto o processo eleitoral quanto a governabilidade do próximo presidente da República. O cientista político da Universidade Federal do Ceará (UFC) Valmir Lopes acredita que, depois de 1994, quando lançou Orestes Quércia à presidência, o partido ;se especializou; no Legislativo. ;O MDB foi, progressivamente, migrando para o fisiologismo. É da natureza dele e foi se constituindo eleição a eleição.;

Lopes explicou que a legenda se transformou em um ;partido condomínio;, com um tipo de liderança ;imperial;, mas a pulverização regional impede a ;marcha unida;. Mesmo que feche acordo nacional para a presidência, não terá condição de segurar esse apoio. ;A direção nacional pode até definir um candidato. Porém, achar que essa decisão se desdobrará nos estados, não acredito que isso vá acontecer.;

Valmir Lopes alertou que o MDB pode voltar a ter uma bancada expressiva no Congresso. ;Não parece muito fácil governar sem o MDB. Talvez, garimpando voto por voto em partidos menores, mas que acabam sendo tão fisiológicos quanto o MDB;, afirmou.

A cientista política e professora da Universidade Federal de Goiás (UFG) Denise Paiva também acredita que o MDB é importante para qualquer coalizão. ;Os candidatos que vão para o segundo turno vão buscar apoio de políticos regionais;, sentenciou. Para a acadêmica, é ;improvável; que a sigla histórica se posicione em favor de um candidato, nacionalmente.



"A direção nacional (do MDB) pode até definir um candidato. Porém, achar que essa decisão se desdobrará nos estados, não acredito;

Valmir Lopes, cientista político da Universidade Federal do Ceará



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