Crise na Argentina se agrava e afeta o Brasil

Crise na Argentina se agrava e afeta o Brasil

Presidente do Banco Central renuncia em meio a greve geral contra medidas de austeridade do governo adotadas para concluir acordo de US$ 50 bilhões com o FMI

» BRUNO SANTA RITA*
postado em 26/09/2018 00:00
 (foto: Eitan Abramovich/AFP)
(foto: Eitan Abramovich/AFP)


A crise econômica e política que assola a Argentina provocou, no país vizinho, um início de semana conturbado. Ontem, alegando questões pessoais, o presidente do Banco Central da Argentina, Luis Caputo, renunciou após permanecer apenas três meses no cargo, e o país enfrentou uma greve geral que paralisou transportes públicos, bancos e aeroportos das principais cidades. Voos entre Brasil e Argentina foram cancelados por conta da paralisação. O dólar subiu e terminou o dia valendo 38,70 pesos argentinos, com alta de 2,1%.

A greve geral ; quarta enfrentada pelo governo Macri ; foi declarada em protesto contra as medidas de austeridade adotadas pelo presidente Maurício Macri, que negocia com o Fundo Monetário Internacional (FMI) a antecipação de um empréstimo de US$ 50 bilhões para ajustar as conta externas do país. Os reflexos da paralisação no Brasil foram imediatos. Apenas a Latam informou que 187 voos dentro e para fora do país foram cancelados.

;A Argentina é refém de uma situação de insolvência e da própria incapacidade do governo de resolver a crise. Diante disso, recorreu ao FMI. Mas para pegar os recursos, precisa assumir uma série de contrapartidas;, explicou o professor de relações internacionais Creomar de Souza. Em comunicado distribuído em Washington, o fundo indicou que continua apoiando a Argentina, e que ficou satisfeito com a nome escolhido para chefiar o Banco Central (BCRA).

;Estamos ansiosos para continuar nosso relacionamento próximo e construtivo com o BCRA, sob a liderança de Guido Sandleris;, diz a nota do FMI. ;Nossa equipe e as autoridades argentinas continuam a trabalhar intensamente com o objetivo de concluir as negociações em um prazo muito curto.; O novo titular do BC era o segundo nome na hierarquia do Ministério da Fazenda, subordinado ao titular da pasta, Nicolás Dujovne. O jornal Clarín informou que Caputo vinha apresentando divergências com o ministério.

Sinal grave

A renúncia do presidente do BC ocorreu no momento em que Maurício Macri se encontrava nos Estados Unidos para contatos com o FMI e para participar da Assembleia Geral na Organização das Nações Unidas. O presidente não comentou a demissão do auxiliar. O novo presidente do BCRA, Guido Sandleris, afirmou, em comunicado, que o objetivo principal da instituição é reduzir a inflação. ;Trabalhamos para recuperar a estabilidade e a previsibilidade de preços que a economia argentina tanto necessita;, frisou.

As turbulências políticas e econômicas na Argentina preocupam o governo e os empresários brasileiros, já que o país vizinho é o nosso terceiro maior parceiro comercial. ;Toda vez que se troca um comandante durante a tempestade é sinal de que algo grave está acontecendo;, ponderou o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, ao se referir à demissão de Caputo.

* Estagiário sob supervisão de Odail Figueiredo

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