BC pode elevar juros

BC pode elevar juros

» ROSANA HESSEL
postado em 26/09/2018 00:00
 (foto: Evaristo Sá/AFP - 22/5/18)
(foto: Evaristo Sá/AFP - 22/5/18)


O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, reforçou ontem a sinalização de que pode elevar a taxa básica de juros (Selic) ainda este ano, dependendo do resultado das eleições e do comportamento do câmbio. A ata da última reunião do colegiado, divulgada ontem, enfatizou também a necessidade das reformas econômicas. ;A continuidade do processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira é essencial para a queda da sua taxa de juros estrutural;, diz o documento, que resume as conclusões da reunião de 18 e 19 de setembro, quando o órgão decidiu manter a Selic em 6,5% pela quarta vez consecutiva.

A ata citou oito vezes a palavra reforma, mostrando que a continuidade ou não da agenda de mudanças pode definir a antecipação da retomada do ciclo de alta dos juros, esperada a partir de fevereiro de 2019. A próxima reunião do colegiado, chefiado pelo presidente do BC, Ilan Goldfajn, está marcada para 30 e 31 de outubro, dois dias após o segundo turno. A maioria dos especialistas aposta na manutenção da Selic até o fim de dezembro, mas muitos veem possibilidade de mudar a previsão se houver piora nos cenários interno e externo.

;O BC disse o óbvio. Dependendo do presidente que for eleito, e de seu programa econômico, o Copom pode reiniciar a alta dos juros, apesar de o cenário macroeconômico não estar tão ruim. As expectativas de inflação estão ancoradas e ainda há ociosidade bem elevada na indústria. Se não houver uma posição revolucionária, tudo continuará tranquilo;, explicou Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor do Banco Central.

Freitas lembrou que o problema principal destacado na ata foi a assimetria de riscos. ;Os riscos mais elevados são binários, ou seja, podemos ter um cenário bom ou muito ruim. O mais ou menos está fora de questão;, resumiu, reforçando a necessidade de um ajuste fiscal, que, dependendo do ritmo de retomada da economia no próximo ano, poderá ser menor. ;A economia depende de expectativas, e, para isso, é preciso o compromisso com a agenda de reformas. Como o ajuste para reverter o deficit primário de 1,7% do PIB (Produto Interno Bruto) precisa ser de 4% do PIB, esse ajuste será pela metade se a economia conseguir crescer mais de 2% a partir do ano que vem;, estimou.

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