Marcas da história

Marcas da história

Eternizadas em bronze, ferro ou pedra, a história da humanidade é contada em forma de esculturas. Muitas delas estão expostas a céu aberto em várias cidades pelo mundo

» Luíza Figueiredo*
postado em 26/09/2018 00:00
 (foto: Wikimedia Commons/Reprodução)
(foto: Wikimedia Commons/Reprodução)


A palavra vem do grego e significa, em livre tradução, conhecimento obtido por meio de investigação. A história , longe dos bancos das escolas, é a base da formação dos povos ao redor do mundo. Os fatos ocorridos ao longo dos anos são marcados de diversas formas ; dos antigos pergaminhos aos livros, e, mais recentemente, em vídeos feitos com a ajuda de drones ou mesmo satélites. Uma dos modos mais marcantes de registrar os acontecimentos, principalmente aqueles de maior impacto social e, por isso, transformadores, saem das mãos dos artistas.

Esculturas impressionantes dão forma à história, dão vida aos fatos e impedem que o tempo apague informações importantes para a formação de diversas gerações. Também deixam fincadas nos espaços a expressão da sociedade diante de momentos políticos, movimentos sociais ou protestos. Alguns desses trabalhos artísticos foram instalados nas ruas, a céu aberto, e integram-se às paisagens da cidades, interagindo com moradores e turistas. O Turismo selecionou alguns trabalhos exibidos em cidades de diversos países. Vale a pena conhecer e aprender.

* Estagiária sob supervisão de Taís Braga


HUNGRIA

Budapeste

Liderada por Ferenc Szálasi, militar e filonazista, Budapeste, na Hungria, ficou marcada por um período de guerra cruel entre o governo e a sociedade. Entre os anos de 1944 e 1945, mais de dez mil judeus foram executados às margens do rio Danúbio ; segundo rio mais longo da Europa. Homens, mulheres e crianças foram mortos ou alvejados e levados pela correnteza. As pessoas eram obrigadas a ficarem enfileiradas e a retirarem os sapatos, considerados bens de valor à época. O Memorial Sapatos às Margens do Danúbio é uma homenagem do cineasta Can Togay, produzido pelo escultor Gyula Pauer, a todos que sofreram durante o período nazista na capital. A obra, feita em 2005, mostra 60 pares de sapatos de ferro, de homens e mulheres, modelados da década de 40, se dispõem aleatoriamente em uma parte da margem.

;Os sapatos às margens do rio são uma imagem muito forte, você sente na pele o sentimento dos fuzilados que foram jogados;, disse o universitário Samuel Sousa, que visitou a região há cinco anos. ;É uma cidade histórica superbonita. Às margens do Rio Danúbio têm diversos pontos turísticos, de lá você pode conhecer a riqueza e as esculturas do lugar;, recomenda.

Hoje, Budapeste é a cidade mais populosa e principal centro financeiro e cultural da Hungria. A divisa marcada pelo Rio Danúbio, que começa na Floresta Negra, na Alemanha, e deságua no Mar Negro, com travessia em quatro capitais europeias, faz com que a capital seja dividida em duas partes para compor o todo. Buda, na margem ocidental, é a antiga capital do reino medieval da Hungria. Peste, na oriental, denominada pelo Parlamento, foi planejada e tem superfície plana.

Ocupada primeiramente pelos celtas ; povos organizados em tribos pertencentes à família indo-europeia ;, em seguida pelos romanos, responsáveis pela construção de estradas, anfiteatros, balneários e outros, fundaram a cidade Aquinco, que transformou-se em ruínas no subúrbio de Budapeste. A capital, que foi centro da ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial, guarda lembranças de uma época sangrenta.


O Parque Memento é uma das atrações turísticas, transformado em museu, que conta o período histórico que a cidade viveu. Lá, 40 representações artísticas que ficavam nas praças principais, como esculturas de Stalin, Lênin, Marx, e Engels, entre outros, que remetem à queda do comunismo, estão reunidas em um só lugar. O parque é aberto diariamente para visitação. No site do complexo, é possível conferir o preço de entrada e período para visita. www.mementopark.hu/


ESTADOS UNIDOS

Nova York

O tema nunca foi tão atual nos Estados Unidos: o desarmamento. Para registrar a dor pela morte do cantor e compositor inglês John Lennon, assassinado na porta de casa, em frente ao Central Park, no coração de Nova York. O artista sueco Carl Frederik Reutersward criou uma escultura de bronze em formato de um revólver, Colt Python 357, cujo cano tem o formato de um nó. Feita em 1985, ganhou o nome de não-violência. A obra é uma doação do governo de Luxemburgo, está exposta e pode ser vista nos jardins da Organização das Nações Unidas (ONU) e tornou-se o símbolo do Projeto Não-Violência, uma organização sem fins lucrativos que visa a conscientização do não uso de arma.

Apaixonada pela cidade que nunca dorme, a advogada Juliana Marques não poupa elogios. ;É uma grande metrópole e, ao mesmo tempo, um verdadeiro museu a céu aberto, a cada passeio você é surpreendido por uma nova descoberta. São incontáveis museus e galerias, que de maneira ou outra, contam um pouco da história da cidade;.


Os apreciadores da arte contemporânea podem visitar, em NY, uma das mais antigas e maiores instituições de arte, o MoMA PS1, fundado em 1971, por Alanna Heiss, investe na exposição de obras de artistas ainda desconhecidos do grande público, a fim de torná-los visíveis. Além de esculturas, o espaço é dedicado à pintura, performances, música e venda de livros. Para conhecer os trabalhos, confira a programação no site www.moma.org/.



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