Sem medo, sem desilusão

Sem medo, sem desilusão

LEONARDO MEIRELES leonardomeireles.df@dabr.com.br
postado em 02/10/2018 00:00
Entramos na última semana antes das eleições com uma responsabilidade enorme como cidadãos. Porque temos a responsabilidade de pensar o Brasil não com a desilusão ou o medo, dois sentimentos que têm norteado a campanha até agora. Ainda há alguns dias para pensar o país com esperança e coragem. Infelizmente, os dois candidatos que lideram as pesquisas para a Presidência da República não deixam que o brasileiro ;limpe; o pensamento e enxergue o futuro com olhos otimistas. Nem eles nem seus seguidores que, infelizmente, agem como torcedores de times de futebol e com uma paixão que só cega a razão com que precisamos guiar nossos votos. Por que não pensar?

Pensar que a manutenção de alianças podres para conquistar o poder resultaram em um governo sem corrupção. Que as denúncias investigadas pela Operação Lava-Jato apontam para um esquema que não tem data para terminar. Assim, os envolvidos nessa roubalheira que tomou conta do país nos últimos anos não podem voltar a governar. Não é possível considerar a possibilidade de quem saqueou a Petrobras retornar ao Palácio do Planalto, mesmo que seja indiretamente. Um projeto de poder, feito para servir aos poderosos, não pode ser maior que um projeto realmente voltado para a população.

Pensar que não dá para arrumar o país com um discurso belicoso, sem se aprofundar em projetos e deixar para outros darem soluções ; que também não são esclarecidas. Que se muda de pensamento de uma hora para outra, depois de várias declarações contraditórias, como aquela que justifica o salário menor para mulheres. Ou homenagear torturadores. Ou mentir dizendo que não havia corrupção durante a Ditadura Militar, quando a verdade é de que não havia liberdade para investigar. E que tal se dizer cristão e prometer a liberação de armas para a população, contrariando sugestões do Vaticano e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil?

Não é isso de que o país precisa. O Brasil necessita de projetos claros e detalhados para as crianças. Programas sérios para saúde, educação e segurança. Equilíbrio entre inflação, juros e desempregos baixos e investimentos e industrialização altos. Não é receita de bolo: é trabalho, esforço e criatividade. Nada vai sair como mágica nem com extremismos, mas com diálogo. A desilusão e o medo podem ser grandes agora, porém, têm tudo para piorar se os discursos que os carregam se transformarem em realidade.

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