Troca pesada de acusações

Troca pesada de acusações

Eliana disse que Ibaneis cometeu crime ao prometer reconstruir casas derrubadas pela Agefis: "Está gravado que o senhor pagaria a construção. A lei veda". O advogado, por sua vez, disse que a candidata do Pros anda com "gente do mal"

Jéssica Eufrásio
postado em 04/10/2018 00:00
 (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press
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(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press )



O segundo bloco do debate entre postulantes ao Palácio do Buriti foi marcado pelo confronto direto e pela troca de acusações. A rodada foi aberta pelo advogado Ibaneis Rocha (MDB). Ele culpou o candidato à reeleição Rodrigo Rollemberg (PSB) por chefiar o governo que ;mais aumentou tributos na história do Distrito Federal;. Ele questionou o atual governador sobre as propostas de impostos para as empresas em eventual novo mandato. Rollemberg, por sua vez, respondeu que focará no desenvolvimento e prometeu acabar com o diferencial de alíquotas para optantes do Simples Nacional. ;Vamos encaminhar à Câmara Legislativa a mudança da LOA (Lei de Diretrizes Orçamentárias). A prioridade do desenvolvimento deve ser emprego com distribuição de renda e a retomada de obras importantes;, defendeu.

O debate ocorreu ontem e contou com a presença de sete dos 11 candidatos ao GDF. Em um dos principais momentos da troca de farpas, a empresária Eliana Pedrosa (Pros) acusou Ibaneis de cometer crime eleitoral durante a campanha. Os dois, respectivamente, encabeçam a corrida eleitoral, segundo as pesquisas. ;O senhor prometeu reconstruir casas destruídas pela Agefis (Agência de Fiscalização do Distrito Federal). Qual é a origem do dinheiro para isso? O senhor não acha que é crime?;, questionou Eliana. O advogado rebateu dizendo que a adversária fez a mesma promessa. ;É uma proposta de governo. As casas ilegalmente derrubadas serão reconstruídas com indenização do Estado. Fiz essa proposta genérica para ajudar as famílias. Não acho que seja compra de votos;, defendeu-se.

A discussão continuou depois de Ibaneis acusar Eliana de andar com ;gente do mal; e de usar contas fakes nas mídias sociais durante a campanha. Em resposta, ela voltou ao tema inicial. ;Muito me admira o senhor admitir que isso é crime eleitoral. Está gravado que o senhor pagaria a construção dessas casas. A lei nos veda dar até R$ 10 na rua, quanto mais construir uma casa. É ilógico prometer isso. O senhor terá de responder por esse crime, sim;, reforçou. Na tréplica, o emedebista alfinetou: ;A senhora caminha com o que há de mais podre até entre aqueles que estão nos cemitérios que a senhora administra. Do lado da senhora, está o que há de pior nesta cidade;, criticou Ibaneis. Ele citou os nomes de Fábio Simão, Manoel Neto e Carlos Xavier; o primeiro, acusado de improbidade administrativa; o segundo, condenado no âmbito da Operação Caixa de Pandora; e o terceiro, por homicídio.

;Cinturão de miséria;
Coronel da reserva da Polícia Militar, Alberto Fraga (DEM) afirmou que o Distrito Federal está rodeado por um ;cinturão de miséria; e quis saber os planos do economista Júlio Miragaya (PT) para o Entorno. O petista aproveitou para reprovar a ;troca de baixarias; em frente às câmeras e defendeu a atuação conjunta dos serviços públicos do DF e de Goiás. ;O Entorno é quase como um bairro do DF. O Estatuto das Metrópoles prevê isso por meio da aprovação das duas casas legislativas. Assim, a população pode acessar programas nas duas unidades federativas. É importante um planejamento integrado no atendimento à saúde, na mobilidade e na geração de empregos;, ressaltou.

Com foco no cenário eleitoral nacional, Miragaya escolheu a enfermeira sanitarista Fátima Sousa (PSol) para responder na sequência. Ele questionou como a socialista enxerga a situação da corrida presidencial após a divulgação dos áudios da delação de Antonio Palocci a cinco dias da votação em primeiro turno. Para a candidata, a Justiça tem tomado o poder na política. ;Se Fraga sente isso, imagine nós, que somos da esquerda e somos perseguidos. O que nos deixa mais tristes é a tentativa de aniquilar o processo da democracia e de trazerem elementos que ainda não foram vistos;, respondeu.

Rogério Rosso (PSD) aproveitou a vez de perguntar a Eliana para apresentar mais uma proposta para os primeiros dias de governo. Ele prometeu direcionar os gastos da verba oriunda do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) a cada uma das regiões administrativas nas quais o imposto foi taxado. Eliana, por sua vez, criticou o modo de trabalho nas administrações regionais e defendeu que os administradores preencham requisitos de competência. ;Hoje, a população reclama que os administradores são teleguiados de outros personagens (que ficam) por trás deles;, disse.

Espaços públicos

Relembrando os últimos quatro anos, Rollemberg mencionou algumas das ações com foco nos espaços de lazer do DF, como a abertura da Orla do Lago Paranoá e a doação de 31 hectares (equivalente a 43 campos de futebol) da Residência Oficial de Águas Claras para o parque da região administrativa. Depois de citar os projetos de revitalização do Parque do Setor O e da criação do Parque Burle Marx, ele perguntou quais são as propostas de Rosso para democratizar locais públicos do DF.

Rosso citou feitos, segundo ele, da própria atividade parlamentar. ;Cada cidade tem vocação turística de lazer, por isso a descentralização é tão importante. Precisamos criar condições para cada cidade do DF recuperar e fortalecer locais de lazer. Como parlamentar, dediquei algumas emendas a isso;, reforçou. Depois, Rollemberg citou o fato de a Bacia do Descoberto estar com 65% do volume total durante a seca após obras durante o governo dele. ;Crise hídrica é sobre a política. Vários partidos que estão aqui sempre criticaram o governo Roriz, mas são essas obras, como Corumbá, que estão sendo fundamentais para nossas futuras gerações;, rebateu Rosso.

Última do bloco a perguntar, Fátima Sousa quis saber como Alberto Fraga define a corrupção. Ele criticou o abuso de poder econômico no DF e aproveitou o tempo de resposta para criticar Ibaneis. ;Sabemos do abuso de poder econômico. Espero que a Justiça tenha essa visão. Ele (Ibaneis) fala que não é conluio, mas conluio é quando existe algo escondido, e ele promete construir casas das pessoas. Acho que corrupção é tudo aquilo que você adquire de forma ilegal;, finalizou.



Controvérsia

Na terça-feira, circulou pelas mídias sociais um vídeo em que Ibaneis Rocha (MDB) promete construir casas derrubadas pela Agefis com o próprio dinheiro durante uma reunião com apoiadores. A agência é responsável por coibir invasões e promover a desocupação de áreas habitadas irregularmente no Distrito Federal. Em nota, a assessoria do candidato afirmou que a Procuradoria-Geral analisará caso a caso. ;;O meu dinheiro; é, obviamente, força de expressão. Até porque ele já registrou em cartório que vai transferir para os cofre

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