Crônica da Cidade

Crônica da Cidade

por Severino Francisco >> severinofrancisco.df@dabr.com.br
postado em 04/10/2018 00:00



O último debate


O último debate antes da eleição para governador do DF foi tenso. Os jornalistas do Correio não aliviaram e fizeram as perguntas pertinentes para esclarecer os pontos nebulosos. Essa é uma das eleições em que as mentiras, as propostas mirabolantes e as demagogias atingiram o ponto mais elevado. Nesse caso, mais do que nunca, o jornalismo é essencial.

Claro que o candidato que lidera as pesquisas, Ibaneis Rocha, foi o maior alvo. As propostas de Ibaneis despertam a atenção até do mais ingênuo dos eleitores. Ele propõe o fechamento imediato da Agefis, agência que cuida da fiscalização das ocupações irregulares no DF, e a reconstrução das casas derrubadas pelo órgão financiadas com o dinheiro do próprio bolso. É algo preocupante do ponto de vista ambiental e legal.

Sugere o sinal verde para uma nova onda de grilagem de terras, que tantas consequências nefastas trouxe para o meio ambiente no DF. A generosidade de Ibaneis é um tanto fantasiosa e levanta suspeição. Isso não configuraria um abuso de poder? Comprar voto não é crime?

Nos primeiros debates dos quais participou, Eliana Pedrosa apresentou uma proposta engenhosa: ela anunciou a intenção de construir dois estádios. A proposta soa surreal se confrontarmos o fato de que o Estádio Mané Garrincha consumiu R$ 1,6 bilhão, custa mais de R$ 700 mil por mês para a manutenção e se transformou em um elefante branco da paisagem. Depois das críticas, mudou para centro de esportes.

A professora Fátima Sousa, do Psol, lembrou que, enquanto ela ganhou vários prêmios por sua atuação na área da saúde, três candidatos que lideram as pesquisas são alvo do Ministério Público. Isso não pode passar em branco para o eleitor. As consequências são graves para o futuro da cidade.

Fátima deu uma lição a Rodrigo Rollemberg: a saúde deve começar com os programas de prevenção em casa e não apenas nos grandes hospitais. Não dá para comparar o governo de Rollemberg com os tempos de abastança dos governos de Roriz. É preciso avaliar com o parâmetro da situação atual dos estados.

O Rio de Janeiro, o Rio Grande do Norte, Minas Gerais e o Rio Grande do Sul entraram em colapso. O atraso de salário no Rio Grande do Norte provocou o caos. Mas Brasília foi administrada com responsabilidade fiscal.

Brasília viveu um trauma nas últimas eleições. Dois governadores se envolveram em esquemas de corrupção e quase a capital sofreu intervenção federal. Esse critério deveria nortear a escolha do eleitor. Não é possível mais entregar a capital do país para políticos que, ao longo de sua carreira, se distinguiram pela participação em escândalos e só não são fichas-sujas por razões misteriosas do Ministério Público. O jornalismo é essencial para uma escolha mais lúcida. Brasília não merece ficar novamente nas mãos de corruptos.



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