Os primeiros a ter um diploma na família

Os primeiros a ter um diploma na família

EDUCAÇÃO Levantamento do Ministério da Educação mostra que 33% das pessoas que cursam nível superior serão pioneiras em alcançar a graduação entre os parentes. Dados mostram também que aumentou o número de idosos em salas de aula

Camilla Venosa Especial para o Correio Marília Sena*
postado em 10/10/2018 00:00
 (foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
Dados do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) mostram que 33,2% das pessoas que estão cursando o ensino superior serão as primeiras de suas famílias a concluir a graduação. O número, publicado pelo Ministério da Educação e pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), inclui alunos dos cursos presenciais. Já para estudantes de cursos a distância, esse percentual chega a 38,2%. De acordo com o levantamento, as mães dos alunos apresentam nível educacional maior do que os pais, sendo que 8,1% delas têm pós-graduação, contra 4,7% deles.

Durante o evento de divulgação da pesquisa, a presidente do Inep, Maria Inês Fini, afirmou que os dados servem não apenas para uma análise nacional do sistema de educação superior, mas também para as próprias instituições de ensino. ;É um conjunto de dados muito rico, e eu espero que possam ser explorados pelas instituições, especificamente pelos núcleos docentes estruturantes e pelas comissões próprias de avaliação, que eles possam servir de reflexão para a melhoria da qualidade da educação;, disse.

Micaela Lopes, 22 anos, é filha de nordestinos e neta de analfabetos. Mas a mãe, auxiliar de limpeza, sempre a incentivou a estudar. O interesse para cursar comunicação social surgiu do desejo de ser assessora de imprensa do Exército. A partir daí, ela passou a estudar na Universidade Católica de Brasília. Quem pagava os estudos era a mãe e a própria Micaela, que já teve de dar mais da metade do salário de estagiária para a mensalidade da faculdade. ;A minha mãe já chegou a fazer empréstimo para custear os meus estudos, mas ela não se arrepende, valeu a pena;, lembrou.

O resultado do Enade 2017 também chama a atenção pelo perfil dos alunos de EaD, que já passam de 114 mil pessoas. Isso porque 33% dos que ingressaram no ensino superior em 2017 foram alunos da educação a distância. Além disso, 46,6% dos estudantes de EaD trabalham 40 horas ou mais por semana, e 50,9% deles são casados.

Para o ministro da Educação, Rossieli Soares da Silva, os dados mostram a importância desse sistema de ensino. ;O EaD é uma ferramenta de inclusão importante para a mãe e para o pai trabalhadores que estão pensando no futuro. É a pessoa que está mais estabilizada, trabalhando e que quer continuar crescendo na carreira;, explicou.

Qualidade
Questionada sobre a qualidade desse tipo de educação, Maria Inês Fini afirmou que os dados do Enade provam os benefícios da EaD. ;É uma realidade da qual nós não podemos nos furtar. O MEC reconhece esse movimento. Nenhuma profissão vai durar para sempre, então, essa possibilidade de educação continuada para o trabalhador é importantíssima, porque nós vamos sempre precisar desse tipo de aperfeiçoamento;, defendeu. ;Você pode ter tanta qualidade na educação a distância quanto você tem na presencial. Há um mito de que você controla a qualidade pela presença do estudante.;

Sarah Rodrigues, 24, trabalha como recepcionista há dois anos. Desde agosto de 2017, a moça cursa gestão pública a distância. ;Eu sempre quis ter uma graduação, mas o principal interesse veio quando percebi a oportunidade de crescer no meu trabalho;, contou. Trabalhar o dia todo levou Sarah a escolher o EaD. ;O acesso é mais fácil e é uma forma de os estudos entrarem no meu cronograma;, afirmou. De acordo com ela, o fato de a faculdade não ser presencial não a prejudica no ensino. ;O curso é dinâmico, eu estou conseguindo exercer a disciplina exigida, e o valor da mensalidade cabe no meu bolso.;

Os idosos também foram destaque da pesquisa: 0,5% das 467.627 pessoas que responderam ao questionário do estudante do Enade são da terceira idade. O número parece pequeno, mas corresponde a 1.266 alunos, sendo que cinco deles têm entre 79 e 87 anos.

No DF, UnB se destaca
Entre todas as instituições públicas e privadas avaliadas no DF, apenas a UnB conseguiu cursos com a nota 5, pontuação máxima no IDD. Mesmo assim, alguns cursos da universidade ficaram com conceito 1 e 2, sendo que três deles são da modalidade a distância: letras-português (licenciatura), artes visuais (licenciatura) e música (licenciatura). Ao todo, foram avaliados 230 cursos no DF.

*Estagiária sob a supervisão de Cida Barbosa

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