Dólar cai e B3 fica estável

Dólar cai e B3 fica estável

Investidores realizaram lucro depois da alta de segunda-feira, impulsionada pelo resultado do primeiro turno das eleições. Divisa norte-americana fecha em queda de 1,46%, a R$ 3,71, com possibilidade, segundo especialistas, de recuar até R$ 3,50

GABRIEL PONTE *
postado em 10/10/2018 00:00
 (foto: Marcos Santos/USP Imagens)
(foto: Marcos Santos/USP Imagens)
Depois da euforia do pregão de segunda-feira com o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, em que a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) teve a maior alta desde março de 2016 (4,57%), o mercado financeiro andou de lado ontem. O cenário externo negativo, a partir da preocupação da União Europeia com o deficit das contas públicas italianas, aliado à queda no Índice Dow Jones e S 500, nos Estados Unidos, devido à possibilidade de novo aumento de juros pelo Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) influenciaram o resultado no Brasil. O Ibovespa, principal índice do B3, ficou estável, aos 86.087 pontos e o dólar encerrou o dia negociado a R$ 3,71, com queda de 1,46%. É o menor valor desde 6 de agosto (R$ 3,706).

Segundo Ivo Chermont, economista-chefe da Quantitas, o movimento de ontem foi de realização. ;Houve uma acomodação, o que é muito normal. É comum o investidor desejar ;pegar; o lucro. A verdade é que ainda há um cenário relativamente incerto. O mercado, embora otimista (com a eleição de Bolsonaro), vai fazer essas pequenas apostas. Por exemplo, os investidores receberam muitas informações positivas no domingo à noite, que se refletiu no pregão de segunda. Agora, precisam de mais informações para manterem as apostas lá em cima;, explicou.

Na visão de Newton Rosa, economista-chefe da Sulamérica Investimentos, o pregão mais morno se deu ainda pelo quadro de indefinição no segundo turno. ;Imagino que, embora o resultado de domingo tenha sido visto como positivo, ainda há muita incerteza. Logo, é preciso se aguardar novos desdobramentos e pesquisas;, sintetizou. Rosa também sinaliza para o olhar atento do mercado direcionado à composição das equipes dos presidenciáveis. ;Novas informações, pesquisas, além de anúncio de nomes da equipe econômica vão impactar o comportamento dos agentes;, previu.

Ainda nesta terça, Jair Bolsonaro (PSL) passou a buscar nomes do setor privado para compor a equipe econômica, caso seja eleito presidente, o que reforça o viés liberal da política econômica do governo, já sinalizado pela presença de Paulo Guedes.

Em relação à cotação do dólar, Chermont acredita que um movimento pontual pode ocorrer nas próximas três semanas. ;Acho que tem espaço para o dólar cair aos R$ 3,50, mas é uma oscilação que parece não vai se sustentar. Para a divisa permanecer negociada a tal valor, seria preciso ter uma surpresa positiva dos fundamentos brasileiros, como uma reforma liberal;, afirmou.

Rosa também alerta para a difícil conjuntura externa. ;A questão do dólar não gira apenas em torno da questão interna. Um dos fatores que elevam a cotação está lá fora, como os juros americanos, em um momento em que a economia estadunidense está aquecida, e o Fed discute a intensificação da alta da taxa de juros básicos. Dessa forma, não vejo muito espaço para uma queda além do valor mencionado;, ponderou.

*Estagiários sob supervisão de Rozane Oliveira

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