Versão oficial em xeque

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Governo brasileiro, Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU, União Europeia e OEA cobram investigações transparentes sobre as circunstâncias da morte de vereador de oposição, que, segundo Caracas, cometeu suicídio

postado em 10/10/2018 00:00
 (foto: Juan Barreto/AFP
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(foto: Juan Barreto/AFP )


O governo de Nicolás Maduro recebeu ontem cobranças da comunidade internacional, inclusive do Brasil, para esclarecer, de forma rápida e transparente, as circunstâncias da morte do vereador de oposição Fernando Albán, suspeito de envolvimento em um suposto atentado contra o presidente venezuelano. Segundo informações oficiais, ele cometeu suicídio na sede do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), em Caracas, onde estava detido para investigações. Os adversários de Maduro, porém, contestam a versão, e afirmam que Albán, do partido Primeiro Justiça, foi assassinado.

O governo brasileiro, o Alto Comissariado de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), a União Europeia e a Organização dos Estados Americanos (OEA) estão entre os que instaram o Palácio de Miraflores a investigar o caso de forma imparcial e justa. ;Fernando Albán se encontrava detido pelo Estado, que tinha a obrigação de garantir sua segurança, sua integridade pessoal;, declarou Ravina Shamdasani, uma porta-voz do Alto Comissariado.

;Esperamos uma investigação exaustiva e independente para esclarecer as circunstâncias da trágica morte do vereador Albán;, destacou um comunicado divulgado pelo escritório da chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, que também pediu que Caracas liberte ;todos os presos políticos;. Segundo a ONG Foro Penal, eles somam 236 atualmente.

Itamaraty
Parlamentares norte-americanos e o governo brasileiro também se manifestaram. ;As circunstâncias da morte de Fernando Albán em instalações prisionais, sob direto e integral controle das autoridades venezuelanas, suscitam legítimas e fundadas dúvidas quanto a eventuais responsabilidades e exigem a mais rigorosa, independente e transparente investigação;, assinalou, em nota, o Itamaraty.

A Arquidiocese de Caracas, cujo trabalho social estava ligado ao vereador, levantou dúvidas sobre a versão de suicídio. ;Até domingo, sabia-se que ele estava sereno e calmo, e até enviou diretrizes para sua equipe para que eles continuassem trabalhando para os pobres;, declarou a arquidiocese, muito crítica do governo Maduro.

A notícia da morte de Albán foi dada na segunda-feira pelo procurador-geral venezuelano, Tarek William Saab. ;Albán solicitou ir ao banheiro, e, estando lá, se jogou pela janela do décimo andar;, disse, por telefone, à rede de televisão estatal VTV. O ministro do Interior e da Justiça, Néstor Reverol, afirmou que Albán se matou ;no momento em que seria trasladado ao tribunal;. A versão oficial foi imediatamente colocada sob suspeição.

O ex-candidato presidencial Henrique Capriles, membro do partido de Albán, afirmou que o ocorrido ;é total responsabilidade; do regime Maduro. ;Ele NUNCA poderia ter atuado contra sua vida;, ressaltou no Twitter. Também de forma enfática, o secretário-geral da OEA, Luis Almagro, condenou o episódio. ;Responsabilidade direta de um regime torturador e homicida;, escreveu na mesma rede social.

A morte de Albán, cujo corpo foi velado ontem, coincidiu com a visita a Caracas do presidente do Comitê das Relações Exteriores do Senado americano, Bob Corker. ;O governo tem a responsabilidade de garantir que todos entendam como isso aconteceu;, escreveu Corker, no Twitter, classificando o episódio como ;pertubador;.

O vereador do município Libertador de Caracas foi detido na última sexta-feira acusado de participar da explosão de dois drones perto do local em que Maduro fazia um discurso em 4 de agosto, durante um desfile militar na capital. Ele havia acabado de acompanhar o deputado Julio Borges a uma viagem a Nova York, onde falaram sobre a Venezuela.

Fundador do Primeiro Justiça, Borges está exilado na Colômbia. Ele é apontado por Caracas como o mentor intelectual do suposto atentado a Maduro. ;A crueldade da ditadura acabou com a vida de Fernando Albán;, reagiu o parlamentar no Twitter.

;As circunstâncias da morte de Fernando Albán em instalações prisionais, sob direto e integral controle das autoridades venezuelanas, suscitam legítimas e fundadas dúvidas quanto a eventuais responsabilidades e exigem a mais rigorosa, independente e transparente investigação;,
Itamaraty


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