Bebedeira causa danos duradouros à memória

Bebedeira causa danos duradouros à memória

postado em 10/10/2018 00:00
 (foto: Christof Stache/AFP
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(foto: Christof Stache/AFP )


Muito comum em festas e outros eventos de fim de semana, a ingestão compulsiva de grande quantidade de álcool em curto espaço de tempo, também chamada de beber em binge, pode causar ao cérebro problemas que duram mais do que a ressaca do dia seguinte, alertam pesquisadores da Universidade Autônoma do Chile. Embora principalmente os jovens tenham facilidade de se recuperar relativamente rápido das bebedeiras, o consumo de álcool produz variações e mudanças no hipocampo ligadas à memória.

;Particularmente, o excesso de álcool afeta o equilíbrio inflamatório e redox glial, deteriora a plasticidade sináptica, a memória e o metabolismo periférico mediante um mecanismo dependente do sistema de melanocortinas (relacionado à regulação do apetite e ao gasto energético);, explica Rodrigo Quintanilla, um dos pesquisadores do estudo, divulgado em encontro da Associação Americana para a Pesquisa do Alcoolismo.

O investigador chama a atenção para o fato de o hábito ser comum entre os mais jovens ; e, inclusive, tolerado devido à baixa idade ;, mas, no caso de adolescentes, a situação se torna mais perigosa porque ocorre em um período da vida crucial para o desenvolvimento dos circuitos cerebrais responsáveis pela emoção e pela cognição. ;Os jovens costumam acreditar que são invencíveis e não veem os danos que podem acontecer, mas existem mecanismos e vias bioquímicas dentro do hipocampo que serão afetados com o tempo;, alerta Rodrigo Quintanilla.

Maior sensibilidade
Uma das complicações cogitadas é que, quando o indivíduo se torna adulto, tenha um cérebro com maior sensibilidade a certas tensões da vida cotidiana, como o estresse no trabalho, e à combinação de outros fatores impactantes, como o consumo de drogas ilícitas. ;São respostas que ficam em aberto porque nos dedicamos a analisar e esmiuçar uma parte do elo com o estudo com animais. Não podemos pegar adolescentes e abrir o cérebro deles;, explica o pesquisador.

Para prosseguir o estudo, Rodrigo Quintanilla e a equipe deverão ;levantar informações sobre o consumo de álcool e os hábitos de consumo, assim como aplicar, ano a ano, um teste cognitivo para saber a progressão do dano.; Responsável por 3,3 milhões de óbitos anuais, o alcoolismo é a terceira causa de mortes no mundo, atrás do tabaco e da hipertensão. No caso dos jovens entre 10 e 24 anos, 7,4% das mortes e deficiências são atribuídas à droga.

Ainda mais impactante

Considerando a faixa etária entre 15 e 49 anos, o álcool é considerado o principal fator de risco de morte prematura e doença no mundo. Em 2016, 3,8% das mortes de mulheres e 12,2% das mortes de homens enquadrados nesse perfil etário foram atribuidas ao álcool, segundo um estudo Global Burden of Disease, publicado em agosto na revista The Lancet. As principais causas de óbitos relacionados ao álcool nessa faixa etária foram tuberculose (1,4% dos óbitos), lesões na estrada (1,2%) e automutilação (1,1%).


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