Mundo verde

Mundo verde

Em Belém, pontos históricos ensinam a cultura e destacam a importância do meio ambiente. A gastronomia está nos mercados e nas receitas, com destque para o chocolate da região

Adriana Botelho*
postado em 10/10/2018 00:00
 (foto: Hell Farias)
(foto: Hell Farias)




Fundada em 1616, Belém é a principal referência da presença portuguesa na Amazônia. A arquitetura dos bairros mais antigos reflete essa herança do período colonial. Fachadas revestidas de azulejos e cores vibrantes são marcas da vida das pessoas daquela época e contrastam com a correria dos dias de hoje. A capital do Pará está presente nos livros de história por ter nascido da exploração do pau-brasil, árvore que deu origem ao nome do país. Desde então, cresceu impulsionada pelo extrativismo de riquezas, como a borracha.

Do alto do avião, ou do globo terrestre, observa-se um lugar cercado de verde e água, diferente da cristalina, mas nem por isso menos bonita. São ilhas, rios, igarapés e canais que deságuam na Baía do Guajará, conjunto de devoção ao meio ambiente e biodiversidade. Além da natureza, a cultura é outra ramificação de Belém, assim como a culinária e o artesanato. A música no ritmo do brega embala os corações dos turistas e moradores. O Turismo dá a dica dos lugares históricos e recantos que não se podem deixar de conhecer.





Ver-o-peso
O Mercado Ver-o-peso é prato cheio para voltar para casa com muitas iguarias na bagagem. O local reúne uma quantidade enorme de barracas onde se vendem frutas, peixes, ervas medicinais, temperos, doces, farinhas, essências e artesanato. Tudo feito no estado. Localizado na Baía do Guajará, é uma experiência de imersão na cultura paraense e considerado uma das sete maravilhas do Brasil por ser um dos mercados mais antigo do país.

No Ver-O-Peso é possível provar o verdadeiro açaí, batido puro com água. A fruta pode incrementar o peixe assado, uma combinação das mais procuradas. A maniçoba é a feijoada dos paranaenses, de origem indígena, o prato contém os mesmos ingredientes que a feijoada brasileira. No lugar do feijão entra a folha de mandioca. No preparo, as folhas são moídas e cozidas por uma semana para retirar o ácido cianídrico, elemento venenoso da planta. No preparo, junta-se às folhas os demais ingredientes.

O destaque da feira é a dona Coló, figura conhecida dos frequentadores. Clotilde é orgulhosa da sua atividade. ;Aprendi com a minha mãe que aprendeu com a minha avó e agora ensino para meus filhos e, assim, passar de geração em geração.; Na barraca, pode-se comprar banhos de cheiros, amuletos da sorte, garrafadas para espantar doenças e, principalmente, óleos e ervas medicinais para evitar má sorte, agouro e dar aquela forcinha no amor. ;Vi a dona Coló em um programa de televisão e achei maravilhosa, falei para meu marido que quando viéssemos a Belém teríamos que vir na barraca;, disse a empresária, Mara Constantino, 41 anos, que escolheu o estado para passar as férias. ;Resolvi fazer uma viagem diferente esse ano e escolhi Belém e seus arredores para conhecer;, finalizou.

* Estagiária sob supervisão de Taís Braga




Estação das Docas
Belém oferece uma vasta opção de pratos típicos. E o turista pode encontrá-los em um só lugar, com vários restaurantes. Trata-se do complexo turístico e cultural da Estação das Docas. O agrupamento é o resultado da restauração do antigo porto fluvial da capital, em 2000. Hoje é um ponto de lazer para os moradores e turistas.

A arquitetura de ferro inglês do século 19 contempla três armazéns. O primeiro é o Boulevard das Artes, com barracas e lojas que comercializam artesanato, roupas, souvenires e joias. O segundo é o Boulevard da Gastronomia com restaurantes, como o Lá em Casa, o Capone e o Soprano Restô. Por último, o Boulevard de Feiras e Exposições, onde é possível conhecer a história da navegação do Pará e dispõe de palco para eventos. A estação é um dos locais de onde pode-se admirar o pôr do sol encantador, na beira do rio.





Espaço José Liberto
Um dos pontos mais importantes do roteiro turístico do estado, o espaço abriga o Museu de Gemas do Pará. Ele guarda milhares de peças antigas das comunidades indígenas, como amuletos, cerâmicas, pontas de flechas e muiraquitãs. Do acervo fazem parte cerca de quatro mil joias fabricadas com ametistas, esmeraldas e quartzos, pedras raríssimas do Pará e de outros estados. No polo joalheiro estão trabalhos de ourives, em ouro e prata, de coleções antigas.

Em 1749, frades franciscanos fundaram o convento de São José. Depois de uma década, com a expulsão dos padres jesuítas do Brasil, o prédio foi tombado e transformado em um depósito de pólvora, quartel e um hospital. Em 1843, o complexo virou uma cadeia pública e em 1950 o governo instalou ali um presídio, que foi desligado no ano 2000.

Uma das salas do museu conta a história do ladrão de bancos conhecido como Ninja. José Augusto Viana David protagonizou uma das histórias mais macabras do estado. Ele foi vítima de detentos que iniciaram uma rebelião, em 1998. Ele foi morto com dois tiros e o corpo envolto em um lençol e jogado do alto do telhado.





Forte do Castelo de Belém
Construído em madeira e palha em meados do século 17, quando recebeu o nome de Castelo do presépio, o Forte do Castelo é parte importante na história do Pará. Ao longo dos anos foi reformado e, em em 1962, tombado pelo Patrimônio Histórico da União. Em 2002, a Secretaria de Cultura de Belém transformou a área do forte e do Palacete das Onze Janelas em espaços culturais. No local está o Museu do Forte do Castelo de São Jorge, que apresenta, por meio de prospecções arqueológicas, o processo de colonização da Amazônia.




Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação