Dança no metrô

Dança no metrô

Espetáculos traduzem por meio da dança, do teatro e da poesia gestos de passageiros do transporte público. Temas como o assédio sexual e o desrespeito a idosos são abordados na peça

» CAROLINE CINTRA ESPECIAL PARA O CORREIO
postado em 15/10/2018 00:00
 (foto: Isabelle Luise/Divulgação - 8/9/18)
(foto: Isabelle Luise/Divulgação - 8/9/18)


Espetáculo que aborda o dia a dia de quem anda nos trens do Distrito Federal, o Percepção Urbana vai traduzir, por meio de dança, teatro e poesia, os gestos simples, o caminhar e até os movimentos mais complexos dos passageiros. Além disso, a atração traz assuntos como o assédio às mulheres e o desrespeito a idosos e deficientes nos vagões.

O idealizador do projeto, o diretor e coreógrafo Ricardo Lira, conta que, durante uma viagem de Metrô, percebeu que havia arte no balanço dos passageiros e começou a pensar em um espetáculo. ;Vi que as pessoas têm um balançar dançante a cada movimento do trem. Nisso, visualizei alguns dançarinos de dança de salão, de tango, de rap. Comecei a ter um olhar do cotidiano onde as pessoas dançam e não percebem;, conta.

Ricardo se refere ao meio de transporte como uma caixa que tem som, ruído, balanço, temperatura e cheiros. ;Sou uma pessoa visual para tudo e me encantei com esses detalhes. O Metrô é um espaço público e privado ao mesmo tempo. Geralmente, as mesmas pessoas frequentam diariamente e isso o torna um local privado para cada passageiro;, explica.

De acordo com o coreógrafo, durante a viagem, ele também observou como as pessoas não respeitavam as portas de entrada e saída, o vagão exclusivo para as mulheres, os idosos e os deficientes. ;Percebi uma riqueza de detalhes naquilo. Assim, resolvi transformar isso em algo interessante. Por que não uma peça?;, observa. ;O Metrô é um local onde as pessoas expressam suas emoções diárias, como cansaço, alegria, tristeza. Vi arte nisso;, diz.

Hoje, o projeto é uma parceria de Ricardo Lira com o coordenador-geral Caio Porto e conta com a participação de 25 pessoas, desde a elaboração até a montagem de cenário. Ao todo, são 12 artistas, entre atores e bailarinos, que passaram pelo crivo do coreógrafo Vítor Avelar, o diretor teatral Rafael Souza, mais conhecido como Rafa Soul, e de Ricardo, por meio de uma audição.

As apresentações do Percepção Urbana começaram na semana passada, em Ceilândia. As próximas apresentações ocorrem no Gama, em 18 de outubro, e em Taguatinga, em 1; de novembro. Haverá duas sessões em cada uma das datas, a primeira, às 18h30, e a segunda, às 20h30. A entrada é gratuita. O projeto é patrocinado pelo Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF).



Outras apresentações

Em 5 de outubro, os profissionais se apresentaram em um vagão do Metrô em movimento, o chamado laboratório social. Foram da Estação Central, na Rodoviária do Plano Piloto, até a Estação Ceilândia. A encenação durou 45 minutos. De acordo com Ricardo, a mesma duração de uma viagem de Metrô.

;Esta foi a segunda vez que nos apresentamos no Metrô. A primeira foi em setembro. Desde então, a recepção do público tem sido positiva. Ficaram surpresos, gostaram e aplaudiram muito;, comemora o coreógrafo. Ele ainda ressalta que um dia antes da apresentação em Ceilândia, o grupo fez um ensaio na Praça Nelson Corso, na Vila Planalto. No local, tiveram a aprovação do público e o apoio dos comerciantes locais.

O espetáculo também conta com apresentações acessíveis. As duas sessões de 18 de outubro, no Gama, contarão com intérpretes de Libras e em todas haverá material em braile. ;Uma das tônicas das minhas propostas é justamente o fortalecimento de políticas públicas direcionadas às pessoas com necessidades especiais. E creio que, com as ferramentas certas, podemos tornar espetáculos mais acessíveis a diferentes públicos;, argumenta o diretor-geral Caio Porto.

Os organizadores já vislumbram ampliar as apresentações para outras cidades ou, até mesmo, para as estações. ;A gente já tem procurado alguns espaços, teatros para poder apresentar, mas ainda não achamos. Já para apresentar nas estações, precisamos de autorização, assim como fizemos com o laboratório social. Vamos tentar;, afirma Ricardo.


"Vi que as pessoas têm um balançar dançante a cada movimento do trem. Nisso, visualizei alguns dançarinos de dança de salão, de tango, de rap. Comecei a ter um olhar do cotidiano onde as pessoas dançam e não percebem;

Ricardo Lira, diretor e coreógrafo


Anote

Percepção Urbana

Quando e onde:
; 18 de outubro, no Sesc do Gama ; QI 1, Lotes 620 a 680, no Setor Leste Industrial.
; 1; de novembro, no Sesc de Taguatinga ; na CNB 12, Área Especial 2/3, em Taguatinga Norte

Horário:
; Primeira sessão às 18h30 e segunda sessão às 20h30
Entrada gratuita. Classificação indicativa 10 anos

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