Domingo de batalha virtual

Domingo de batalha virtual

Bolsonaro e Haddad trocam farpas após o petista afirmar que o capitão do Exército votou contra o Estatuto da Pessoa com Deficiência. O candidato do PSL nega, reclama de fake news e acusação a ele é retirada da rede social

» Gabriela Vinhal » Leonardo Cavalcanti
postado em 15/10/2018 00:00
Os candidatos à Presidência, Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), protagonizaram ontem um embate nas redes sociais. O assunto girou em torno de propostas para inclusão social e fake news. Isso porque o postulante petista, após cumprir agenda com representantes do segmento de pessoas com deficiência, afirmou que o capitão reformado do Exército votou contra o Estatuto da Pessoa com Deficiência.

Em um vídeo ao vivo no Facebook, Bolsonaro negou as declarações do adversário e o acusou de propagar notícias falsas. Ele estava ao lado de uma intérprete, de uma professora surda e da mulher, Michelle Bolsonaro. ;É conhecendo o diferente que formaremos cidadãos. A criança sem deficiência tem direito de conhecer e brincar com a que tem. Nosso desafio é amar o diferente, nos tornamos humanos nesse convívio;, afirmou.

No Twitter, após o encontro, Haddad acusou Bolsonaro de ter votado contra o Estatuto da Pessoa com Deficiência por falta de conhecimento. Haddad afirmou que Bolsonaro não foi educado para compreender toda a ;diversidade humana e sua complexidade;. Contudo, apagou a mensagem na rede social momentos depois. Procurada, a equipe do petista disse que, na verdade, Bolsonaro se absteve da votação, e que, por isso, a publicação foi excluída.

Além disso, Haddad pediu novamente que Bolsonaro fosse aos debates para conversarem sobre as propostas para o país: ;Diz que quer pacificar o país, como? Eu faço esse apelo todo dia. Não se ganha uma eleição dessa maneira, isso é ruim para o Brasil. Precisamos debater propostas. Ele tem uma razão para não participar do debate: ele não pode afirmar essas mentiras na minha cara;, disse. O próximo encontro entre os dois seria amanhã, em um debate promovido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em Brasília. No entanto, o Correio apurou que o presidenciável informou que não vai participar do evento.

LGBTI

Para responder o adversário, o candidato do PSL gravou um vídeo ao vivo em sua página do Facebook. Ele disse ter votado contra uma emenda específica dentro do projeto, e não contra a lei como um todo. ;Quando votamos esse projeto de lei na Câmara, pelo seu caráter humanitário, a votação não foi nominal, mas simbólica. Só que incluíram uma parte sobre os LGBTI. Que que tem a ver criar uma subclasse, só porque é gay, lésbica? A inclusão é para todos, não interessa;, explicou.

Bolsonaro alegou ainda que o PT, o Psol e o PCdoB sempre querem incluir os LGBTI nos projetos. Segundo o candidato, ;o Estado não tem nada a ver com isso;. ;Votamos contra a inclusão, pela deformação do projeto, que criava uma classe especial entre aqueles com problemas de deficiência. Tudo entra a questão LGBTI. Eu não tenho nada contra essa opção, o Estado não tem nada a ver com isso.;

Na postagem, Priscila, professora de libras na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), disse, na linguagem de sinais, que, há um ano, Bolsonaro mantém contato com ela para discutir políticas públicas de inclusão à sociedade com deficiência. De acordo com a docente, ela e o capitão elaboraram um documento sobre a importância dos direitos humanos e linguísticos, em diferentes âmbitos da sociedade. O candidato, contudo, encerrou a gravação após 20 minutos, sem explicar qualquer proposta para os deficientes do país.


"É conhecendo o diferente que formaremos cidadãos. A criança sem deficiência tem direito de conhecer e brincar com a que tem. Nosso desafio é amar o diferente, nos tornamos humanos nesse convívio;

Fernando Haddad, candidato do PT


"Votamos contra a inclusão, pela deformação do projeto, que criava uma classe especial entre aqueles com problemas de deficiência. Tudo entra a questão LGBTI. Eu não tenho nada contra essa opção, o Estado não tem nada a ver com isso;

Jair Bolsonaro, candidato do PSL

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