Ansiedade e estresse preocupam

Ansiedade e estresse preocupam

postado em 15/10/2018 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)


Um levantamento feito pela Associação Nova Escola, entre os meses de junho e julho de 2018, identificou que 66% das professoras e professores já precisaram se afastar do trabalho por questões de saúde. A pesquisa também mostrou que 87% dos participantes acreditam que o seu problema é ocasionado ou intensificado pelo trabalho.

Entre os transtornos mais relatados estão a ansiedade, que afeta 68% dos educadores; estresse e dores de cabeça (63%); insônia (39%); dores nos membros (38%) e alergias (38%). Além disso, 28% deles afirmaram que sofrem ou já sofreram de depressão.

De acordo com o professor de biologia e presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Heleno Araújo Filho, o desrespeito às políticas de lei educacionais é um obstáculo para que os professores tenham melhores condições de trabalho.

;Em 2018, observamos muitas redes estaduais e municipais com um número de contratação temporária absurda. Temos na prática uma desobediência de direitos. Tem a conquista do piso salarial de 2008, no qual muitos não aplicam a lei, temos baixo salário. Ou seja, tem conquista de leis que apontam para uma política de valorização, mas há resistência e falta de cumprimento para garantir esses direitos;, ressalta.

Heleno afirma ainda que um terço dos professores sofre de síndrome de Burnout, pelo esgotamento físico e acúmulo excessivo de estresse. ;Esses não estão mais animados, fazem um trabalho mecânico. Nossa profissão perde muito com isso, pois, quando chega nesse ponto, faz estritamente o necessário, não vai além, não se envolve com a comunidade escolar e com a realidade do aluno. Sofremos uma intensificação do nosso trabalho e de cargas, que provoca o adoecimento. Esse é o clima que observamos nas redes públicas municipais e estaduais do país. Precisamos fazer valer a Lei do Plano Nacional da Educação;.

Há também a dupla ou tripla jornada enfrentada pelos docentes. Cerca de 42% que estão no ensino médio trabalham em duas ou três escolas para complementar renda, o que afeta o desempenho, conclui Heleno. (IG e CV)


"Em 2018, observamos muitas redes estaduais e municipais com um número de contratação temporária absurda. Temos na prática uma desobediência de direitos;

Heleno Araújo Filho, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação

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