Valorização do professor

Valorização do professor

postado em 15/10/2018 00:00
Pergunte a qualquer estudante do ensino médio qual carreira ele pretende seguir. Muito provavelmente, citará medicina, direito, engenharia, computação. Pouquíssimos vão falar no magistério. Outrora reconhecida e valorizada, a profissão hoje no Brasil já não atrai mais os jovens. E isso se deve a vários fatores, que vão desde a baixa remuneração até a violência ; física ou moral ; a que docentes, muitas vezes são submetidos nas escolas.

No mês passado, o Ministério da Educação divulgou os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2017, que mede o desempenho do sistema educacional brasileiro. Os dados mostram que nenhum estado do país atingiu a meta estabelecida, superada apenas nos anos iniciais do ensino fundamental. Nos anos finais desse ciclo, apenas sete alcançaram o índice proposto para este ano.

Esse resultado acende o sinal de alerta para a qualidade da educação pública no país. O baixo nível apontado na pesquisa do Ideb se dá justamente pela falta de incentivo aos professores e do investimento na educação propriamente dita. As condições de trabalho impostas aos profissionais da área deixam a desejar e são mais um indicador de que é preciso promover melhoras no sistema educacional brasileiro. A presidente executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz, afirmou, recentemente, que o país precisa de um plano estratégico para efetivar mudanças estruturantes na educação básica pública de maneira sistêmica, para conseguir o salto de qualidade e equidade de que precisamos.

Quando se analisa os números da tragédia na educação brasileira, é preciso parar e pensar no futuro que o país deseja para seus cidadãos. Hoje, Dia do Professor, mais do que uma justa homenagem e reconhecimento ao educador, a data deve ser aproveitada para uma reflexão profunda sobre o papel que ele desempenha no processo de crescimento de uma nação. Fato é que um país só se desenvolve quando investe pesado na educação de qualidade. E isso passa pelo estímulo à formação de professores, a uma remuneração adequada e à criação de condições para que o trabalho de ensinar possa ser plenamente desenvolvido. E também possa atrair novos docentes para a carreira de magistério.

Escolas com uma boa infraestrutura, cursos de formação continuada para professores, respeitar o piso salarial e criar planos de carreira para a categoria, com jornadas compatíveis, são alguns dos desafios que os próximos governos terão de enfrentar para conseguir atrair e reter talentos no magistério, de forma a fazer com que o Brasil avance no ensino de qualidade. Isso, além de cumprir as metas decenais estabelecidas no Plano Nacional de Educação. Investimentos na educação devem ser pensados não como despesas, mas, sim, como estratégias para que o Brasil possa crescer de forma sustentável e com qualidade, garantindo o acesso de todos.

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