Mensagens ligam nº 2 da PGR ao "homem da mala"

Mensagens ligam nº 2 da PGR ao "homem da mala"

Em diálogos com o ex-deputado Rocha Loures, procurador indicava nomes para ministério e sugeria encontro de Temer com Lava-Jato

» LUCAS VALENÇA ESPECIAL PARA O CORREIO
postado em 18/10/2018 00:00
 (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press - 7/3/17)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press - 7/3/17)


Diálogos envolvendo o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures, interlocutor do presidente Michel Temer, e o secretário-geral do Ministério Público da União, Alexandre Camanho, braço direito da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, foram expostos, ontem, em relatório da Polícia Federal, obtidos pelo Correio. As conversas mostram que o servidor do MP sugeriu ministros e tentou um encontro entre Temer e os procuradores da operação Lava- Jato. O ato mostra uma suposta interferência indevida do procurador em assuntos do governo.

Segundo o relatório da PF, que investigou o suposto recebimento de propina no caso de renovação de concessões portuárias, o procurador Alexandre Camanho manteve uma relação próxima com Rocha Loures, que, em abril de 2017, foi flagrado com uma mala com cerca de R$ 500 mil, segundo a PF, recebida de um representante do grupo JBS. Eles conversavam pelo WhatsApp e por e-mails, ambos anexados ao documento.

Em fevereiro de 2014, o primeiro acontecimento, descrito nas centenas de páginas, mostra o acesso do procurador ao então vice-presidente Michel Temer. À época, Alexandre Camanho exercia a função de presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), cargo em que permaneceu de 2011 a 2015. Ele, procurou agendar uma reunião com Temer, a quem já chamava de presidente. ;Estimado amigo, posso ver o presidente na semana que vem?;, questiona o membro do MP. Após aproximadamente 10 horas, Rocha Loures responde. ;Alexandre, confirmo horário até amanhã;.

Dois anos depois, em abril de 2016, após se afastar da presidência da ANPR, Camanho voltou a buscar Rocha Loures para indicar o nome de Sarney Filho para o ministério do Meio Ambiente, nomeação que se confirmou em maio. ;Se se confirmar Sarney Filho para o MMA, será uma grande alegria. É um bom amigo e verdadeiramente engajado;, ressalta Camanho, na mensagem.

Dois meses depois, em maio, Camanho sugeriu o ex-ministro do STF, Francisco Rezek para assumir o Ministério da Justiça, porém, o fato não se consumou. Após cinco dias, o membro do MP sugeriu, para Loures, um encontro de Michel Temer com os ;meninos da Lava Jato;. O documento da PF anexa uma reportagem do jornal O Globo que n noticiava, à época, o encontro. Na matéria, os procuradores da Lava-Jato negavam a se encontrar com Temer, que viria a tomar posse como presidente da República.

Ilações

O ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marun, classificou o inquérito como um ;festival de ilações;. Segundo ele, o indiciamento feito pela PF deixou Michel Temer ;profundamente indignado e abalado;. O Conselho Nacional do Ministério Público informou que, até o momento, o órgão não investiga o caso. A reportagem também entrou em contato com o MPF e buscou o procurador Alexandre Camanho, que não se pronunciaram.

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