Maconha legal preocupa Canadá

Maconha legal preocupa Canadá

postado em 18/10/2018 00:00
 (foto: Martin Ouellet-Diotte/AFP
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(foto: Martin Ouellet-Diotte/AFP )


O Canadá debate desde ontem as consequências da liberação do uso recreativo da maconha, aprovada na véspera pelo parlamento, uma decisão que colocou o país como o segundo a adotar a iniciativa, depois do Uruguai. Os legisladores deram aval ao governo do primeiro-ministro Justin Trudeau, que justificou a iniciativa em nome de desarticular o mercado ilegal, conter o crime e obter controle sobre o uso da droga entre os jovens.

Trabalhadores da saúde pública lembram que fumar maconha faz tanto mal quanto consumir tabaco, mas exaltam a oportunidade de um diálogo aberto sobre o tema. A polícia, por sua vez, se prepara para um aumento da incidência de motoristas dirigindo sob efeito de maconha e alega que não está pronta para apresentar denúncia criminal contra os infratores, já que isso exige coletar amostras de sangue até duas horas depois da detenção para detectar níveis acima do limite tolerado de THC, o agente psicoativo do cannabis.

;Como médico e como pai, não estou de acordo com a legalização da maconha recreativa;, disse Antonio Vigano, especialista no uso medicinal da erva e diretor de pesquisas na clínica Sante, em Montreal. ;Há preocupações com a saúde;, disse à agência de notícias France-Presse Gillian Connelly, da Agência de Saúde Pública de Ottawa. ;Mas a legalização está criando uma oportunidade para que se discuta o consumo de cannnabis, inclusive entre pais e filhos. Durante décadas, só dissemos: ;Não consumam;. Mas não funcionou.;

O Canadá tem um dos maiores índices per capita de consumo de cannabis. São 4,6 milhões, ou um em cada oito, neste ano. O governo enviou uma mensagem a 14 milhões de famílias destacando os aspectos básicos, incluindo advertências sanitárias e a necessidade de manter a maconha longe de crianças e animais de estimação.

A organização Mothers Against Drunk Driving se associou ao Uber e à produtora de maconha Tweed em uma campanha contra a direção sob efeito da cannabis. Gillian Connelly notou uma breve retomada nas internações depois que o estado americano do Colorado legalizou a maconha, em 2014, e atribuiu o dado ao fato de que as pessoas não se davam conta da potência da droga: o teor de THC aumentou de 3%, em 1980, para 15%, atualmente.

Os empregadores estão definindo restrições ao uso que afeta o trabalho. O Exército ordenou aos soldados que não usem maconha com antecedência menor do que oito horas antes de um turno. Unidades policiais e companhias aéreas anunciaram proibições.

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