Avisa lá que o hexa é azul

Avisa lá que o hexa é azul

Primeiro bicampeão consecutivo do torneio, Cruzeiro fatura o hexa e se torna o recordista de títulos do mata-mata nacional

Tiago Mattar Enviado especial
postado em 18/10/2018 00:00
 (foto: Nelson Almeida/AFP)
(foto: Nelson Almeida/AFP)



São Paulo ;
O Cruzeiro é, de maneira isolada, o maior campeão da Copa do Brasil. Os 2.400 torcedores celestes presentes no Itaquerão, em São Paulo, e os milhões espalhados por Minas Gerais e pelo Brasil, certamente estão orgulhosos de um time que se impôs diante do Corinthians e venceu por 2 x 1, ontem, pelo jogo de volta da decisão. Depois de servir à seleção uruguaia em dois amistosos e viajar durante 24 horas do Japão até o Brasil, De Arrascaeta recebeu de Raniel e deu números finais ao jogo.

Na partida de ontem, Mano Menezes não mexeu na estrutura do Cruzeiro. A única mudança foi por suspensão. Egídio, que recebeu o terceiro cartão amarelo na partida de ida, deu lugar a Lucas Romero. Antes da partida, em entrevista ao SporTV, o treinador explicou a decisão de improvisar o volante em vez de escalar Marcelo Hermes, especialista na função. ;Testado na direita, Romero sempre foi bem. Temos uma ideia inicial de conter esse ímpeto (do Corinthians);. Do lado corintiano, Jair Ventura apostou nas entradas do veterano Emerson Sheik, de 40 anos, e do centroavante Jonathas, de 1,90m, que teria a missão de brigar com Dedé e Leo na bola aérea.

O Cruzeiro cedeu a posse de bola ao Corinthians, mas não baixou suas linhas. A marcação firme começava desde o meio-campo, com Robinho, Thiago Neves e Rafinha fechando os espaços e facilitando o trabalho dos jogadores de defesa. Se os donos da casa conseguiam algum sucesso diante da primeira linha celeste, complicavam-se na sequência da jogada. Os inúmeros lançamentos, seja pelo meio ou nas laterais, eram tranquilamente afastados por Dedé, que também foi eficiente e veloz nos botes por baixo.

A estratégia estava bem desenhada. Se o Corinthians vacilasse em algum momento, o Cruzeiro estaria pronto para incomodar. Aos 20, Léo Santos e Henrique bateram cabeça na zaga, e Thiago Neves arriscou de primeira, porém fraco, nas mãos de Cássio. O primeiro erro foi perdoado. O segundo, não. Aos 27, Léo Santos se atrapalhou na lateral de campo para tentar evitar uma saída de bola. Rafinha recuperou a redonda e passou para Barcos, que se livrou de Gabriel e chutou colocado no canto esquerdo. Após a bola explodir na trave, Robinho pegou a sobra e bateu de primeira, fora do alcance de Cássio. Silêncio da multidão corintiana. Festa azul: 1 x 0.

No segundo tempo, o árbitro Wagner do Nascimento Magalhães virou protagonista por causa de suas consultas ao árbitro auxiliar de vídeo. Aos sete, ele foi avisado por Wilton Pereira Sampaio, responsável pela coordenação do VAR, de que havia um lance duvidoso na dividida entre Ralf e Thiago Neves. Ao assistir às imagens, o juiz deu pênalti. Na cobrança, aos nove, Jadson cobrou do lado direito, e Fábio pulou para o esquerdo.

Não valeu...
Aos 24, o Corinthians marcou o segundo gol, em belo chute de longa distância de Pedrinho, que encobriu Fábio. Mas Wagner Magalhães novamente recorreu ao VAR. Na consulta ao vídeo, ele identificou um tapa de Jadson no peito de Dedé, momentos antes da conclusão do atacante. O lance foi invalidado, para alívio dos cruzeirenses e revolta da torcida corintiana, em Itaquera.

Passados os lances polêmicos, o Corinthians seguiu com 70% de posse de bola, enquanto o Cruzeiro, com os velozes e ágeis Raniel e Arrascaeta em campo, ficou à espera do contragolpe. Aos 36, a dupla resolveu a parada em São Paulo: após toque de Raniel, o uruguaio carregou a bola em direção à área e tocou por cima de Cássio para fazer 2 x 1. Coube à torcida celeste fazer contagem regressiva e celebrar o tão esperado hexa da Copa do Brasil.


;Vida de técnico de futebol é tomada de decisão o tempo inteiro. Fico feliz de integrar esse grupo, que demonstra confiança no meu trabalho;
Mano Menezes, técnico do Cruzeiro


;Todos torcemos para um futebol cada vez mais justo. O VAR favoreceu a verdade e damos glória a Deus por mais esse título;

Fábio, goleiro do Cruzeiro

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