Ao natural

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O uso de plantas e ervas para preparar cosméticos, produtos de higiene e até medicamentos tem ganhado cada vez mais adeptos. Saiba como aderir aos produtos de forma segura

Por Ailim Cabral Por Ana Flávia Castro*
postado em 21/10/2018 00:00
 (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)

Nos tempos antigos, a humanidade descobriu que o poder das plantas ia além da alimentação. Propriedades curativas, higienizadoras e cosméticas fascinaram os sábios e, assim, surgiram curandeiros, herbolários e até mesmo ;bruxas;, como eram julgadas as mulheres que trabalhavam com as peculiaridades da natureza, realizando feitos considerados mágicos.

Durante milhares de anos, folhas, raízes, extratos, óleos e seivas eram explorados, trabalhados, aplicados como emplastros e consumidos como chás e remédios. As plantas se tornaram as principais fontes para os produtos de cuidados pessoais e de saúde.

A industrialização trouxe uma infinidade de avanços aos setores farmacêutico e cosmético. Mas, se os produtos se tornaram mais seguros, também se apresentam com mais substâncias sintéticas. Conforme a tecnologia avança, porém, empresas e consumidores, cada vez mais preocupados com o que ingerem e consomem, voltam a apostar no poder dos ativos naturais.

Foi essa preocupação que aproximou a nutricionista Fernanda Vargas da cosmetologia natural. ;Queria reduzir ao máximo a exposição a contaminantes e aditivos químicos presentes em cosméticos;, justifica.

Os hidratantes e sabonetes corporais usados hoje por ela são exclusivamente naturais, mas Fernanda ainda encontra dificuldade em substituir alguns produtos que, muitas vezes, não oferecem os mesmos efeitos dos industrializados ou são pouco acessíveis, como as pastas de dente, que costumam ser bem mais caras que as tradicionais.

No caso dos desodorantes, apesar de fáceis de encontrar, Fernanda não sente que têm o mesmo poder antitranspirante. ;Gosto de intercalar desodorante natural com tradicional, sempre observando os níveis de alumínio presentes nos industrializados;, explica.

A nutricionista também evita ao máximo o uso de medicamentos alopáticos. Quando começa a ficar doente, já aposta nos chás. O consumo de gengibre, própolis e cúrcuma ; orgânicos, de preferência ; já faz parte dos seus cuidados com a saúde.

Fernanda comemora o crescimento da demanda por esse tipo de produto. ;Além de reduzir a exposição a substâncias potencialmente tóxicas para nosso organismo, diminuímos o impacto no meio ambiente;, afirma. Ela acredita que quanto maior a procura, maior será a oferta, o que vai permitir que os produtos se tornem mais acessíveis para a população de uma forma geral.

Mudança na pele

Laís Guedes, 25 anos, justifica que prefere produtos naturais por uma questão de cuidado consigo mesma. ;Eu comecei a perceber que tudo que eu utilizava na pele faria parte do meu corpo. Com esses produtos, sinto segurança de que estou tendo contato com materiais muito menos agressivos e que meu organismo recebe o que deve receber. Nada além disso.;

Há quatro anos, a educadora só utiliza desodorantes, filtro solar e batons feitos com base em ervas e plantas, e notou a diferença. ;Eu sinto que a minha pele respira mais, tem mais saúde. Tenho a sensação de estar completamente limpa e fresca.;

Laís aprecia a individualidade que os produtos naturais têm. ;Eu comecei a identificar que aquele era o meu cheiro, e não de um produto químico;, conta. Para ela, a preferência por produtos não industrializados é uma questão de ;saúde pública, bem-estar e autoconhecimento;.

*Estagiária sob supervisão de Sibele Negromonte

Cuidado e eficácia

Para Grazielle de Castro Carneiro, farmacêutica da Farmacotécnica, na evolução da cosmética, o que a indústria busca fazer é criar produtos capazes de realçar, manter e preservar a pele ; ou prevenir e até mesmo reverter danos ; a partir de insumos oferecidos pela natureza. ;Temos buscado usar cada vez menos substâncias fabricadas.;

No entanto, em tempos de internet, nos quais receitas caseiras se multiplicam, Grazielle alerta que usar plantas ou princípios ativos no organismo sem a devida orientação tem seus riscos. Reações alérgicas, dosagens equivocadas, vencimento dos ativos e armazenação incorreta são alguns dos problemas que podem surgir a partir da manipulação incorreta. Por isso, é importante se informar corretamente e buscar orientação profissional.

;O uso indiscriminado dessas plantas pode, muitas vezes, agravar outros problemas de saúde. Isso porque todo medicamento oferece alguma reação adversa. Por outro lado, plantas usadas como condimentos ou alimentos há séculos podem ser consumidos no dia a dia para oferecer pitadas de saúde;, pondera.

Poderes comprovados

Apesar dos cuidados necessários, algumas plantas podem ser usadas livremente pela população, pois não oferecem efeitos colaterais ou contraindicações elevadas. Em termos cosméticos, por exemplo, é ressaltado o uso do pepino gelado na região dos olhos. Ele é vasoconstritor e tem ação clareadora da pele, ajudando a diminuir as olheiras e a aparência de cansaço.

O óleo de coco e a babosa também podem ser aplicados na pele e no cabelo com o intuito de restauração e hidratação. Já para pequenos desconfortos de saúde, os profissionais indicam a camomila, o guaco e a espinheira-santa sem maiores problemas.

Pérola Magalhães, professora doutora e uma das coordenadoras do Laboratório de Produtos Naturais da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (UnB), acrescenta também os produtos para os cabelos feitos à base de camomila. ;Há cerca de 30, 40 anos, o xampu de camomila (Matricaria chamomilla) era muito utilizado, devido à alegada propriedade de clarear os cabelos.;

A professora e suas colegas coordenadoras, Dâmaris Silveira e Yris Fonseca Bazzo, afirmam que a utilização de ativos derivados de plantas ; em especial as nativas ; em produtos de cosmética e higiene agrega um grande valor ao produto.

Elas explicam que os ativos à base de extratos vegetais contêm uma diversidade de compostos químicos com propriedades que vão desde atividade antioxidante, auxiliando na prevenção do envelhecimento devido à ação de radicais livres, passando por propriedades de clareamento da pele, nutrição, etc.

;Quando as plantas são obtidas de forma sustentável, esse valor agregado auxilia na preservação da biodiversidade. Hoje, com empresas investindo em espécies nativas, a diversidade de produtos de alta qualidade no m

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