Passagem livre para mulheres e crianças

Passagem livre para mulheres e crianças

postado em 21/10/2018 00:00
 (foto: Pedro Pardo /AFP)
(foto: Pedro Pardo /AFP)


Autoridades mexicanas abriram ontem a fronteira sul, com a Guatemala, para mulheres e crianças que integram uma caravana de cerca de 4 mil migrantes procedentes de Honduras. O grupo segue uma marcha iniciada na semana passada, com destino aos Estados Unidos, e aguarda permissão para entrar em território mexicano. O governo do presidente Enrique Peña Nieto, que encerra o mandato em dezembro, está sob pressão de Washington para impedir a passagem dos hondurenhos. A caravana, fruto da pobreza e da violência no país, desafia a política do presidente Donald Trump de tolerância zero com a imigração ilegal e antecipa os atritos que poderá ter com o próximo governante mexicano, o esquerdista Andrés Manuel López Obrador. O presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, viajou ontem para a Guatemala para discutir a crise.

A primeira noite de espera junto da ponte internacional que une Guatemala e México foi marcada por sustos para os milhares de centro-americanos reunidos perto da cerca de fronteira. Havia rumores de que um grupo tentaria forçar a passagem. Na sexta-feira, a polícia mexicana usou gás lacrimogêneo para conter distúrbios. Cinco homens conseguiram acalmar a atmosfera entre os migrantes e iniciaram um diálogo improvisado, entre as barras da cerca, com um comandante mexicano, que não quis ser identificado, diante de quase 200 policiais que passaram a noite de vigia.




Fuga da violência

Um dos organizadores do grupo informou que a tentativa dos hondurenhos de chegar aos EUA é consequência da escalada de criminalidade, dos preços altos da cesta básica e das tarifas de energia e água. Mas, diante da incerteza, dezenas dos que chegaram à cidade guatemalteca de Tecun Uman optaram por voltar para casa, em ônibus fornecidos pelo governo.

Dezenas de crianças e bebês estão entre os migrantes que lotam a ponte sobre o rio Suchiate. No acampamento improvisado, algumas pessoas demonstravam impaciência com a impossibilidade de atravessar a fronteira. Integrantes da caravana que tinham documentos válidos conseguiram entrar no México, mas alguns se arriscaram a cruzar o rio Suchiate em barcos improvisados ou a nado. O embaixador mexicano na Guatemala, Luis Manuel López, disse à agência de notícias France-Presse que as pessoas que tentam chegar aos EUA serão registradas no México e pernoitarão em um posto migratório, de onde serão conduzidas para um albergue em Tapachula.

O presidente classifica como ;inédita; a situação na fronteira sul e advertiu que seu governo não permitirá a entrada irregular de migrantes, ;muito menos de forma violenta;. ;A entrada pela força no país não apenas atenta contra a nossa soberania, mas também coloca em risco os próprios migrantes;, escreveu Peña Nieto nas redes sociais.

Apesar das declarações, ele reafirmou que o México mantém a disposição de apoiar os migrantes que decidam entrar no país respeitando as leis. A caravana teve como ponto de partida a cidade de San Pedro Sula, no norte de Honduras, após uma convocação divulgada pelas redes sociais. Em resposta, Donald Trump ameaçou cortar a ajuda econômica dos EUA para Guatemala, El Salvador e Honduras, caso as autoridades não se empenhassem em conter a marcha. O presidente americano também cobrou uma atitude do governo mexicano e acenou com o envio de reforço militar para a fronteira bilateral, caso os migrantes avançassem.

4mil
Total aproximado de migrantes retidos na fronteira entre Guatemala e México



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