Delegada do caso 113 Sul é presa

Delegada do caso 113 Sul é presa

Ela cumprirá pena de 16 anos pelos crimes de fraude processual, falsidade ideológica, tortura e violação de sigilo

Ana Maria Campos
postado em 21/10/2018 00:00
 (foto: Elio Rizzo/Esp. CB/D.A Press - 28/1/10)
(foto: Elio Rizzo/Esp. CB/D.A Press - 28/1/10)

A Corregedoria da Polícia Civil do Distrito Federal cumpriu ontem mandado de prisão em regime fechado contra a ex-delegada Martha Vargas, condenada em segunda instância a 16 anos de prisão pela má condução das investigações de um caso, cometendo os crimes de fraude processual, falsidade ideológica, tortura e violação de sigilo funcional durante a condução das investigações de um triplo assassinato. Ocorrido em agosto de 2009, o crime chocou o DF e ficou conhecido como ;o assassinato da 113 Sul;.

Na última segunda-feira (15), o juiz Nelson Ferreira Junior, da 6; Vara Criminal de Brasília, ordenou o início da execução da pena. O mandado de prisão foi expedido pela juíza da Vara de Execuções Penais, Leila Cury, com base em entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) segundo o qual a pena deve ser executada a partir da condenação em segunda instância.

De acordo com a denúncia dos promotores do Núcleo de Investigação e Controle da Atividade Policial (NCAP), Martha Vargas plantou provas para incriminar pessoas inocentes no caso, além de ter cometido outras irregularidades graves durante o inquérito sobre a morte do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) José Guilherme Villella, da mulher dele, Maria Villela, e da funcionária do apartamento do Bloco C da 113 Sul, Francisca Nascimento Silva. Eles foram mortos com 73 facadas.

Aposentadoria cassada

Em julho deste ano, Martha teve a aposentadoria cassada depois de ser alvo de um processo administrativo disciplinar da Polícia Civil do DF. Os motivos da cassação foram: transferência de responsabilidade da investigação para pessoa fora da repartição, maltrato a preso ou uso desnecessário de violência e abuso da condição de policial.

Nove anos depois

Os acontecimentos seguintes ao triplo assassinato se sucederam de modo peculiar e cercados de erros por parte da Polícia Civil. Houve provas plantadas, denúncias de tortura, conflitos internos na corporação, suposto envolvimento da filha do casal e até a participação de uma vidente, Rosa Maria, no caso. À época, ela procurou a Polícia Civil na intenção de revelar onde estava uma prova do crime, a chave do imóvel invadido. Após a apuração, a perícia constatou que a chave tinha sido plantada pela própria polícia. Martha Vargas foi, então, afastada, e a investigação ficou a cargo da Delegacia de Homicídios. Os três assassinos ; Leonardo Campos Alves, Francisco Mairlon e Paulo Cardoso Santana ; estão presos na Papuda. Juntas, as penas somam 177 anos.



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