Tremendão surfa no sucesso

Tremendão surfa no sucesso

Erasmo Carlos celebra 77 anos com vários prêmios, lança álbum e filme sobre sua vida

Irlam Rocha Lima
postado em 21/10/2018 00:00
 (foto: Guto Costa/Divulgação)
(foto: Guto Costa/Divulgação)
Aos 77 anos, Erasmo Carlos vive um dos melhores momentos da carreira, iniciada oficialmente na década de 1960. O Tremendão ; apelido que lhe foi dado à época da Jovem Guarda ; lançou em junho o álbum Amor é isso; na semana passada conquistou o Prêmio UBC. Em 19 de novembro, recebe o Prêmio Excelência Musical em solenidade no Grammy Latino, e, no próximo mês, chega ao circuito nacional de cinema Minha fama de mau, filme de Lui Farias, que mergulha na vida e na obra do roqueiro.

Na adolescência, em 1957, contaminado pela febre do rock and roll, Erasmo montou, no bairro carioca da Tijuca, onde nasceu, a banda The Sputnicks, que tinha como outros integrantes Arlênio Lívio, Wellington Oliveira e os futuros astros da música Roberto Carlos e Tim Maia. Foi Arlênio quem o apresentou a Roberto, capixaba de Cachoeiro de Itapemirim, de quem viria se tornar, tempos depois, ;amigo de fé, irmão, camarada; ; como cantou na canção Amigo. Para isso, contribuiu a admiração que ambos tinham por Elvis Presley, James Dean e Marlon Brando.

Movimento jovem

Com Roberto e Wanderlea, Erasmo liderou, na segunda metade da década de 1960, a Jovem Guarda, originalmente um programa de tevê de muito sucesso que, sob a influência dos Beatles, se tornaria o primeiro movimento de música jovem no Brasil. Paralelamente à Jovem Guarda, o cantor, compositor e guitarrista daria início à carreira solo, ao lançar o LP A Pescaria. De lá para cá lançaria 30 discos. Num deles, Erasmo convida, de 1980, contou com a participação de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Jorge Ben Jor, Gal Costa, Maria Bethânia, Nara Leão e Rita Lee, entre outros.

O Prêmio UBC, recebido por Erasmo no dia 9 último é uma iniciativa da União Brasileira de Compositores, e a homenagem veio em decorrência da sua importante contribuição para a música popular brasileira. É por sua extensa obra ; mais de 800 canções ; que o Tremendão será homenageado na 19; edição do Grammy Latino. Ele receberá o Prêmio à Excelência musical em19 de novembro, em Las Vegas (EUA).

Também em novembro, chega às telas de cinema do país Minha fama de mau, o longa-metragem dirigido por Lui Farias, que se baseia no livro de memórias, lançado em 2009, evoca histórias divertidas vividas pelo cantor ao longo da carreira. No filme, o ator Chay Sued é quem dá vida a Erasmo. Gabriel Leone é o intérprete de Roberto; e Malu Rodrigues representa Wanderléa.



Entrevista / Erasmo Carlos


Como se sente aos 77 anos bem vividos?
Tento privilegiar a jovialidade e a música contribui muito para isso. Trabalho bastante e busco me relacionar da melhor maneira com as pessoas que me cercam: familiares, amigos, colegas de ofício, fãs e o pessoal da imprensa, de quem sempre recebo atenção.

O que representou para você ser o escolhido para receber o Prêmio UBC em 2018?
Vejo como uma coisa bonita, uma vez que a escolha foi feita por colegas de profissão. Para mim, é um orgulho saber que a minha obra recebeu deles uma avaliação positiva, a ponto de me atribuir um prêmio dessa importância.

E a homenagem no Grammy Latino tem que importância, na sua avaliação?
Recebo com um misto de humildade e grande satisfação. É uma premiação pelo conjunto da minha obra. Certamente, vou me emocionar muito ao recebê-la.

Se tivesse de fazer uma revisão de seu trabalho, ao longo da carreira, no que buscaria um maior aprimoramento?
Fiz canções que foram consagradas pelo público, tenho o respeito da classe artística, faço muitos shows e tenho recebido vários prêmios. Mas acho que deveria ter dado mais atenção à guitarra, o instrumento que me acompanha, praticamente, desde o início da minha trajetória.

Amor é isso, o novo disco, se caracteriza pelo romantismo. Pelo menos nesse projeto, o rock foi deixado de lado?
Independentemente de estilo ou gênero, o amor precisa estar em primeiro plano, principalmente nos tempos que estamos vivendo, com um clima de tanto acirramento e de violência. Ao contrário de outros discos, nesse canto músicas de outros compositores, entre eles, Arnaldo Antunes, Nando Reis, Samuel Rosa, Marcelo Camelo, Emicida e Adriana Calcanhoto. Estou em apenas duas parcerias, uma com Marisa Monte e Dadi Carvalho (Convite para nascer de novo), e outra póstuma, com Tim Maia (Novo love). A produção é do Pupillo e a direção artística de Marcus Preto.

Qual a visão do Brasil neste momento tão conflagrado?
O Brasil me parece uma coisa sem futuro. Vivemos um momento gravíssimo, com as pessoas se agredindo, como se fossem inimigas, tudo por conta de posicionamento político. Estou muito temeroso com o que vem por aí.




Roberto Carlos em espanhol

Ganhador de quatro Grammy Latinos e um Grammy como melhor cantor latino, Roberto Carlos acaba de lançar Amor sin limite, o primeiro álbum de músicas inéditas do cantor na língua espanhola, em 25 anos. Produzido por Afo Verde, CEO e presidente da Sony Latino Ibérica, o disco traz 10 canções, sendo quatro compostas para esse projeto e seis gravadas pela primeira vez em espanhol ; todas com a inconfundível assinatura do Rei.

O primeiro single de Amor sem limite foi Regreso, balada sobre piano e arranjo de cordas, lançado em junho. O novo trabalho do cantor tem a participação de grandes estrelas da música mundial. Alejandro Sanz colabora em Esa mujer, segundo single do CD em canção-diálogo entre os dois, que estabelecem um clima romântico.

Jennifer Lopez participa da pop e Llegaste, que ganhou versão em português no Brasil. Junto ao lançamento de Amor si limite, Roberto estreou Que yo te vea, o terceiro single, com toques de salsa e mambo, em que se destacam o violão e a percussão. Na canção que dá título ao álbum, o verso inicial diz: ;Cuando uno siente amor de verdad/ Ese amor no se olvida/ El tiempo pasa, tudo pasa, y em el pecho/ Ese amor siempre ainda...;




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