Oito pontos separam capitão e petista

Oito pontos separam capitão e petista

Pesquisas mostram que não tem como apostar em vencedor no estado. De acordo com o Ibope, João Doria e Márcio França estão rigorosamente empatados com 50% cada. Datafolha dá vantagem, pela primeira vez, ao pessedebista

postado em 28/10/2018 00:00
 (foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press



)
(foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press )

No maior colégio eleitoral do país, cada voto será decisivo para garantir a eleição do próximo governador. Isso porque, segundo as pesquisas de intenção de voto, ambos os candidatos que disputam o Palácio dos Bandeirantes têm chances reais de se eleger. Levantamento do Ibope, ontem, mostra João Doria, do PSDB, e Márcio França, do PSB, empatados com 50% dos votos válidos. Na pesquisa do Datafolha, pela primeira vez, o pessebista aparece na frente, com 51%, ante 49% do tucano.

Caso os paulistas decidam por Doria, o partido de Geraldo Alckmin deve seguir mais quatro anos à frente do estado, com uma gestão provavelmente abalada pela ruptura interna protagonizada pelos ex-prefeitos. Já se optar por reeleger Márcio França, será a primeira vez, em 24 anos, que um candidato não tucano assumirá o posto por meio do voto direto, com desafios de consolidar seu nome no interior.

Ex-prefeito de São Paulo, João Doria, 60 anos, compete no front cercado de polêmicas. Principalmente na capital paulista, onde esteve à frente da Prefeitura apenas durante 15 meses, a rejeição é alta. Além disso, um vídeo da suposta participação do candidato em ato sexual com cinco mulheres circulou pela internet. O ex-prefeito negou a veracidade das imagens e chamou a gravação de ;produção grotesca;, considerando-a fake news. Mesmo com esses impasses, Doria demonstra confiança por ter conquistado o apoio da maioria dos parlamentares eleitos pelo PSL, legenda do presidenciável Jair Bolsonaro.

Já o atual governador Márcio França, 55, que conta com apoio do senador eleito Major Olimpio, do PSL, prega a renovação partidária, mas não é novato na política. O pessebista assumiu o posto de chefe do Executivo local após a renúncia do ex-governador Geraldo Alckmin, que decidiu concorrer à Presidência e acabou em quarto lugar. Filiado ao PSB desde 1988, disputou eleição para a Câmara de Vereadores de São Vicente (SP). Foi eleito e, reeleito, cumpriu mandato até 1996, quando ganhou a eleição para a Prefeitura. Em 2000, foi mantido no cargo. Tornou-se deputado federal em 2006. Em 2011, ocupou o cargo de secretário de Turismo de Alckmin. Em 2014, quando o tucano conseguiu o apoio do PSB, ofereceu a vaga de vice ao pessebista.

Doria e França se destacaram por, mesmo com os ataques, protagonizar debates propositivos no segundo turno. Com postura mais conservadora, o ex-prefeito de São Paulo João Doria defendeu pautas como a redução da maioridade penal e se declarou contra a descriminalização do aborto. França, buscando afastar-se do PT, mas sem apoio declarado a Bolsonaro, ressaltou as obras entregues em sua rápida gestão.

Novo lidera em Minas

Com uma campanha travada, principalmente no campo econômico, os mineiros decidem hoje entre Romeu Zema (Novo) e Antônio Anastasia (PSDB) quem comandará o estado pelos próximos quatro anos. Considerado um outsider na política, Zema lidera as intenções de voto, com 70% contra 30% para o tucano, segundo o Datafolha.

Formado em administração de empresas pela Fundação Getulio Vargas, Zema é um dos donos do grupo Zema, que possui 430 lojas de varejo, distribuídas em seis estados. Do outro lado, Anastasia foi governador do estado entre 2010 e 2014, quando renunciou ao cargo para participar da estruturação de campanha do então candidato à presidente Aécio Neves (PSDB).

A crise fiscal em Minas de Gerais, com o parcelamento do salário de servidores, dividiu os candidatos. Enquanto Zema promete só receber salário de governador, caso eleito, quando colocar em dia a situação do funcionalismo, Anastasia garante pagamento no quinto dia do mês subsequente.

Para a área da saúde, Anastasia promete estabelecer parceria, com o governo federal para obter verbas. Já Zema prevê convênio com a iniciativa privada para complementar o atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS) à população.

Independentemente do vitorioso, Minas Gerais enfrenta uma forte crise fiscal. O orçamento, aprovado pela Assembleia Legislativa estadual (ALMG) neste ano prevê um deficit nas contas públicos, em R$ 8 bilhões, enquanto que o novo projeto de orçamento que tramita na ALMG estipula rombo de R$ 11,4 bilhões.

Empate técnico no Rio
Uma virada de última hora nas intenções de voto deixa indefinida as eleições para o governo do Rio de Janeiro. Ontem, pesquisas mostraram empate técnico entre o ex-juiz federal Wilson Witzel, 50 anos, do PSC, e o ex-prefeito da capital Eduardo Paes, 48, do DEM. O Datafolha registrou 53% dos votos válidos para Witzel e 47% para Paes, enquanto que, no Ibope, os percentuais são 54% e 46%, respectivamente.

Para enfrentar a difícil missão de tirar o estado da crise financeira e da violência, os candidatos têm propostas diferentes. Paes, que foi surpreendido no primeiro turno com a ascensão de Witzel, defende a manutenção do Exército no estado ; com alterações logísticas ;, a criação de uma força-tarefa de inteligência e o reforço nas medidas de segurança nos presídios. Para a estabilização econômica, sugere otimizar a criação de empregos com a potencialização da indústria e, na área da educação, promete aumentar o salário dos professores.

Já o ex-juiz tem planos de melhorar a qualidade do serviço penitenciário, com propostas de oferecer trabalho e estudo ao presidiário. Pretende ampliar o acesso ao crédito para micro e pequenos empresários, além de, no campo da educação, criar uma rede de escolas estaduais militares. O candidato do PSC promete construir até 250 clínicas da família. Ambos os candidatos têm planos para combater a violência contra mulheres e LGBTs.

Paes começou a diminuir a diferença de votos em relação ao adversário na última quarta-feira. Investiu no corpo a corpo e manteve o ritmo frenético nas campanhas de rua.

Indefinição até o fim no MS

O governo de Mato Grosso do Sul será disputado hoje nas urnas pelo atual governante do estado, Reinaldo Azambuja, do PSDB, e por Juiz Odilon, do PDT. Sem nome favorito, a corrida no estado mostrou, até agora, certa indecisão do eleitor. Última pesquisa de intenção de voto do Ibope revelou que Azambuja, 55 anos, está com 51% contra 49% de Odilon, 68 anos. O tucano foi investigado neste ano pela Polícia Federal por estar ligado a um esquema de propinas que beneficiava a JBS e outros frigoríficos do estado. Já o candidato do PDT representa a figura de outsider, característica cara a estas eleições. Juiz aposentado reconhecido pelo combate ao narcotráfico na fronteira com o Paraguai, tem como discurso principal o combate à corrupção. Contrariando a decisão do PDT, que declarou apoio crítico a Fernando Haddad, se posicionou a favor de Bolsona

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação