O que esperam os eleitores

O que esperam os eleitores

O Correio foi às ruas ouvir os anseios de alguns dos mais de 147 milhões de pessoas que vão às urnas hoje para escolher o próximo presidente. Saúde, segurança e educação são prioridades para a maioria consultada

Paloma Oliveto
postado em 28/10/2018 00:00
 (foto:  Arthur Menescal/Esp. CB/D A.Press )
(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D A.Press )

O desejo por um país melhor move hoje 147,3 milhões de brasileiros que vão às urnas escolher o 38; presidente da República, o oitavo desde a redemocratização. Independentemente de posicionamento político, eleitores ouvidos pelo Correio querem investimentos em direitos constitucionais básicos e esperam ver um Brasil com mais qualidade nos serviços de saúde, segurança e educação. ;São coisas que todos prometem, mas nunca fazem;, aponta o massoterapeuta Genisson Francisco Pereira, 59 anos. Reequilibrar as contas também deve ser prioridade, segundo os eleitores. ;Não temos diretrizes econômicas e fiscais sólidas. Não adianta distribuir renda se não há essa solidez;, acredita Thâmara Dayane Cardoso Santos, 32, servidora pública. ;Espero que os homossexuais, os negros e os menos favorecidos socialmente não percam sua proteção constitucional, e que o Estado continue laico;, destaca a autônoma Tatiana Berioska, 33 anos. Embora alguns se digam desesperançosos com os próximos quatro anos, há quem acredite em um futuro mais próspero. ;Estou otimista e acho que o Brasil vai melhorar;, aposta a dona de casa Lúcia Amorim, 48 anos.

O cidadão fala:

Mudança radical


Mãe de dois filhos, a moradora de Sobradinho diz esperar uma mudança radical no país, para melhor. ;Tem de melhorar a situação em todos os sentidos, mas priorizar educação, segurança e saúde. As pessoas chegam aos hospitais, mas não conseguem atendimento. Tenho plano de saúde, mas quem depende dos hospitais públicos sofre mais;, afirma. ;Mas estou otimista e acho que o Brasil vai melhorar.;


Lúcia Amorim,
48 anos, dona de casa

Estado mínimo


Para o estudante de medicina, o Estado deve interferir o mínimo possível na economia, e o presidente precisa distribuir melhor suas atribuições. ;Precisamos de menos poder concentrado. Mesmo a pessoa mais inteligente do mundo não seria capaz de governar um país sozinha;, afirma. Ele defende liberdade econômica para o mercado, coisa que não acredita que acontecerá, independentemente de quem vencer o pleito hoje. ;Não acho que nenhum dos dois vai reduzir poderes. Em um primeiro momento, pode até ser que sim, mas depois de equilibrar a balança, volta a concentração;, acredita o jovem morador da Octogonal.


Pedro Simões Daher,
22 anos, estudante de medicina

Reforço na segurança


;As prioridades do novo governo têm de ser saúde, segurança e moradia para quem não tem. Acho difícil que aconteça uma reforma política, apesar de o povo já ter começado a renovar o Congresso;, opina o militar da reserva. Casado e pai de duas filhas, o morador da Estância Jardim Botânico também quer ver o país livre da corrupção. ;Tem de mudar esse sistema de ;toma lá dá cá;, que existe em todos os Poderes. Na segurança, é preciso mudar a legislação, que só existe para proteger bandido. Tem de combater o poder do submundo, que está cada vez mais organizado.;


Ernesto Castro,
75 anos, militar da reserva

Cumprimento de promessas


Segurança, saúde e educação devem ser a prioridade do novo governo, defende o massoterapeuta. ;Coisas que todos prometem, mas nunca fazem. Eu mesmo levei minha filha ao hospital e ficamos das 7h às 19h, sem conseguir atendimento;, reclama. O morador de Planaltina também quer justiça social. ;Só se persegue preto, pobre e prostituta.; Descontente com as duas opções de candidatos no segundo turno, ele diz que o país está ;entre a cruz e a espada;. ;Um é do PT, que deixou o país sofrendo desse jeito. O outro é radical, e o Brasil já está um barril de pólvora. Eu vivi uma ditadura e sei como é. Do jeito que estamos, só Deus mesmo.;


Genisson Francisco Pereira,
59 anos, massoterapeuta

Solidez econômica


A servidora pública quer que o futuro presidente dedique-se mais à pauta econômica. ;Espero mais responsabilidade na gestão fiscal, comprometimento com a inflação e a valorização da nossa moeda. Também é preciso aplicar o dinheiro corretamente em políticas sociais, saúde e educação;, enumera. Para a moradora da região do Grande Colorado, os programas sociais dependem da boa gestão da política econômica. ;Não temos diretrizes econômicas e fiscais sólidas. Não adianta distribuir renda se não há essa solidez.;


Thâmara Dayane Cardoso Santos,
32 anos, servidora pública

Mudança radical


Morador de Recife, o corretor imobiliário quer melhorias na segurança pública e na educação. ;Educação muda completamente um país;, acredita. Para ele, é preciso recuperar a economia. ;O Brasil viveu uma ilusão econômica, de que estava indo bem. Agora, está pagando a conta por isso. Somos vendedores de commodities: vendemos a matéria-prima barata e compramos caro o produto pronto;, diz. Ele também defende investimentos na saúde. ;Precismos cuidar dos hospitais para que eles cuidem das pessoas.;


Edjasme Nunes Silvestre,
43 anos, corretor de imóveis

Mais proteção


A odontóloga quer que o próximo governo invista mais em segurança pública. ;Ultimamente, tenho medo de ir da minha clínica até a esquina. Não existe mais horário para ser assaltado, sequestrado;, afirma. Ela também defende uma reforma no Judiciário, que torne o sistema mais célere. ;A nossa Justiça sempre foi lenta, e, agora, anda de muletas. Chegamos no nosso limiar, não estamos aguentando mais. Resolveram transformar o dinheiro público, que é nosso, em privado;, lamenta a moradora de Recife, casada e mãe de três filhos.


Adélia Oliveira,
52 anos, odontóloga

Combate à corrupção


Educação, segurança e combate à corrupção devem ser prioridades do próximo governante, na opinião da estudante de direito. ;É preciso focar no ensino fundamental e médio, que são a base, e na formação de mais policiais, para conter a onda de assaltos. Também precisamos de um governo menos corrupto, que garanta os direitos das pessoas;, enumera a moradora da Asa Norte. Contudo, ela diz que está desesperançosa em relação ao futuro do país. ;Qualquer um d

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