Dois vices de última hora

Dois vices de última hora

Os candidatos à vice-Presidência foram escolhidos para as respectivas chapas quase no fim do prazo. Mourão foi a quarta opção de Bolsonaro. Manu abdicou de candidatura própria faltando minutos para o registro com Haddad

» ALESSANDRA AZEVEDO » BERNARDO BITTAR
postado em 28/10/2018 00:00
 (foto: Nelson Almeida - Mauro Pimentel/AFP - 8/10/18)
(foto: Nelson Almeida - Mauro Pimentel/AFP - 8/10/18)


Apesar de representarem chapas antagônicas ideologicamente, os candidatos a vice-presidente general Antônio Hamilton Martins Mourão (PTRB), de Jair Bolsonaro (PSL), e Manuela D;Ávila (PCdoB), de Fernando Haddad (PT), têm algo em comum: ambos foram escolhidos aos 45 minutos do segundo tempo. Mourão
foi a última opção de Bolsonaro, depois de três convites negados. Manuela, inicialmente cabeça de chapa pelo partido comunista, abandonou a candidatura própria para se registrar, no último minuto, como vice de Haddad após o ex-presidente Lula ser proibido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de sair candidato.

Quarta opção promete forte atuação

Após esbarrar em três convites frustrados e em negociações fracassadas com um punhado de militares e antipetistas, o PSL de Jair Bolsonaro escolheu o vice às vésperas do início da campanha eleitoral. O nome aprovado em 5 de agosto foi o do general Antônio Hamilton Martins Mourão (PTRB), 65 anos. Vice-presidente da República no governo do capitão, o general é considerado extremamente conservador. Tem posições que remetem à ditadura, acusam adversários. Defende inovação tecnológica, segurança e ordem, bradam aliados. Aos mais próximos, Mourão garante: será um vice muito atuante.

É justamente essa intensa vontade de participar que preocupa Jair Bolsonaro, com quem o general teve alguns estranhamentos durante a campanha. Mourão diz frases polêmicas, marca encontros sem avisar o cabeça de chapa e indica soluções improvisadas durante as reuniões que frequenta.

Embora tenha conquistado certa proeminência na campanha de Bolsonaro, Mourão não esteve na equipe de militares que ajudou o capitão nos primeiros contornos da candidatura. O PRTB, presidido por Levy Fidélix, acrescentou pouco à coligação em termos estratégicos, levando um segundo de televisão para o programa eleitoral ; e nada de dinheiro ; à chapa encabeçada pelo outrora nanico PSL.

Antes de Mourão foram cogitados o príncipe Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PSL), o senador Magno Malta (PR), o general Augusto Heleno (PRP) e a advogada Janaína Paschoal (PSL). O general entrou no Exército em 1972, na Academia Militar das Agulhas Negras, no Rio de Janeiro ; também frequentada por Bolsonaro. Foi instrutor, cumpriu missão de Paz em Angola e foi adido militar do Brasil na Venezuela. (BB)


Uma trajetória política superlativa

É difícil não saber quem é Manuela D;Ávila (PCdoB), e não só porque ela é a candidata a vice-presidente mais popular na internet, segundo pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV), e mais ativa na campanha. Antes de integrar a chapa de Fernando Haddad (PT), ela foi a vereadora mais jovem de Porto Alegre, em 2004; a deputada federal mais votada do Rio Grande do Sul, em 2006 e em 2010; e a deputada estadual também mais votada em 2014. Uma trajetória política invejável para quem completou, em agosto deste ano, 37 anos de idade.

Começou as eleições de 2018 como candidata à Presidência pelo PCdoB e abdicou da cabeça de chapa para se unir a Haddad, quando a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi impugnada. Ela fez questão de manter a consciência do protagonismo feminino para os projetos que propôs ao longo da caminhada que pode levá-la ao Palácio do Jaburu em janeiro, como primeira vice-presidente mulher da história do país.

Nunca um candidato a vice foi tão atacado quanto ela. A deputada teve que se desviar do machismo, cujas demonstrações foram facilitadas pelas fake news durante toda a corrida presidencial. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) teve que determinar a retirada de 33 notícias falsas no Facebook. Algumas foram veiculadas em propagandas eleitorais na televisão. Foi acusada de não ser cristã, teve que desmentir fotos e vídeos. Nessas eleições, as mulheres foram protagonistas nas manifestações nas ruas. Mas, nos palanques, a única representante mulher que chegou ao segundo turno foi Manuela D;Ávila. Como dizem pessoas próximas da candidata, ;lute como uma garota; não é só a frase que estampa as camisetas usadas durante os últimos meses. (AA)



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