Eixo capital

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Ana maria campos/anacampos.df@dabr.com.br
postado em 28/10/2018 00:00

Capítulos de uma novela eleitoral


Da OAB para o MDB

O advogado Ibaneis Rocha começou a trilhar os primeiros passos na política em 2016. Em conversas com amigos, demonstrava interesse em concorrer ao Palácio do Buriti. Em junho de 2017, a coluna Eixo Capital publicou a primeira entrevista em que Ibaneis revelou intenção de colocar seu nome na disputa ao GDF. Em outubro de 2017, transferiu o domicílio eleitoral do Piauí para o DF. Em novembro, se filiou ao MDB e foi lançado pré-candidato ao GDF. Com o crescimento de Jofran Frejat (PR) no cenário político, Ibaneis, em fevereiro, retirou seu projeto em nome do apoio ao ex-secretário de Saúde. A aposta era ser o vice.



Muitas conversas em vão

No primeiro semestre de 2018, houve muitas articulações políticas para formação de grupos. Quase surgiu, assim, uma aliança entre Jofran Frejat, o senador Cristovam Buarque (PPS/DF), Ibaneis Rocha e o presidente da Câmara Legislativa, Joe Valle (PDT). Mas todos tinham planos alternativos. Frejat estava com Alberto Fraga (PR) e com Tadeu Filippelli (MDB). Cristovam conversava com o deputado Izalci Lucas (PSDB) e com Rogério Rosso (PSD). Joe era impedido de fechar com Frejat por imposição do partido.



Dois candidatos fortes ficaram fora das eleições

Em abril, um encontro entre Jofran Frejat e Joe Valle, na casa do então pré-candidato ao GDF, quase selou uma aliança. Joe seria vice ou candidato ao Senado na chapa. Mas os dois acabaram ficando fora das eleições. Ambos alegaram motivos pessoais e contrariedade com os rumos da campanha. Mas até hoje há dúvidas sobre o real bastidor dessas desistências.




Aposta em união de forças

Dois pré-candidatos ao Palácio do Buriti decidiram se unir em junho. Eliana Pedrosa (Pros) e Alírio Neto (PTB) apostaram que juntos seriam fortes. A essa dupla uniram-se todos os integrantes do clã Roriz. Faltou, no entanto, um candidato com potencial para o Senado.




E o diabo melou a candidatura de Frejat

Pesquisas que circulavam nas campanhas indicavam que Frejat poderia derrotar Rollemberg no primeiro turno. O ex-secretário de Saúde era líder na disputa, mas não topou concorrer. ;Não vou vender a minha alma para o diabo;, justificou, na frase que vai marcar as eleições. Brigas por cargos, pressões politicas e falta de liberdade para agir foram as razões alegadas para o recuo. O movimento pegou todo mundo de surpresa, até os aliados que se preparavam para anunciar a chapa com Ibaneis de vice e Rosso e Fraga ao Senado.



Grupo rachado

Com a desistência de Frejat, a confusão se instalou. Uma reunião na casa de Ibaneis tomou a madrugada, em agosto. Pouco antes das 5h, o encontro foi encerrado sem acordo e muitos desentendimentos. Muita gente achou que poderia derrotar Rollemberg. Surgiram, assim, três candidaturas ao GDF de um grupo que poderia estar unido: Ibaneis, Fraga e Rosso. Arruda participou das discussões com a prioridade de ajudar a eleger a mulher, Flávia Arruda, deputada federal.



Fraga lança candidatura

Incentivado pelo ex-governador José Roberto Arruda (PR), o deputado Alberto Fraga (DEM) topou concorrer ao Buriti, deixando para trás uma candidatura mais tranquila ao Senado. Desde o começo, Fraga desdenhou da viabilidade de Ibaneis, por considerar que o advogado, um neófito, não teria o seu patamar de votos. Arruda depois tentou unir o grupo, mas Fraga não aceitou. Foi para a disputa, com Izalci Lucas (PSDB) na corrida ao Senado.



Rosso no páreo

Nome competitivo para a reeleição, o deputado Rogério Rosso (PSD) acreditou que, num jogo sem favoritos, poderia conquistar a preferência do eleitorado. O vice-governador Renato Santana (PSD) representaria o grupo na disputa à Câmara dos Deputados. Construiu uma chapa com o senador Cristovam Buarque (PPS/DF) e o empresário milionário, dono da União Química, Fernando Marques (SD). O vice, Egmar Tavares (PRB), representava os evangélicos.



Rollemberg fecha com Eduardo Brandão e Leila

Rollemberg (PSB) fechou uma aliança com partidos de centro-esquerda. O presidente do PV/DF, Eduardo Brandão, foi escolhido vice, numa aliança com a Rede, PCdoB e PDT. Durante meses, o grupo acreditou que a ex-secretária de Planejamento Leany Lemos (PSB) seria candidata ao Senado, ao lado do deputado Chico Leite (Rede). Na última hora, no entanto, Rollemberg lançou Leila do Vôlei (PSB). Pesquisas internas indicavam o potencial de votos da medalhista olímpica.



Com interferência nacional, PDT se alia a Rollemberg

Durante meses, Rodrigo Rollemberg costurou nacionalmente uma aliança com o PDT, uma negociação que contava com a simpatia do candidato do partido à Presidência, Ciro Gomes. O PDT/DF chegou a lançar uma pré-candidatura ao GDF, com Peniel Pacheco, mas foi levado a se coligar com Rollemberg. Pedetistas do DF ainda tentaram se aliar à campanha de Eliana Pedrosa, mas prevaleceu a união com Rollemberg .



Jogo embolado, com Eliana na liderança

As pesquisas de intenções de votos do primeiro turno revelaram uma disputa embolada com quatro candidatos com chance de chegar ao segundo turno: Eliana Pedrosa, Rollemberg, Fraga e Rosso. No primeiro levantamento, no início da campanha, Ibaneis tinha 0,2% dos votos. Eliana liderou por semanas. Começou a cair numa entrevista desastrada, quando confirmou intenção de construir dois estádios numa cidade traumatizada pelos escândalos do Mané Garrincha.



Fraga é condenado

No primeiro pelotão da corrida ao Buriti, Alberto Fraga sofreu uma condenação judicial por cobrar propina de cooperativas de transporte. Relacionado ao tempo em que foi secretário de Transportes, o processo passou anos parado no STF e baixou para a primeira instância meses antes do início da campanha com a restrição do foro especial a casos ocorridos no exercício do mandato. Fraga se destemperou. Em evento com PMs, atacou o juiz. Começou a cair.



Ibaneis sobe nas pesquisas como foguete

De 0,2% das intenções de votos, Ibaneis Rocha começou a subir. Fez um programa para o rádio e para a televisão inspirado em campanhas de Roriz e prometeu reajustes para servidores públicos, policiais civis e PMs. Com recursos próprios, fez uma campanha rica, conquistou muitos apoios e incorporou a imagem da novidade nas eleições que candidatos como Alexandre Guerra (Novo) tentaram construir. Virou o fenômeno das eleições no DF.



General vira opção por identida

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