Passo a passo para estudar fora

Passo a passo para estudar fora

As bolsas de estudos são ótima oportunidade para jovens que querem estudar em outro país, mas não têm reservas financeiras para isso. O fim do ano é a melhor temporada para inscrição em programas do tipo

Darcianne Diogo*
postado em 28/10/2018 00:00
 (foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)

Em um mundo globalizado e conectado, as distâncias parecem diminuir, e experiências internacionais se tornam mais comuns e também valorizadas, constituindo um salto na carreira. Especialmente quando a temporada no exterior envolve capacitação. Para muitos, estudar fora parece um sonho impossível, especialmente por questões financeiras. Um ano de graduação na Universidade Harvard, nos Estados Unidos, por exemplo, custa cerca de R$ 175 mil. Isso sem contar material didático, alimentação... Juntando tudo, seriam necessários cerca de R$ 270 mil. No entanto, são muitas as chances de participar de uma formação em outro país de graça ou gastando muito menos, graças às bolsas de estudos, oferecidas por universidades, ONGs, órgãos públicos e uma diversidade de entidades mundo afora.

Se o seu objetivo é agarrar uma chance dessas, a boa notícia é que há vários editais com inscrições abertas. Este é o momento ideal para tentar uma série de seleções: o fim do ano é o período em que boa parte das universidades estrangeiras lançam programas do tipo. ;As oportunidades são inúmeras e espalhadas por todo o mundo. Cabe ao estudante traçar uma meta e escolher o destino e as condições necessárias;, orienta Bruna Amaral, proprietária do site Partiu Intercâmbio, que recebe mais de 700 mil visitas por mês. ;O segundo semestre do ano costuma ser cheio de oportunidades. No entanto, às vezes, o período durante o qual os editais ficam abertos e o tempo para conseguir toda a documentação exigida podem se tornar um problema se você não iniciar a preparação bem antes;, observa. Segundo ela, a onda das bolsas continua até maio, mas nada de se acomodar! ;O interessante é começar a buscar oportunidades o quanto antes, até mesmo para você saber o que existe na sua área e é exigido.;

A grande quantidade de editais abertos agora se deve ao processamento das candidaturas. ;Na Europa e na América do Norte, o ano letivo começa entre setembro e outubro. Assim, os programas têm bastante tempo para selecionar bolsistas, e os candidatos também têm tempo suficiente para correr atrás dos trâmites burocráticos de estudar fora, como visto;, afirma. Para participar, claro, não basta vontade: em geral, exige-se domínio do inglês e, dependendo da nação, de alguma outra língua. As seleções são bastante competitivas, então toda a bagagem profissional e educacional do candidato contará. Em muitos casos, é necessário apresentar certificados internacionais de competência linguística ; o que demanda tempo e dinheiro. É fundamental avaliar, além dos critérios de admissão, objetivo, duração e valor do programa.

Requisitos
Segundo Denis Fadul, gerente da empresa de intercâmbio World Study, em Brasília, o primeiro passo é ter nível de inglês avançado. A falta desse requisito pode barrar muitos candidatos. ;A língua é o principal elemento, e o aluno não tem que simplesmente falar, precisar provar que sabe. Por exemplo, na Alemanha, há muitas instituições gratuitas, mas exigem que você saiba o idioma, ou pelo menos o inglês;, conta. A dica é buscar se aprofundar na língua fazendo cursos. Outro impasse é a falta de planejamento financeiro. ;A pessoa tem que ter uma noção de quanto vai gastar e se programar pelo menos com um ano de antecedência;, completa Fadul, engenheiro de computação. Afinal, mesmo com bolsa de estudo, pode haver custos, por exemplo, de alimentação, xérox e livros. Segundo a coordenadora de conteúdo da Fundação Estudar, Nathalia Bustamante, é fundamental que o aluno pesquise antecipadamente sobre as instituições de ensino.

;Ele deve se questionar se essa é a melhor universidade para o perfil dele. Não adianta, por exemplo, escolher o melhor local de ensino para a área e ser infeliz.; Após essa etapa, ela destaca que é essencial comparar as opções de graduação, pesquisando metodologias de ensino, oportunidades de projetos extracurriculares e experiência de vida no país. Estados Unidos, Canadá, Austrália, Irlanda, Nova Zelândia estão entre os países pelos quais os brasileiros mais se interessam. Denis Lacerda explica que essas escolhas têm a ver com a facilidade com a língua inglesa e privilégios, como acomodação. ;Em outros países, nem sempre a bolsa está vinculada à residência. Então, no caso dessas, o deslocamento é apenas no câmpus.; A adaptação também é um fator importante apontado pelos especialistas. De acordo com Nathalia Bustamante, cada pessoa tem um nível diferente de adequação, que depende de fatores como fluência no idioma e dificuldades de superar as diferenças de costumes.

;Para o idioma, a melhor dica é ter uma preparação antecipada, treinando bastante. Quanto à adaptação cultural, um caminho importante é aprender a olhar para si mesmo mais do que para o que o país tem a oferecer. Entenda o lado do outro, seja curioso e tolerante;, comenta. O diretor do Santander Universidades, Steven Assis, reforça que estudar em outro país pode transformar a perspectiva do jovem com relação ao mundo. ;A pessoa estará em outro contexto, longe do país, da família, em um ambiente onde vai aprender não só academicamente, mas absorverá outro contexto cultural;, explica. Desde 2005, a instituição que ele representa ofertou mais de 290 mil bolsas de estudo (nas modalidades estágio, graduação, pós-graduação e empreendedorismo) em 20 países. Em novembro deste ano, devem ser ofertadas 100 oportunidades. Os selecionados podem escolher entre 1.200 universidades em nove nações. ;Com uma experiência internacional, o estudante sai transformado e se diferencia de outros candidatos em um processo seletivo de emprego. Claro, se ele se dedicar lá fora;, explica o administrador.

Proficiência comprovada

Para estudar fora, não basta dizer que sabe inglês ou outro idioma. É necessário provar. E, para testar esses conhecimentos, instituições mundo afora exigem aprovação em avaliações renomadas. Cada universidade opta por um exame diferente, então é importante analisar qual fazer de acordo com suas faculdades de escolha. Conheça as principais certificações:

Testes de idioma

Toefl (Test of English as a Foreign Language, ou Teste de Inglês como Língua Estrangeira)
Avalia a capacidade de usar e compreender o inglês no nível universitário, além de testar o nível do aluno em combinar as habilidades de ouvir, ler, falar e escrever. Mais de 10 mil instituições de ensino superior, agências e outras instituições em mais de 130 países

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação