Eles chegaram lá

Eles chegaram lá

Confira relatos de pessoas que conseguiram ter uma experiência fora com bolsa

postado em 28/10/2018 00:00
 (foto: Catarine Cavalcante/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Catarine Cavalcante/Esp. CB/D.A Press)

Prestes a realizar um sonho
Mateus Holanda, 17 anos, garantiu uma bolsa de estudo no exterior após procurar ajuda de uma agência de intercâmbio. O estudante do 3; ano do ensino médio do Centro Educacional Leonardo da Vinci aguarda ansioso a chegada do mês de janeiro de 2019 para embarcar para a Universidade Campbellsville, em Kentucky, nos Estados Unidos, onde cursará, por quatro anos, psicologia. Foi por meio do desempenho no basquete que o jovem foi privilegiado com 66% de desconto no curso. A conquista é a realização de um sonho de infância. ;Desde pequeno, eu sempre me dediquei e treinei muito para alcançar uma bolsa. É muito gratificante ver o resultado do trabalho que fiz;, comenta. Para ter esse benefício, o jovem enfrentou uma série de etapas, como envio de documentos, avaliação prática e prova de inglês.

Mateus viajou por 10 dias para os EUA. Desse período, oito dias foram dedicados aos jogos de basquete, quando ele foi avaliado por técnicos de todo o país. ;Eles queriam saber se a gente sabia lidar com os integrantes. Por exemplo, em uma situação de perder o jogo, verificavam se tínhamos maturidade para passar bem pela situação.; O adolescente participou de dois times de basquete do Distrito Federal: Minas Tênis Clube e Time Lance Livre. ;Eu treinava de duas a três vezes por semana, cerca de duas horas a cada treino, o que me ajudou bastante.; Apesar de ter recebido mais de 50% de desconto para estudar fora, o brasiliense teve de se preparar financeiramente. Com a aprovação, ele pôde escolher entre mais de 12 opções de bolsas, analisando a que melhor se encaixava no orçamento. ;Levei em consideração a qualidade do esporte, a estrutura, o ensino e quanto vou precisar pagar. As instituições americanas são muito caras. Então, o desconto foi primordial;, conta.

A melhor experiência da minha vida!
Formada em ciências biológicas pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e doutora em bioquímica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Simone Nardin, 35 anos, teve a experiência de estudar por seis meses na Universidade da Califórnia. O que a gaúcha define como ;os melhores momentos da vida; dela. A bolsa de doutorado veio depois da submissão de um projeto de hipóxia-esquemia neo natal à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em 2011. O primeiro passo foi buscar um orientador do mesmo assunto. ;Eu enviei e-mail para mais de cinco pesquisadores e todos me responderam. Isso foi muito importante para mim, porque a gente acha que ninguém vai dar bola;, conta. Após conversas, ela foi selecionada para passar seis meses na Califórnia. ;A bolsa poderia ser até de um ano, mas, no meu caso, fiquei só seis meses porque tinha que defender a tese do aqui no Brasil.; Auxílio-moradia, passagem aérea e o curso foram custeados pela Capes. Para se manter por lá, a pesquisadora ainda desembolsava cerca de US$ 400 por mês, o que equivale a R$ 2.604.

;Consegui viver tranquilamente. Não gastava com transporte, pois aluguei um quarto em um apartamento perto da universidade, então ia a pé.; Essa foi a primeira vez de Simone no exterior. ;A Califórnia tem uma diversidade cultural que aqui no Brasil falta muito. Lá, a gente aprende a conviver com o outro;, explica. O investimento em pesquisa e inovação também é bem diferente. ;A gente encomendava um reagente químico, por exemplo, e, em três dias, tinha chegado. E tive resultados melhores no que diz respeito a experimentos.; Para ela, manter o contato internacional é fundamental. ;Até hoje converso com meus colegas de lá e orientadores. Isso é importante para fazer trabalhos em conjunto. Precisamos internacionalizar a ciência, pois assim ela só tende a crescer;, acrescenta. Atualmente, a mestre em bioquímica toxicológica está vinculada ao Programa Nacional de Pós-Doutorado (PNPD) da Capes e orienta alunos no laboratório de biologia na Universidade de Brasília (UnB).

Em alta

Cresce número de pessoas que decidem estudar no exterior

Pesquisa da Brazilian Educational & Language Travel Association (Belta) revelou que o mercado brasileiro de educação estrangeira cresceu 23% em 2017, alcançando 302 mil estudantes pela primeira vez. O investimento em um curso no exterior também aumentou 12%. No total, o brasileiro movimentou entre US$ 2,7 bilhões e US$ 3 bilhões em programas educacionais internacionais no ano passado. Embora o inglês e o espanhol apareçam como as línguas mais procuradas, o estudo revelou maior desconcentração de mercado. Idiomas como alemão, francês, italiano e, até mesmo japonês e mandarim ganharam participação. A qualidade de vida do país está entre os principais critérios de escolha de país apontados pelos estudantes, que também levam em consideração segurança, cotação da moeda e cultura local. Praticamente um a cada quatro estudantes viajaram para o Canadá (23%), o primeiro colocado entre 39 destinos. Em seguida, aparecem Estados Unidos (21,6%), Reino Unido (10,2%), Nova Zelândia (6,9%) e Irlanda (6,5%).

Apesar de a maior parte dos brasileiros procurarem nações cujo idioma é o inglês, os que resolvem romper essa barreira linguística e decidem passar um período na Europa optam cada vez mais pela Alemanha. Estudo da agência de intercâmbio Study.EU revelou que esse é o país europeu mais atraente para alunos internacionais. O ranking, que avalia universidades em 30 países europeus, indicou Reino Unido na segunda posição, e França, na terceira. A oferta de cursos de qualidade sem cobrança de mensalidades e o crescimento do número de cursos ministrados em inglês está entre alguns dos atrativos que levam os alunos a preferirem as instituições alemãs. A classificação considerou ainda as perspectivas oferecidas aos jovens internacionais que desejam permanecer no país depois do fim da graduação: o país permite que os estudantes estrangeiros permaneçam com um visto em busca de emprego até 18 meses após a conclusão do curso.

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