Basta digitar

Basta digitar

Versos são um dorflex da alma, principalmente em dias tão cansativos, mas necessários, como os que vivemos ultimamente

Por José Carlos Vieira
postado em 28/10/2018 00:00

A internet é um bicho esquisito que engole tudo. Para muitos, uma fogueira da inquisição moderna, que leva às cinzas qualquer reputação, dos cafajestes aos ingênuos. Mas tem um cantinho no mundo virtual que gosto de visitar, principalmente nestes tempos em que uma mesma família fala línguas diferentes. É quando digito naquele espaço mágico do Google a palavra ;literatura;... Ah... Um universo se abre diante da telinha do celular ou do iPad. Navego em textos de E. E. Cummings, Eu o carrego no meu coração/ Nunca estou sem ele/Onde eu for, você vai, minha querida/Não temo o destino/ Você é meu destino.

Versos são um dorflex da alma, principalmente em dias tão cansativos, mas necessários, como os que vivemos ultimamente. Engraçado, justamente nesse mar bravio da internet, com as avassaladoras ondas das fake news, que abro as velas do meu barco antigo em busca da ;literatura;, e sinto-me na mansidão do Lago Paranoá em noite de lua cheia balançando no mesmo barco velho. ;Ora (direis) ouvir estrelas! Certo/Perdeste o senso!” (;) E eu vos direi: ;Amai para entendê-las/Pois só quem ama pode ter ouvido/Capaz de ouvir e de entender estrelas;... Olavo Bilac me cumprimenta. Não te falei? Basta digitar ;literatura;.

Sim, é certo, às vezes, a gente se esbarra em citações falsas, mas são tão belas que fingimos acreditar, pelo menos naquele instante, que o ;autor-plagiador;, em um momento de delírio, tenha incorporado o espírito do poeta. Deixa passar. Esta crônica, que deveria ser escrita pelo amigo Paulo Pestana (atarefado ultimamente), vai insistir em tomar um pouco do seu tempo, caro leitor, para sugerir que digite a palavra ;literatura; no seu celular. Não custa nada, escolha o poeta, decore o verso e tenha um bom domingo.

Mas, antes, quero segredar o mantra que carrego desde meu primeiro livro de poemas, lá pelos anos 1980, e que nunca me deixou na mão. O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem. Guimarães Rosa me acompanha.

Namastê!

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação