Elogio à liberdade

Elogio à liberdade

Por Maria Paula
postado em 28/10/2018 00:00
O que é necessário para que alguém tenha êxito na construção de relacionamentos saudáveis, respeitosos, profundos, suaves, estáveis, divertidos? Do que precisamos para sentir firmeza em nossos laços afetivos a ponto de sabermos que podemos contar com ajuda dos amigos e familiares quando precisamos ou algo ainda mais importante: estarmos prontos para estender a mão ao próximo na hora em que o bicho tá pegando?

As primeiras ideias que me vêm à cabeça são relacionadas à honestidade, capacidade de sentir empatia, gentileza, generosidade, atenção, disponibilidade, flexibilidade e por aí vai. Mas tenho reparado que, muitas vezes, apesar de qualidades como essas estarem presentes em nossas vidas, nem sempre temos acesso a elas quando precisamos.

Parece-me que alguma fragilidade íntima relacionada à nossa autoestima, muitas vezes, age como uma trava, bloqueando nossas possibilidades de ação e nos afastando dos outros.

Em minha experiência, a chance de acolher o outro se torna algo real pelo fato de que minha autoestima sempre foi lá em cima! Sou filha de pais muito presentes e afetuosos, minhas primeiras impressões neste planeta foram de acolhimento e segurança. Minha mãe me ofereceu tanto amor que preencheu minha alma de um jeito que transborda até hoje. A história que vou contar agora é um belo exemplo disso.

Tenho um amigo que é das melhores pessoas que já cruzaram meu caminho, um cara lindo demais, que dedica sua vida a solucionar conflitos de forma não violenta. Nós nos conhecemos através da atuação profissional respeitadíssima dele e, com o tempo, nossa parceria profissional se expandiu e se tornou uma grande amizade.

Ha algum tempo, porém, notei que ele deixou de ler minhas mensagens, atender minhas ligações ou responder meus e-mails. Tentei entrar em contato diversas vezes por vários motivos e nada.

Até que um dia, peguei um telefone emprestado e liguei de um número que ele não conhecia!

Ele atendeu e, ao reconhecer minha voz, comentou surpreso: você não desistiu de mim mesmo depois de eu ignorar suas mensagens? Claro que não, foi minha resposta, às gargalhadas! O que está acontecendo?

Ele então respirou fundo e me falou um pouco sobre o momento difícil que estava passando, sobre a depressão, a impossibilidade de responder as mensagens e a dificuldade que tinha até de sair de casa naquele momento.

Moral da história: depois de ter me encontrado com ele e conseguido ajudá-lo a reagir, percebi que isso não teria sido possível se minha insegurança emocional tivesse minado minha convicção. O fato de eu não ter levado para o pessoal o sumiço dele, e não ter me sentido rejeitada por isso, foi a grande virada que me permitiu interromper um ciclo de isolamento que talvez pudesse ter tido consequências muito desastrosas!

Que tal aproveitar o dia de hoje, em que está sendo decidido nas urnas o futuro do país, para refletir com honestidade se você está aproveitando as oportunidades que a vida lhe oferece para fazer a diferença? Se por algum motivo sentir que não, lembre-se que o jogo está rolando e a bola está no seu pé!

Trabalhe seus recursos internos de forma a poder estar disponível a ajudar. Não desperdice nenhum segundo de sua vida com medos e reclamações. Assuma a responsabilidade por um futuro melhor, independentemente do resultado de hoje.

Eu, de minha parte, faço um elogio à maternidade amorosa, capaz de mover montanhas, fazer milagres, liberar nossas almas e promover uma transformação social rápida e urgente.

Faço também um elogio à liberdade, por ser algo tão imprescindível que, até para ajudar um amigo numa hora difícil, precisamos dela.

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