PSDB se mantém com Doria

PSDB se mantém com Doria

Ex-prefeito reverte tendência de queda nas pesquisas e derrota o atual governador Marcio França após uma campanha repleta de polêmicas. Tucano incorporou o perfil de outsider para conquistar a confiança do eleitorado

MURILO FAGUNDES*
postado em 29/10/2018 00:00
 (foto: Marcus Leoni/Folhapress)
(foto: Marcus Leoni/Folhapress)

Cada voto foi decisivo para a eleição de João Doria (PSDB) para o cargo de governador de São Paulo, o maior colégio eleitoral do Brasil. Depois de aparecer empatado, dentro da margem de erro, com Marcio França (PSB), nas mais recentes pesquisas, o ex-prefeito da capital reverteu a tendência de queda e obteve uma vitória com 741 mil votos de diferença. Com a eleição de Doria, o partido de Geraldo Alckmin terá pela frente uma gestão abalada pela ruptura interna protagonizada por ex-prefeitos. Há 24 anos, os tucanos conservam a hegemonia à frente do Palácio dos Bandeirantes. Doria obteve 10.990.350 votos válidos (51,75%), enquanto França teve 10.248.740 (48,25%).

O governador eleito enfrentou uma campanha eleitoral envolta em polêmicas. Na capital, onde foi eleito prefeito e prometeu cumprir o mandato de quatro anos, foi chamado de traidor por grande parte do eleitorado. O empresário também foi alvo de um vídeo, divulgado nas redes sociais, no qual ele supostamente aparece em ato sexual com cinco mulheres. Os escândalos não pararam Doria, que foi proibido de usar o slogan ;Acelera SP; durante a campanha.

O tucano, que se define como gestor, demonstrou confiança depois de conquistado o apoio da maioria dos parlamentares eleitos pelo PSL, partido do presidente eleito Jair Bolsonaro. Também apostou na fama de outsider, apoiado pelas carreiras de apresentador de televisão e de empresário. O atual governador Marcio França, que contou com apoio do senador eleito Major Olimpio, pregou a renovação partidária. O discurso orgulhoso de ;político experiente;, no entanto, não funcionou.

Entre os apoiadores de Doria, Joice Hasselmann (PSL) ; a deputada federal mais bem votada do Brasil e eleita por São Paulo ; foi peça-chave. Ela acompanhou Doria à seção eleitoral, na manhã de ontem, e apareceu em vídeos e em entrevistas, depois da vitória. ;Eu vou ser a ponte entre o João e o Bolsonaro;, disse. Doria também telefonou para parabenizar o presidente eleito. ;Vamos juntos;, afirmou ao capitão reformado.

;Bolsonaro vai governar para todo o Brasil. E eu vou governar para todos de São Paulo. Vamos gerar mais emprego, desenvolvimento, atrair investidores internacionais, fazer com que as pessoas voltem a sentir felicidade e alegria de viver no Brasil;, declarou Doria, visivelmente emocionado, em discurso transmitido pelas redes sociais. Assim como fez Bolsonaro, ele conversou com os seguidores da internet, antes de falar aos jornalistas. O perfil marqueteiro e inovador da campanha do tucano foi impulsionado pela plataforma virtual.

Empresário
O perfil de outsider no meio político foi reanimado por Doria na campanha de 2016, quando se candidatou a prefeito de São Paulo. Impulsionado pelo movimento antipetista, ele foi eleito, de forma inédita, em primeiro turno. O tucano obteve 53,4% dos votos válidos contra 16% de Fernando Haddad, do PT. Formado em jornalismo e em publicidade, Doria, 61 anos, foi apresentador de televisão e destacou-se à frente da franquia do programa O Aprendiz, da TV Record. O empresário dirige um grupo de marketing que promove eventos e iniciativas culturais. O contato político se deu quando foi secretário de Turismo da gestão do então prefeito de São Paulo, Mário Covas, e presidente da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), durante o governo de José Sarney.

* Estagiário sob a supervisão de Rodrigo Craveiro



;Bolsonaro vai governar para todo o Brasil. E eu vou governar para todos de São Paulo. Vamos gerar mais emprego, desenvolvimento, atrair investidores internacionais, fazer com que as pessoas voltem a sentir felicidade e alegria de viver no Brasil;

João Doria, governador eleito de São Paulo


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